> “Na verdade, a maior parte da população prefere a simplificação e ela é muito mais comum do que jamais foi, pois os meios de comunicação hoje são muito mais informais e acessíveis.“

De fato, o fazem. Fazem-no por terem segurança nos ricos conjuntos construtivos basilares que sustentam a língua portuguesa, seja intuitivamente, seja por dedicação. O inverso é impossível: de meras simplificações, não se constrói uma língua. Constrói-se uma casa da base, não do telhado.

> Em relação a modificação de termos do inglês para a nossa gramática, já a muito tempo isso tá caindo em desuso, principalmente para termos que tivemos contato mais pras últimas 5 décadas. Não usamos xampu, mas shampoo; nem mause, mas mouse; nem internete, mas internet; e tantas outras palavras...

Não adaptam por desleixo, preguiça e desamor à língua. O “desuso” é só um ato comportamental que não justificativa abolir para todos. Palavras estrangeiras “soltas” (ex.: “shampoo”) soam exóticas e estranham o texto, mesmo sendo comuns. Prova? São usadas na propaganda e textos pra chamar atenção! Isso não quer dizer que está correto.

Meu ponto é: a língua portuguesa, como está hoje, tem tudo o que se deseja e mais. Atende a todos com vários degraus de complexidade, para cada um escolher o seu, seguindo somente, a meu ver, duas regras universais: 1 — Para uma exposição respeitável no universo lusófono, use o português culto; 2 — Para outros usos, siga os costumes da sua comunidade.

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Discussion

A grande maioria das pessoas no Brasil não ligam pra regras de escrita, nem pra usar termos em inglês, japonês e seja lá qual língua for, é uma ínfima minoria que se preocupa com o português culto e tem esse 'amor' pela língua.

E, no geral, esse não é um comportamento de comunidade, é do Brasil como um todo. Ninguém gosta de preciosismos e limitações na própria expressão, nem de 'esquerda' (por mais que critique os EUA), nem de 'direita' (por mais que critique as reformas ortográficas).

Discordo. A maioria dos brasileiros defende a língua: vide a rejeição à linguagem neutra, subdialeto artificial, em estados como Santa Catarina, Rondônia e Paraná (leis de 2021-2022) e em municípios — o meu foi um desses. Não é “preciosismo”, é amor por Lácio, de norte a sul.

Ser contra a linguagem neutra não tem a ver com não ter preciosismo, tem a ver com rejeitar e não participar de linguagens marginais, sem sentido útil e própria de um grupo alienado cheio de problemas mentais.

De qualquer forma, usar leis para proibir isso ao inves do puro bom senso e boicote é de uma grande mentalidade estatista, que é quase que igualmente ridícula...

E me parece que você não é libertário, inclusive.

> “Ser contra a linguagem neutra não tem a ver com não ter preciosismo, tem a ver com rejeitar e não participar de linguagens marginais, sem sentido útil e própria de um grupo alienado cheio de problemas mentais.”

Tem tudo a ver. Todas as suas propostas e argumentos são tão semelhantes quanto ao subdialeto neutro, artificiais e sem basilares.

> “De qualquer forma, usar leis para proibir isso ao inves do puro bom senso e boicote é de uma grande mentalidade estatista, que é quase que igualmente ridícula…”

Sim. Bom senso e boicote popular levaram a um contrato coletivo para rejeitar mudanças artificiais na língua e preservá-la. Esse contrato, debatido e votado, chama-se lei.

> “E me parece que você não é libertário, inclusive.”

Correto, sou católico. Como tal, defendo que todos se expressem livremente, do culto ao coloquial, em qualquer grau de complexidade. Tu, libertário, queres cercear essa expressão por capricho. Ironia, não?

a questao não é proibir a linguagem neutra per se.

é proibir NAS ESCOLAS. O prof primario ensinar e exigir linguagem neutra. Obvio, se gasta tempo com isso, menos tempo pra outras coisas.