há muitas formas de demonstrar vulnerabilidade.
pra mim é muito confortável falar sobre minhas emoções e o que elaboro a partir delas. pra outras pessoas isso é um ato de vulnerabilidade. me colocar vulnerável é falar do que penso que sei, é arriscar dizer algo que aprendi, é falar de um assunto ou ideia que tive sem ninguém ter me perguntado.
de todo modo, o que eu queria dizer é que a vulnerabilidade, de qualquer modo, me inspira.
em que tipo de ação você se sente vulnerável? e quando foi a última vez que você arriscou viver isso?
talvez este post. como assim? esclarecer sobre você mesmo?
this is such a beautiful story! ❤️ thank you for sharing.
maybe your biggest struggle is to see other people suffering and not being able to understand why and not being able to change that. and that's really hard, because it's something we can't control.
do you see you are struggling too? what you feel is also important. I can't find the words to say what I want, but I'm sending you a hug.
eu muitas vezes sinto minha fala meio deslocada dos acontecimentos. não em conversas com as pessoas, embora eu normalmente observe bem mais o que a pessoa sente do que o que ela diz.
mas aqui, por exemplo. eu acho esquisito eu falar de algo que vivi enquanto as pessoas estão falando de outras coisas que parecem ter mais relação entre si do que qualquer coisa que eu diga.
acho que eu tenho mesmo essa sensação de estar meio deslocada da vida, e que a expressão que surge dos meus desejos não compõe, não agrega, não nutre ninguém.
mas eu tenho achado cada vez mais brechas pra ser eu e me expressar e ver que eu não estou separada como nesses momentos insisto em acreditar.
ontem eu fui ao velório de um pai. era o pai do pai da minha cunhada. era um velório de alguém que viveu muitos anos e estava, por mais que doesse, entregue. tinha tristeza, mas era uma tristeza calma.
na sala ao lado, apareceram pessoas com camisas iguais, com a foto de um homem e a data de nascimento, dois anos mais novo que eu, e a data da morte. as pessoas não estavam tranqüilas. tinha sido uma morte inesperada, dolorida. eu queria abracá-los, me lembrei da morte do meu pai quando eu tinha 17 anos e foi mesmo dilacerante na época.
pouco antes eu tinha visto que alguém (eu sei quem, mas fico sem jeito de marcar a pessoa nesse post enorme) tinha comentado na nota que escrevi falando da morte do meu pai há alguns dias. mas nem tinha associado a nada.
na hora do enterro começou a tocar uma música e a letra trazia um filho conversando com o pai. e, nessa hora, eu, que fico questionando os papéis e nomes das coisas toda hora, senti a potência de ter esse nome para dizer da relação entre o ser que também nos deu a vida e tem uma força na nossa história independente do que vivemos juntos.
e eu fiquei chorando e sentindo o que chegava, querendo estar mais presente com a família, com minha cunhada e com meu irmão, mas fiquei mais distante, ao lado da minha irmã, vivendo ali o mistério dos encontros. com a mente mais agitada do que eu gostaria, dando menos abraços do que eu gostaria, mas contemplando a morte do pai, dos pais.
e meu vontade de compartilhar isso aqui. porque as interações aqui também levaram sentido e me ajudaram a integrar e sentir lá.
ah, poxa! obrigada mesmo.
eu ia escrever no final dela (na verdade escrevi e apaguei) que você podia me falar se estivesse chata essa falação minha. que eu mesma estava me achando chata já.
fiquei bem feliz de ouvir sua experiência também. :)
eu que te agradeço!
também adoro falar sobre sonhos e ouvir sonhos dos outros e fazer perguntas sobre os sonhos pra ir investigando os significados.
também vivo isso com meus sonhos. eu tinha muitos pesadelos, até que eu percebi que tudo o que eu via nos sonhos era eu - e comecei a ver de verdade que eu sentia coisas que eu não queria ou achava errado sentir, tipo raiva, inveja e tantas coisas. aí comecei a observar o que eram essas coisas e ficou mais fácil acolher e me deixar sentir. e aí eu não tive mais pesadelos, só sombras que ficavam mais claras nos sonhos.
me trouxe algo pra meditar aqui. acho que é desafiador pensar no encerramento de algo, pra mim. sempre vejo camadas e mais camadas nas coisas. mas tem sempre pequenos encerramentos em tudo, a cada instante, né? "encerramento de algo" é bonito porque tem um mistério aí. porque não se tenta saber exatamente o que se encerra, mas tem o reconhecimento de uma transformação.
