A vida de um membro da espécie humana começa com a formação de um organismo com o conjunto completo de 23 pares de cromossomos. Qualquer estudante que teve contato com fundamentos de biologia sabe disto.

Zigoto, mórula, embrião e feto são organismos com material genético humano completo e, portanto, do ponto de vista biológico, são todos membros da espécie humana. No zigoto está presente toda a potencialidade para o desenvolvimento de um indivíduo adulto, se satisfeitas as condições de desenvolvimento.

Ainda do ponto de vista biológico, a diferença entre um embrião e um adulto é puramente anatômica, devido apenas ao grau de desenvolvimento do espécime.

Tudo isto é ciência e não há como ter entendimento diverso.

As pessoas confundem ciência com conceitos filosóficos, jurídicos, psíquicos e metafísicos. "Pessoa", "personalidade" e "alma" não são conceitos científicos e causam uma confusão enorme. "Consciência" é um conceito igualmente complicado.

"A partir de que momento um organismo se torna um ser humano?" A resposta desta pergunta envolve mais filosofia e religião do que ciência.

"É moral não permitir o desenvolvimento de um organismo, membro viável da espécie humana, apenas porque ele ainda não adquiriu a consciência plena?"

Novamente é uma questão mais ética, tendo pouco a ver com a ciência.

Difícil é ver gente que nunca leu uma linha de algum artigo ou livro de epistemologia bostejar em debates. Não tem que debater, tem que xingar de burro este povinho.

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Discussion

Desse ponto de vista eu concordo e está correto. Formou o DNA, e tem o potencial de se formar um ser humano, entao é uma vida humana. Porém, tentando ser o advogado do diabo, poderiam argumentar que uma célula de um adulto não representa a vida humana, como uma célula do sangue ou da pele... tem o DNA mas não representa o individuo. Abre muita discussão e espaço p dúvida. Por isso entendo que o argumento metafísico, a questão da alma e da potencialidade da vida humana desde a concepção, são pontos de vista mais robustos.

Entendo que células do sangue, da pele ou de qq outra parte separadas do corpo humano não podem ser consideradas vidas humanas porque elas não têm a potencialidade de sozinhas gerar outro organismo inteiro. Se fosse assim, fazer biopsia ou o homem praticar a masturbação seria considerado genocídio 😂

Já as células do zigoto são "multifuncionais", esqueci o termo científico delas, ou seja, elas espontaneamente podem originar todas as células do corpo. A única função do zigoto ou mórula é desenvolver-se em um organismo funcional e autônomo da mãe, da mesma forma que um bebê.

O argumento religioso e metafísico é sumariamente descartado das discussões, senso classificado como intolerante e antiquado. Por isso eu prefiro a defesa da vida baseada na ciência, na filosofia e na moral. Porque os defensores do aborto em geral são burros e já perdem feio no campo de discussão "laico".

Concordo que os argumentos científicos e éticos abrem muito espaço para discussão. Mas mesmo eles, se bem colocados, causam nó na mente dos incautos.

O que define a humanidade de um organismo? É a consciência ou um determinado estágio de viabilidade autônoma do organismo?

Estes critérios também não são bons. São péssimos. Qual é o grau de consciência de um bebê recém nascido? Ele tem alguma consciência?

E a viabilidade dele longe dos cuidados maternos intensos? Quanto tempo um bebê sobrevive dentro de uma lata de lixo sem o cuidado materno?

E a pessoa adulta que perdeu sua consciência? Ela deixa de ser uma pessoa, ela passa a ser menos humano?