Me perguntaram se tecnologia é igual a magia. Segue minha resposta:

Pharmakeia é feitiçaria. Eu acho que alopatia, quase tudo dela, é feitiçaria. Neste sentido, essa tecnologia é magia.

Referindo-se no entanto à máxima de que uma tecnologia desconhecida poderia ser confundida com magia, como dizem os ideólogos que acreditam em deuses astronautas, acredito que a confusão ocorra somente quando o detentor da tecnologia a priva dos demais, encobrindo-a com esta narrativa. Entregue um rifle engatilhado a um macaco que ele entenderá num determinado tempo, se não se matar, que o rifle é uma ferramenta. Até corvos fazem isso.

Outro sentido de magia ocorre quando forçamos a natureza a um ponto de ruptura, através da tecnologia. Quando isto é feito, tocamos o plano espiritual de raspão. Um exemplo é a física quântica, que levou o mundo à desgraça moderna do relativismo total.

Quando aqueles tarados cientificistas aproximaram tudo no limite do impossível, uma mesa de madeira se tornou indistinta de uma pedra. Tudo então não passava de partículas subatômicas vagando em imensos espaços vazios. Não é surpresa a humanidade cair no erro kantiano de que somos nós que ordenamos o universo.

Erro imbecil, desmentido por Aristóteles e os escolásticos muito antes do próprio erro existir. Wolfgang Smith explica esse negócio no livro O Enigma Quântico.

Então a humanidade cai em outro erro mais grave que é essa palhaçada de "inteligência artificial" (o próprio termo em si é sem sentido), e é aí que as coisas ficam mais complicadas ainda, porque os caras passaram equiparar os processos de aprendizagem, que ocorrem mais ou menos da mesma forma em todas as criaturas criadas por Deus, com a própria aquisição de consciência (a máquina adquire conhecimento, fica inteligente e, portanto, se torna consciente). É preciso entender que a aquisição de conhecimento através do ensino sofreu uma distorção com o advento da educação prussiana; o que considero ser uma das maiores tragédias da humanidade.

O método prussiano padronizou tudo, tornando-se aos poucos a única forma aceitável de adquirir conhecimento.

Um processo é sempre passível de reprodução e automatização, que dirá um processo hegemônico.

Na idade média ninguém aprendia pelo método prussiano de ensino. A educação monástica, por exemplo, não era nem de longe semelhante a educação prussiana, apesar de ser um sistema. Era, contudo, um sistema que libertava a psique e disciplinava o homem durante o aprendizado a fim de exercer sua vontade plenamente. Ela era orgânica, tanto que gerou gênios com ideias muito distintas. A educação prussiana é o contrário disso. Esta cria seres desprovidos de auto-consciência, prontos para obedecerem à voz de comando sem questionamento algum, apesar das vítimas adquirirem muito conhecimento no processo.

Então, os controladores do mundo criaram esta tecnologia que simula o processo prussiano de aprendizagem, aplicando-o a algoritmos e dados, batizando as ferramentas resultantes de agentes inteligentes. Agora já falam em consciência da máquina; uma aberração pagã que planificará o caminho para o advento da abominação da desolação no reino do anticristo.

A consciência só pode existir com a presença da vontade. Uma máquina pode criar qualquer coisa, melodias belas ou feias, quadros, fotos, "arte". Mas se você ordenar que ela escolha, por conta própria, uma dentre três melodias criadas, ela irá, no máximo, sortear alguma, ou rodar um algoritmo em tempo real, a fim de decidir, baseando-se em pesos pré-determinados, qual será escolhida. Ela jamais fará uma escolha por VONTADE.

O que nos distingue de todo o resto da criação é a VONTADE. Acreditar que um algoritmo possa adquirir vontade é um pecado hediondo, pois equivale usurpar o lugar de Deus, presumindo arrogantemente que se está conferindo livre arbítrio a um terceiro, coisa que ninguém é capaz de fazer.

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Discussion

Escreveu um artigo de epistemologia... O loco.

É bem verdade o que foi colocado. "Inteligência artificial" é bem diferente de "consciência" ou mesmo da "inteligência natural", pois estas dependem de um livre arbítrio e de uma vontade humana para se expressarem.

Não manjo destes assuntos. Uma inteligência artificial pode criar algo inovador sem uma programação prévia? Ela pode ir contra sua própria programação e inovar em algo que não foi previamente estabelecido?

É mesma coisa com o termo "realidade virtual" ou "realidade aumentada". Acho que são termos equivocados. São apenas modos de inserir elementos virtuais na mesma realidade de sempre. Por isso eu gosto do termo "realidade misturada" , que acho ser mais correto.

No paper sobre a psique, Olavo de Carvalho explica que existem 3 causas fundamentais: a causa física, o acaso e a causa lógica. Para além dessas 3 causas há a causa psíquica. Esta causa é uma decorrente da vontade operando sobre as 3 outras causas, e se adequando às limitações impostas. Quanto mais o indivíduo consegue se adaptar às limitações, evitando-as, transpassando-as e absrovendo-as, mais a sua psique se eleva e sua vontade se sobrepõe sobre as demais causas sem, contudo, gerar um quadro patológico. Não há como a IA replicar este processo, pois o processo da IA não inclui as causas psicológicas, e mesmo assim não envolve plenamente as outras 3 causas. Se uma IA gerar uma programação fora do escopo, o que estará operando será uma das 3 causas ou as 3, sendo delas, a mais proeminente, NESTE CASO, a terceira (o acaso). O acaso, porém, não é a ausência de causas, mas uma situações onde a quantidade de causas impossível de serem enumeradas. A redes neurais que compõe a IA são exatamente um exemplo disto. Estamos então sempre, em todos os sentido falando de DEUS, que é o fator determinate do "acaso", ou de um determinação programática prévia que se tornou inacessível dos originais programadores pelo processo do acaso. Portanto, a IA irá sempre obedecer à sua programação, ou a DEUS. Se obedece à sua programação, pelo acaso, ela não é inteligente no sentido que os cientistas teimam em afirmar, pois está obedecendo à vontade dos seus arquitetos, mesmo que eles não saibam identificar onde o erro está ocorrendo, em razão da infinidade de causas. Se ela sai do escopo completamente (o que é impossível de averiguar com absoluta certeza), ela está obedecendo à ordem do universo e não à sua própria vontade ou ao caos, pois este não existe e ela não foi criada por Deus.

Gosto de ver a IA como um gigante banco de dados, onde é possível obter toda e qualquer tipo de informação. Infelizmente não posso afirmar isso pela intervenção dos criadores na manipulação dos dados da IA, mas pra o básico, serve, não passa de mais uma ferramenta.

Imagine se existisse uma IA com os conteúdos da deepweb, ou se ela pudesse usar a rede Tor para pesquisas 😵‍💫