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pollyanna
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estamos todos tendo vislumbres do porvir e tentando fazer algo que alcance o inimaginável, mas nossa visão é turva, limitada e imatura.

tentamos realizar o impossível a partir do conhecido. não abrimos espaço de dúvida, não abraçamos o mistério, não ficamos no escuro.

enquanto continuarmos tentando encaixar o futuro naquilo que conhecemos, só reproduziremos mais do mesmo.

a boa notícia é que a vida é muito mais do que nós, e ela inclui o mistério, o escuro, o que não sabemos e atua com uma força imparável. e às vezes abrimos espaço para que ela nos guie.

Replying to Avatar SoupBox

I really think people need to process their childhood upbringings and understand how their partners were treated. For example, if your partner was neglected growing up then maybe extra attention and validating their thoughts makes them open up more to you. Or if you come from a home where you received enough attention, maybe that person is more independent and need breaks. I think we tend to push everyone in a box and not really understand why someone acts the way they do. Partners should have more conversations about how their childhood shaped them. Your environment helps condition you, and to be a good partner, you need to understand your partner, not just be a provider of what they say, but be a provider of their authentic personality. People can say they want this or that, but in truth, what is their default, and how could you elevate that relationship, together. You can't fix someone, and they can't accept anything unless they understand. It is a delicate balance of taking care of each other but also knowing each other's limits and goals. Some people are happy as is, some people like to learn and grow. If you can't have these deep, open talks about all levels of your personality, the relationship will fail. The relationships that succeed tend to have people be a perfect match on levels, they probably don't even understand, but it fits. If you explore it more, I would guarantee their puzzle pieces align a lot more than most.

https://youtu.be/Xlelr7EKodU

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I'm very interested in this, I'll try to come here later.

é estranho querer compartilhar algo tão íntimo, mas, ao mesmo tempo, tão humano, como a morte da minha mãe, que aconteceu há 18 dias, mas eu quero, então é isso.

eu tenho ensaiado vir aqui, mas não me parece adequado nunca. fico tentando antecipar as respostas ou o nada. fico tentando descobrir a coisa certa a dizer para que não vire só algo sobre mim e a minha vida tão simples que tem espaço inclusive pra morte.

eu escrevi coisas bonitas em outros dias. eu chorei em todos eles. eu choro agora enquanto escrevo porque eu sinto tanto. e sorrio também porque eu sinto tanto. tudo.

my kids don't go to school, and we are all introverts here. but I figured out ways to go outside and I discovered a place in our city that is a play house that kids go after school (most come from Waldorf). and I've been observing and studying and experiencing, in the deepest level I can, what is to relate to others. and the woman who started the place asked me to be her partner and now I also go there to take care of the kids and that's something I love to do, and being there with them, observing their conflicts and listening to them, I'm so confident that we don't need schools to relate to people genuinely - and actually I don't think schools are a place with any special skills to help with that.

but I still think schools can change and be great, but I guess we all need to change ourselves to create that. because I don't think the problem is jus the curriculum.

hoje eu caminhei na chuva. também sorri ao ver meus filhos correndo e dançando na chuva. agora, quentinha embaixo da coberta, eu agradeço por poder ter vivido isso, e desejo boa noite e bom dia a vocês.

mais um conto de 2020. eu achava que eram 18, mas foram 21. esse é o décimo sétimo

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A janela parecia a única coisa a ser vista no ônibus em movimento. Mas através dela se podia ver a paisagem que se esvaia em poucos segundos, deixando a impressão de que as coisas aparecem e reaparecem o tempo todo.

E não eram só as paisagens que o menino podia ver à sua frente. Seus pensamentos lhe traziam outras imagens de tudo o que já tinha vivido ao percorrer aquele caminho tantas vezes.

Pela primeira vez ele estava sozinho. Não havia mais ninguém no ônibus, com exceção do motorista que não parecia querer estar ali, com sua camisa abotoada de um jeito que deixava o lado direito mais curto.

O menino abriu um livro em uma página aleatória porque já o conhecia de cor e queria criar uma nova história. Quando olhou, no meio da página apareceu a figura de um girassol.