(eu tenho dificuldade de finalizar coisas)
nossa, não tinha pensado sob essa perspectiva. tem muitas perspectivas sobre a morte, né, pra mim ela segue no campo do mistério, mas ainda assim penso que não existe tarde demais. talvez para a perspectiva humana, né, de algo que poderia ser feito e não foi, do jeito que se imaginava. mas é que isso é uma ilusão, porque nunca nada é exatamente como imaginamos, mesmo quando fazemos o que planejamos.
ah, eu queria passar o dia escrevendo sobre essas coisas.
hahaha acho que nunca é tarde demais pra ver a verdade. talvez, quando uma verdade traz consigo o inferno, é porque ainda tem alguma resistência à verdade. pode ser que a verdade só tenha sido percebida racionalmente e não vivida de corpo inteiro com emoções e tudo o que ela traz...
foi bom fazer esse percurso, obrigada!
quando a gente se abre pra isso que acontece entre as relações, os entendimentos diferentes ampliam a nossa perspectiva. se não ampliarem a nossa percepção sobre o assunto em si, trazem pistas do nosso modo de nos relacionarmos com o assunto. será que estamos falando algo que realmente vivemos na prática? será que o outro aponta para as nossas próprias lacunas? e nada disso é doloroso se estamos nesse espaço aberto. é apenas movimento.
eu acho que falo de um jeito muito abstrato, mas em todas as nossas interações aqui eu senti uma ampliação e uma tentativa de me trazer mais pra concretude das coisas. e eu realmente tenho uma tendência a ficar mergulhada em mim, mas isso não é a experiência desse espaço entre as relações, mas uma tentativa de capturar a minha própria singularidade, de ter total domínio sobre quem eu sou.
a singularidade das experiências me encanta. e poderia ser algo muito solitário, e eu acho que a gente tem muito medo disso - e talvez por isso também não se abra pra expressar a singularidade mais profundamente, mas é o que também torna a complementariedade e a riqueza de experiências possível.
mas você falou disso pelo que eu trouxe sobre esse espaço entre as relações? parece que eu estou sugerindo o fim das singularidades? me fala mais?
outro dia ficou mais claro pra mim o que é criar uma fala em um encontro. eu tive a experiência do que acontece entre uma pessoa e outra.
geralmente conversamos com alguém partindo das nossas percepções sobre a pessoa e das nossas próprias crenças e fixações sobre nós mesmos, e sobre temas diversos que nos acompanham.
quando nos soltamos disso tudo, com a clareza de a verdade nunca se perde, podemos encontrar esse espaço entre nós, que conversa também com o mistério e toda a abertura que existe em cada um de nós. e nos surpreendemos com o que surge da fala e com a nossa transformação.
temos medo demais de nos vermos outros. queremos a todo custo saber quem somos. e talvez seja isso o mais difícil em todas as conversas e tentativas de criar qualquer coisa.
when I see people and I don't feel like they are deeply embracing life, I remember to be here and listen to more than they are saying. but this can also be an external truth that I just believe and act accordingly - cause I don't think I'm that different from people who are not aware of what they preach, so I can just observe each moment. thank you for your words. I'm sorry if what I said was too confusing.
eu costumo derrubar as coisas com alguma freqüência. é tão comum que eu nem reparava. mas, este ano, depois de 8 anos morando juntos, meu marido começou a falar que toda hora que olha pra mim eu derrubo alguma coisa. e eu sei lá se é toda vez mesmo, mas agora sempre que eu derrubo algo ele me pede desculpas por ter olhado pra mim. eu fico achando graça, mas essa fala dele acaba provocando mais o meu aspecto desastrado e eu me vejo derrubando cada vez mais coisas.
eu queria ter conseguido contar essa história de um jeito mais legal. talvez, se ele aparecesse aqui e eu derrubasse o celular no meu rosto e apertasse várias teclas sem querer, desse pra quem lê achar tão engraçado quanto eu quando ele fala essas coisas.


