Liquid dentro da comunidade que aceita BTC já é amplamente usado (e aceito) e tem seu efeito de rede (embora não tão aparente e não tão grande, é o suficiente para meu propósito). Não vejo problemas, novamente, por ser uma segunda camada e por lá apenas uma parte insignificante por períodos curtos para propósitos específicos. Digo o mesmo para a custódia federada. É seguro o suficiente para servir como segunda camada. A graça de uma segunda camada é justamente poder voltar para a primeira camada facilmente e nativamente sem muito estresse e sem nenhum risco de flutuação de câmbio de moeda na hora que quiser.
Continuo a afirmar que se trata de uma falsa equivalência. As falhas da Monero são aceitáveis em segundas camadas por serem justamente segundas camadas. Já discorri quanto ao porquê dessa aceitabilidade (são asseguradas pela camada principal).
Estranho dizer que a Liquid tem o próprio token. O token base é L-BTC, que nada mais é que BTC travado nas federações. Veja que é somente uma nomenclatura e não um token diferente. L-BTC tem o exato mesmo valor do BTC e há uma seguridade em primeira camada garantindo isso. Diria então que Lightning BTC é outro token também? Porque a mesma coisa que assegura a paridade do L-BTC assegura a paridade do BTC Lightning: a transação OnChain travada em primeira camada.
Quanto às atualizações de implementações Lightning, não existe esse conceito de atualizações que quebrem a retrocompatibilidade de maneira tão drástica como ocorre com a Monero. Aliás, ao longo de toda sua história só houve três desse tipo em implementações bem específicas e atualizações essas voltadas justamente para correções de bugs e não novas features. Fora isso, todas implementações Lightning são retrocompatíveis e fica a critério de cada node aderir ou não às novas features que são lançadas no protocolo ou até mesmo atualizar ou não os nodes. A estabilidade é tão grande quanto a dos nodes em primeira camada. Então é uma falácia comparar as atualizações da Monero com as atualizações da Lightning.
Portanto, não são duplos padrões. O token base da Liquid é BTC e as atualizações de ambos os protocolos não são tão problemáticas quanto as atualizações da Monero. Veja que não estou falando do fato de existir atualizações. Atualizações por atualizações, até os nodes da rede principal do Bitcoin tem atualizações. Mas não atualizações que quebrem a retrocompatibilidade de forma intencional (features, não correções de bugs), como ocorre com tanta frequência na Monero. Tanto Liquid quanto Lightning e principalmente o Bitcoin OnChain, são extremamente mais estáveis que Monero no fim das contas.
Volto ao mesmo ponto. Liquid e Lightning são Bitcoin. Não em stricto sensu, mas em lato sensu. Para deixar mais claro, são Bitcoin como moeda, embora não sejam Bitcoin como protocolo. E por isso ambas me gracejam os olhos. São soluções para resolver problemas pontuais como velocidade de transação, privacidade e preço de taxas ainda assim se baseando na robusta, firme e estável primeira camada e da mesma forma mantendo o token padrão como Bitcoin. Não entendo essa pira de insistir que Liquid não é Bitcoin. Aliás, consigo entender por partes. Realmente não é Bitcoin como protocolo, mas como moeda, com certeza é. Seria o equivalente a dizer que PIX não é real. Não faz sentido. É a mesma moeda. Embora o real como cédula, em cartão de débito ou transferência TED não use o PIX ou não esteja relacionado à ele, PIX não deixa de ser real. É nesse sentido que afirmo que Liquid é Bitcoin. Liquid é Bitcoin como moeda, e para os propósitos que eu a uso, serve perfeitamente. Assim como a Lightning. E é isso que importa no fim. Segundas camadas são feitas justamente para não se deixar tudo, mas pequenas quantias para o uso no propósito daquela camada.