Aquela imagem nunca estivera ali, ele tinha certeza. Tocou a figura para ver se alguém a tinha colocado e sentiu uma textura inesperada. Em seus dedos ficaram resquícios daquilo que tocara. Um pó. Ele se perguntou se poderia ser pólen. Não importava muito. Olhou para a ponta de seu dedo indicador e viu um grão com muita nitidez. Talvez nunca tivesse visto algo com tanta clareza.

No mesmo instante o menino foi sugado para dentro do grão que caiu novamente dentro do livro. O menino estava preso em sua história favorita, entre palavras, páginas e um girassol que misteriosamente surgira. Ele tentava percorrer aquelas páginas com a esperança de conseguir sair - em vão.

Chegou pela décima vez na página do girassol e lá resolveu se recostar. Deitou bem em cima da flor e foi como se alguém o embalasse. Entrou em um sono profundo.

Despertou de súbito quando sua cabeça bateu na janela de vidro e se assustou. O ônibus acabara de fazer sua última parada. Ele precisava descer.

Procurou o livro, mas não o encontrou em parte alguma. Perguntou ao motorista, que lhe pareceu tão perdido que nem importava a resposta. O menino deu uma última olhada e desceu.

Sentou-se no chão da calçada para procurar em sua bolsa. O livro desaparecera.

Era como se o ar não pudesse completar todo o percurso em seu corpo. Algo lhe parecia faltar e era importante.

Sentiu aquilo tudo com intensidade, até que viu, do outro lado da rua, um girassol. Se lembrou de tudo o que ocorrera naquele dia e sentiu um alívio como se estivesse novamente inteiro. Ele sabia: o livro tornou-se desnecessário. Já estava integrado em si.

maybe it's your turn to look in the mirror

but also:

mais um conto de 2020

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Uma pedra em um morro gramado do lado direito da estrada lhe chamara atenção. A mulher com um vestido longo e cheio de babados na ponta tirou seus sapatos, colocou os pés na grama e subiu o morro até se recostar na pedra.

Ela deixou os sapatos marrons dispostos ao seu lado e ficou observando a estrada e um monte do outro lado. Lá ela avistou uma árvore com o tronco fino e galhos com poucas folhas nas pontas. Seu olhar parou um pouco para contemplar aquela vista.

O vento soprava forte e a árvore se movia como se dançasse com seus muitos braços magros. A mulher sentiu a dança e começou a mover seus braços também, não tão magros, mas também quase desnudos.

Até que ela viu alguém na estrada. Ficou quieta porque não queria ser vista. A pessoa lá na estrada foi se aproximando do ponto em que ela parou antes de subir e, ela percebeu, é um homem. Ele não a viu, na verdade nem olhou para o lado direito da estrada, apenas avistou o lado esquerdo.

Ele tirou seus sapatos, subiu o morro e se recostou na árvore fina, mas firme, e colocou seu calçado preto ao seu lado.

A mulher continuou olhando para ele imóvel, até que ele levantou a cabeça e a viu. Sem premeditar, ele fitou diretamente seus olhos verdes do outro lado da estrada. Ela queria, mas não conseguiu desviar o olhar.

Os dois se olharam por alguns minutos até que um deles se moveu. Não se sabe qual porque em poucos segundos o outro se movimentou também.

A mulher se levantou com delicadeza e elegância. O homem também. Eles carregaram seus sapatos em suas mãos e não os colocaram nos pés quando tocaram de novo a estrada.

A lua nova começava a apontar no céu. Os dois foram se aproximando do centro da estrada. Quando se encontraram, o vento soprou forte lhes convidando para uma dança. Eles dançaram até que a lua parecia estar bem acima deles.

Nesse momento os dois se olharam novamente e sorriram. A mulher com os sapatos pretos seguiu para uma direção da estrada e o homem com os sapatos marrons foi para a outra.

how did you feel when you woke up? it seems to me that you are being able to embrace your own "mistakes" (or the way society asks you to do things made differently). maybe a part of you that you expected to be judgemental (were you expecting this from the queen?) is loving and caring and being helpful. and eating maybe means something you lived and now you are elaborating.

did you just lived something and it seems different from what was socially expected, but somehow you could embrace yourself and saw a way to make it acceptable elsewhere?

hahaha maybe it's not the way. I would prefer to ask you other questions, but I'll send you this.

o que estamos fazendo agora sempre parece simples demais para o que nos espera a seguir.

