Nos últimos dias houve uma estranha e repentina mudança de discurso, como os mídias olham para a dívida portuguesa.

Antes só destavam, o rácio da dívida em relação ao PIB, hoje estão a falar do valor nominal da dívida.

Correio da Manhã:

«A dívida pública atingiu um novo máximo histórico de 294,3 mil milhões. Nunca foi tão elevada, superando agora os 27 mil euros por habitante»

Expresso:

«Dívida pública sobe em setembro pelo décimo mês consecutivo e fixa novo recorde de €294,3 mil milhões»

Eco:

«Endividamento das Administrações Públicas aumentou em setembro pelo décimo mês consecutivo: cresceu seis mil milhões para novo máximo histórico nos 294,3 mil milhões.»

RTP:

«Dívida pública sobe em setembro pelo 10.º mês consecutivo para 294.319 ME»

e foram muitos outros a utilizar este discurso. Estranha mudança!

O rácio da dívida pública face ao PIB foi de 97,6% no terceiro trimestre, uma subida de 1,7 pontos percentuais em termos homólogos.

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Discussion

As más linguas diriam:

Só ao utilizar o valor nominal, permite fazer capas com "NOVO MÁXIMO HISTÓRICO"

Se utilizassem o rácio teriam que dizer que o máximo histórico foi de 134% do PIB, em 2020, no governo de António Costa. Mas isso não convém dizer...

Excelentes observações. O uso de valores nominais tbm pode servir pra induzit comparativos com outros lugares. "A dívida aq é X, mas podia ser pior como a dos americanos de 37tril USD".

Para fazer comparações entre países, o rácio é a melhor solução, especialmente se forem de dimensões dispares.

Vamos a exemplo de Portugal:

Neste gráfica, parece que a dívida de pouco em comparação com os outros países da UE.

Mas se olharmos para o rácio, dividindo pelo PIB, Portugal é dos mais endividados da UE.

Mas para politicas internas, o valor mais correto deveria ser o nominal.

Se olharmos para o rácio, dá uma ideia errada da realidade, parece que a divida diminuiu mais 35% em 5 anos.

Na realidade, a divida não diminuiu, mas estagnou, isto é o efeito da forte desvalorização da moeda pós covid, que fez o PIB disparar nominalmente, mas a dívida não.

Talvez queiram justificar futuros cortes no sector publico...

Neste caso, não é isso, são apenas motivos políticos.

Os mídias estão fortemente inclinados para a esquerda, estão com uma forte campanha anti-governo, que é de centro-direita.