Aparentemente, a Doutrina Social da Igreja e o liberalismo econômico não são conciliáveis:
Trechos da carta encíclica Quadragesimo Anno:
"Ora a livre concorrência, ainda que dentro de certos limites é justa e vantajosa, não pode de modo nenhum servir de norma reguladora à vida económica. Aí estão a comprová-lo os factos desde que se puseram em prática as teorias de espírito individualista. Urge por tanto sujeitar e subordinar de novo a economia a um princípio directivo, que seja seguro e eficaz. A prepotência económica, que sucedeu à livre concorrência não o pode ser; tanto mais que, indómita e violenta por natureza, precisa, para ser útil a humanidade, de ser energicamente enfreada e governada com prudência; ora não pode enfrear-se nem governar-se a si mesma. Força é portanto recorrer a princípios mais nobres e elevados : à justiça e caridade sociais."
"Este despotismo torna-se intolerável naqueles que, tendo nas suas mãos o dinheiro, são também senhores absolutos do crédito e por isso dispõem do sangue de que vive toda a economia, e manipulam de tal maneira a alma da mesma, que não pode respirar sem sua licença. Este acumular de poderio e recursos, nota característica da economia actual, é consequência lógica da concorrência desenfreada, à qual só podem sobreviver os mais fortes, isto é, ordinariamente os mais violentos competidores e que menos sofrem de escrúpulos de consciência."
"[...] a livre concorrência matou-se a si própria; à liberdade do mercado sucedeu o predomínio económico; à avidez do lucro seguiu-se a desenfreada ambição de predomínio; toda a economia se tornou horrendamente dura, cruel, atroz."
"Para evitar o escolho quer do individualismo quer do socialismo, ter-se-á em conta o duplo carácter individual e social tanto do capital ou propriedade, como do trabalho. As relações mútuas de um com o outro devem ser reguladas segundo as leis de uma rigorosa justiça comutativa, apoiada na caridade cristã. A livre concorrência contida dentro de justos e razoáveis limites e mais ainda o poderio económico devem estar efectivamente sujeitos à autoridade pública, em tudo o que é da sua alçada"
Trecho da carta encíclica Quanta Cura:
"De fato, Veneráveis Irmãos, vocês sabem muito bem que neste tempo não são poucos os que, aplicando à sociedade civil o princípio ímpio e absurdo do naturalismo (como eles o chamam), ousam ensinar que " a melhor natureza da sociedade pública e do progresso civil exigem que a sociedade humana seja constituída e governada sem qualquer consideração pela religião, como se ela não existisse ou, pelo menos, sem fazer qualquer distinção entre religiões verdadeiras e falsas ". Contrariamente à doutrina das Sagradas Letras da Igreja e dos Santos Padres, eles não hesitam em afirmar que " a melhor condição da sociedade é aquela em que ao Império não é reconhecido o dever de reprimir com penas estabelecidas os violadores da religião católica, exceto na medida em que a paz pública o exigir ". Com esta ideia absolutamente falsa de governo social, eles não temem defender a opinião, extremamente prejudicial à Igreja Católica e à salvação das almas, que Nosso Predecessor Gregório XVI, de venerada memória, chamou de delírio [Eadem Encycl. Mirari ], ou seja, que " a liberdade de consciência e de culto é um direito próprio de todo homem, que deve ser proclamado e estabelecido por lei em toda sociedade bem organizada, e que os cidadãos têm direito à liberdade completa, que não deve ser restringida por nenhuma autoridade eclesiástica ou civil, em virtude da qual podem manifestar e declarar aberta e publicamente suas ideias, quaisquer que sejam, seja por meio da fala, da impressão ou de qualquer outra forma "."
Trechos do Syllabus Errorum:
"X - Erros que se referem ao liberalismo atual (proposições condenadas)
LXXVII. Em nossa época, não é mais apropriado que a religião católica seja considerada a única religião do Estado, excluindo todos os outros cultos, quaisquer que sejam.
[...]
LXXIX. É absolutamente falso que a liberdade civil de qualquer religião, e similarmente a ampla faculdade concedida a todos de manifestar qualquer opinião e qualquer pensamento aberta e publicamente, levem à corrupção mais fácil dos costumes e das mentes do povo e à disseminação da praga do indiferentismo."
Trecho da carta encíclica Rerum Novarum:
"Sempre que o interesse geral ou qualquer classe particular sofre, ou é ameaçado por dano que não pode de outra forma ser atendido ou evitado, a autoridade pública deve intervir para lidar com isso"