varrer o chão empoeirado da casa parece só algo que se faz para se ter um lugar limpo, e tudo o que vem depois é que é importante.

varrer o chão, apenas, não pode nunca ser o mais importante. o mais importante nos aguarda depois ou nos pensamentos que nos ocorrem enquanto varremos o chão.

varrer o chão com o corpo inteiro só pode ser desperdício de um corpo tão cheio de outras possibilidades.

varrer um chão, não como quem pinta um quadro, não como quem escreve um livro inspirador, não como quem faz qualquer coisa que não seja varrer o chão. varrer o chão, apenas.

quem terá essa ousadia?

mais um conto de 2020. :)

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Um coelho branco caminhava devagar por uma trilha no meio da floresta. Parecia despreocupado. Depois de andar um pouco, olhou para seu lado esquerdo e viu muitas frutinhas vermelhas em um arbusto que pareciam convidá-lo para que as colhesse.

O coelho hesitou por poucos segundos, mas pegou algumas frutas e as colocou em um bolso que acabara de improvisar com seus próprios pêlos.

Mais adiante, o coelho viu um arbusto em seu lado direito, cheio de frutinhas amarelas. Elas também pareciam chamá-lo, como se estivessem prontas para uma nova vida em outros corpos.

O coelho as pegou com delicadeza, uma a uma, até que percebeu ter coletado o suficiente para caber em seu outro bolso feito naquele instante em seu próprio pêlo.

O coelho seguiu caminhando mais um pouco e adentrou a mata. Poucos metros à frente se encontrou com um pássaro que estava no chão e parecia faminto. O coelho logo se lembrou das frutinhas e deu-lhe três das vermelhas. O passarinho as pegou e, de súbito, voou.

Ele continuou trilhando seu caminho quando um ratinho parou em sua frente. Ele estava com os pêlos arrepiados, bem magro e seus olhos de pedinte fizeram com que o coelho imediatamente pegasse o restante das frutinhas vermelhas para lhe entregar.

No mesmo instante, o passarinho com quem acabara de se encontrar sobrevoou os dois. O rato quis se esconder, como se os dois já tivessem se visto antes e tivessem se estranhado.

Mas o pássaro não fez nada com ele naquela hora, apenas voou e pousou em uma árvore lá perto. O coelho olhou para um e para o outro e viu que estavam ambos tranquilos. O rato acabara de comer as frutinhas e não havia mais resquícios do que quer que tenha se passado entre os dois.

O coelho seguiu feliz e uma borboleta com a asa machucada pousou em seu nariz. Ele olhou dentro de seus olhos e, de repente, não era mais coelho. Agora tinha asas, era pequeno e colorido, e uma beleza sem fim. Transformou-se em borboleta. O coelho sentiu-se aprisionado, estranho, entristeceu-se.

Mas logo lá do alto ele avistou o ratinho novamente, parecendo estar caçando algo no chão. De repente, viu o pássaro lhe dando bicadas e quis interferir. Mas ele era apenas uma borboleta, pensou, ninguém o ouviria.

Foi então que viu um pequeno pássaro no chão e percebeu que era ele que os dois bichos estavam procurando.

O coelho-borboleta pousou em cima do pequeno pássaro e ficou com as asas abertas para protegê-lo. O rato, que estava correndo, deu uma patada em sua asa e a machucou. O coelho-borboleta procurou, mas o pássaro maior tinha sumido.

Antes que o ratinho fizesse qualquer outro movimento, os três ouviram um animal se aproximar. O rato correu para ver o que era. O animal era o coelho. Ele se aproximou do ratinho e logo lhe entregou as frutinhas.

Pouco antes do encontro entre o rato e o coelho, o passarinho se aproximou, carregou seu filhote e passou por cima do ratinho e do coelho.

O coelho-borboleta, sem entender nada, seguiu o coelho e pousou em seu nariz. Imediatamente o coelho voltou a si.

Tendo vivido aquele estranho momento, olhou de novo para a borboleta e suas asas estavam perfeitas novamente.

Ele não sabia o que fazer, apenas sentiu gratidão. Decidiu seguir. Adentrou sua toca e lá estavam seus filhos, sua companheira, o rato, o pássaro e a borboleta. Os três tinham levado comida conforme suas possibilidades. Ele juntou as frutinhas amarelas e todos comeram em celebração.