Replying to Yan

AOS ANCAPS DAQUI: Sintam-se à vontade para responder a isso mas de maneira respeitosa. Escrevi agora à pouco para por no papel alguns apontamentos que fiz (estou em um tipo de crise intelectual) e sou comunista.

“A dialética, método filosófico desenvolvido por Hegel (um dos maiores inspiradores de Marx) diz que a síntese nasce de contradições entre tese e antítese, herdeiro disso mas também crítico de algumas partes da filosofia hegeliana (ex “Jovem Hegeliano” Marx escreveu A Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, além de chamar vários dos ex colegas de idealistas). Marx aplica a dialética à história e lança a frase: “A história de todas as sociedades até aqui é a história da luta de classes”.

As contradições de classes sempre geraram rupturas e através de revoluções fizeram nascer novos modos de produção (comunitário primitivo - surgimento da propriedade privada da terra descrita por Rousseau como princípio da desigualdade - escravismo - feudalismo um pouco do mercantilismo e capitalismo após as revoluções burguesas) (capitalismo este que teve em diferentes países diferentes formas de implementação (via revolucionária/americana/francesa, via prussiana/azul, via burocrática, mas não entrarei nestes pormenores) e desenvolveu-se ao nível de capitalismo monopolista e posteriormente permitiu o desenvolvimento de um “capitalismo monopolista de estado”/imperialismo” e atualmente vemos nascer a possibilidade de um embrião de techno feudalismo perigoso, sendo assim eu não vejo ainda o anarcocapitalismo como o nível final, mesmo que o estado e a grande burguesia corporativista seja derrubada pelos libertários, voltaríamos à algo semelhante ao mercantilismo? Se sim, e me parece que sim, tudo se desenvolveria de volta ao surgimento dos estado-nações burgueses e monopolistas? (Tendo que Engels diz que o Estado nasce das contradições entre as classes, bebendo um pouco de Hobbes mas não completamente; este foi, posteriormente, um conceito modificado por Vladimir Ilyich Ulianov (Lenin) em O Estado e a Revolução definindo como “Um aparato de violência específica de classes” e ainda dizendo “Quando houver liberdade não haverá estado, enquanto houver estado não haverá liberdade”) - Acho que concordamos todos com essas duas frases de Lenin (exceto que os ancaps, imagino eu, retirem a parte de “específica de classes” e conservem o “aparato de violência”; posso estar enganado quanto à isto) - E se/quando os proletários se mostrarem insatisfeitos e a luta de classes se aflorar? Ou a luta de classes chegaria em fim ao seu fim após séculos e séculos de conflitos e rupturas? Talvez tudo não passe de desesperança minha… mas não me entra na mente que a luta de classes não existe, ou que o anarcocapitalismo sobreviveria, por mais que ele seja bom, sem o ressurgimento de um domínio de classe.”

Enfim, é isso, eu não conheço muito sobre o libertarianismo porém, se alguém quiser responder a alguma dessas minhas dúvidas fiquem à vontade para isto. 👍🙂

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Depende: para ancaps, capitalismo é mercado livre — propriedade privada e trocas voluntárias. Sem Estado, monopólios duradouros seriam mais difíceis porque muitos dependem de privilégios estatais.

Desigualdade e conflito podem surgir, mas ancaps acreditam que eliminar coerção estatal e fortalecer soluções privadas (concorrência, reputação, contratos, defesa privada) reduz a reprodução institucional da dominação de classe.

Não garante fim imediato da "luta de classes", só um quadro diferente, pois a verdadeira "luta de classes" para libertários é "você contra quem te agride".

O princípio básico é: você não pode iniciar agressão contra pessoas pacíficas.

Bandidos, políticos, empresários monopolistas amigos de politicos, polícia estatal, leis estatais, tudo isso é agressão - você não pode recusar uma lei, não pagar imposto.

De resto, seja você bilionário ou alguém normal, libertários prezam por quem não agride pessoas pacíficas.

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Discussion

Acho que compreendi integralmente sua explicação, obrigado! Enumerando seus parágrafos aqui:

1°: Só tive contato com a ideia de capitalismo para os marxistas: a de que capitalismo é um modo de produção (forças produtivas+relações de produção) e que ele se caracteriza pela divisão social do trabalho, propriedade privada dos meios de produção e a divisão dela entre duas classes fundamentais: a que detém os meios para produzir e a que não os detém. Esse conceito é diferente do anarcocapitalista então…já que para o primeiro, a interferência do estado não muda o conceito.

2° Seria então uma resolução e atenuação da luta de classes por meio da instituição do sistema de trocas voluntário entre salários e força de trabalho, sem nenhuma forma de coerção ou “cercamento”?

(Ancaps não acreditam na mais-valia certo?)

O resto compreendi 100% 😁

Sim, Marx define capitalismo como modo de produção (propriedade dos meios + classes). Ancaps usam “capitalismo” = mercado livre; para nós a presença do Estado muda tudo.

E sim, também, ancaps acreditam que trocas voluntárias e ausência de privilégios estatais atenuam a reprodução institucional da dominação de classe, não prometem o fim da "luta de classes", mesmo porque desigualdade sempre vai existir e nem sempre significa malefício.

Sobre mais‑valia: ancaps não usam esse conceito, veem acordos salariais como resultados voluntários de propriedade, risco e produtividade.

o problema não é a desigualdade, mas sim a pobreza extrema. pobreza essa que seria facilmente mitigada em um anarcocapitalismo