O negativo foi eu bem criança impressionado com os poemas de livro didático (da Cecilia Meireles). A professora pediu pra gente escrever um texto. Escrevi. Ela, docemente, disse que estava bonitinho e tal, mas que queria prosa, não poema. Fiquei tão frustrado que por anos só escrevia se fosse obrigado. 😅
Discussion
a sensação foi de ter feito algo errado, ainda que bonitinho? isso que foi mais desconfortável? ou a part do bonitinho também foi difícil de ouvir?
(talvez eu goste ainda mais de escrever perguntas)
Senti-me burro por só eu não ter entendido o que era pedido. Sempre um avoado. 🙃
talvez você estivesse esperando uma oportunidade pra escrever do jeito que te encantou, e aquela parecia uma boa oportunidade pra mostrar. não? talvez não tão conscientemente.
foi a primeira vez que você tentou escrever e compartilhar um poema?
Sim para as duas perguntas. Você entende as crianças, nostr:nprofile1qqsyuzy0xzrldfl8p97wtlnlmzzwcpxac60ddnwn0327yq8hw3930yspzdmhxue69uhhwmm59e6hg7r09ehkuef0ezk39t 😅
essa coisa de entender é forte pra você, né? talvez seja também pra todo mundo. é difícil mesmo sentir que a gente não entende algo.
quando você falou isso eu observei meus pensamentos dizendo que era uma obrigação eu entender as crianças.
como é sua relação com "entender" as coisas?
Sempre me senti o burrinho entre os pares. Hoje lido melhor com isso. 😄
Interessante. Por que obrigação? Por causa dos filhos? Parece que a maternidade foi algo muito significativo pra você, hum?
eu sentia como obrigação saber das coisas também, nunca perguntava nada na escola e precisava descobrir sozinha. também sentia como obrigação tirar as melhores notas da sala, mesmo sem me esforçar muito. tinha uma obrigação de fazer as coisas certas e tinha que saber sozinha, ou eu não seria boa de verdade. mas eu lembro de me sentir burra nas coisas da vida e anunciar isso na escola. acho também que a escola contribui muito pra nossa sensação de burrice.
mas quanto às crianças, eu as observo desde criança e sempre gostei de cuidar dos pequenos. sempre quis muito ter filhos e me interessava por educação, então acabei seguindo a vida com esse objetivo de olhar de perto pra educação e como eu poderia fazer pra que as crianças se sentissem confortáveis e potentes sendo elas mesmas. aí acho que a sensação de obrigação vem mais forte ainda.
eu me sinto zero intelectual, embora eu goste muito de pensar, eu praticamente não leio literatura. eu às vezes quero ler sobre algum tema e mergulho nele, como há 2 anos eu li tudo o que encontrei sobre morte, luto e cuidados paliativos. eu acho que não ler tanto também tem alguma relação com a obrigação de saber antes.
eu sinto um espanto toda vez que você traz alguma referência de algum autor. nesses momentos você se sente inteligente?
Eu me sinto inteligente só quando entendo algo. 😄 Quando cito algum autor é por duas razões: (a) pessoas mais inteligentes que eu já refletiram sobre o assunto (b) tento ocupar meu interior com coisas bonitas, visto que sempre morei em lugares feios e acho vou morrer num lugar feio. É a única forma de contrapor a feiúra ao meu redor.
Legal isso de estudar por assunto. Eu acho que é o jeito certo: estudar o que nos interessa, e não por beletrismo e/ou intelectualismo vazio. 🎯
Legal a primeira e a segunda partes do seu relato. Obrigado por compartilhar. E muito obrigado pela prosa, nostr:nprofile1qqsyuzy0xzrldfl8p97wtlnlmzzwcpxac60ddnwn0327yq8hw3930yspzdmhxue69uhhwmm59e6hg7r09ehkuef0ezk39t ☺️
eu acho que você estava me dando tchau, mas vou perguntar mais uma coisa: feio como? não tem uma árvore, uma plantinha, não passam passarinhos, não dá pra ver o céu?
sabe que eu estava justamente conversando sobre isso com uma amiga? eu tive o privilégio de ter sempre belezas ao olhar pela janela. mas ver tanta beleza me doía um pouco porque eu queria que fosse compartilhada com todo mundo. uma fala da minha amiga, dizendo que o que eu vejo pela janela é algo que todo mundo pode acessar - e é verdade mesmo, eu só não tinha me dado conta, me ajudou a aceitar olhar pra beleza e receber essa dádiva. eu olhei pela janela e me deixei ser tocada pela vista. me arrepiei com a beleza, depois de 3 anos morando aqui.
Sim, é uma dádiva ter beleza ao alcance dum relance de olhos. 😊
Oh, não quis ser rude nem nada. Fiquei constrangido por me ver falando de mim. Não sou assunto interessante. 😅 Prefiro ouvir ou ler sobre outras coisas/pessoas.
Por último, moro num lugar tipo esse do vídeo:
https://blossom.primal.net/d0089345bb5dd269719de527d7d093e0ca255b16bb1d5e0509ebc530e426cdef.mp4
não achei rude. e eu acho que ninguém é rude sem que tenha sentido algum desconforto, então é sempre compreensível também. obrigada por dizer do seu constrangimento. eu também fico incomodada de falar muito de mim e prefiro ouvir, normalmente. então também entendo perfeitamente.
só queria te sugerir uma coisa: vê se alguma beleza te espanta pelo caminho, pela janela, ao redor da sua casa e conta aqui? pode ser por foto, por texto... não precisa aceitar a sugestão, tá? mas fiquei curiosa pra saber se dá pra ver algo além. às vezes o nosso olhar se acostuma tanto com algo, principalmente se a gente desde criança vê a mesma coisa e sente certo desconforto com o que vê. acho que a gente acaba não querendo olhar demais, né? mas vê se te toca essa sugestão.
Ah, obrigado. Já aceitei sugestão antes mesmo de sugerida. 😅 Se me permite, alguns desses haicais (3, 4, 6, 10 e 12) foram inspirados em fugazes episódios e cenários de onde vivo:
https://batsiq.npub.pro/post/4tpkgi3adadakdm12sekv/
Você está corretíssima: é necessário (sempre) renovar o olhar. 💜