Não gosto do primeiro também. Mas o segundo é 'Cinema' ! . Assisti no Cinema em 2017 e gostei logo de cara, por ser mais Filosófico. Só anos depois que Blade Runner 2049 virou "cult" com direito a grupos no Facebook.
A questão nos dois filmes é: Androids, no caso, Replicantes, podem ser considerados mais humanos que humanos?
No primeiro filme é um questionamento, mostrado no discurso: Tudo o que eu vi até agora sumirá "como lágrimas na chuva".
No segundo é uma provocação, ao mostrar um Android que tem uma namorada virtual, que mesmo tendo sido fabricado sonha em ser especial (alusão a Pinocchio), que procura ser o melhor no seu trabalho, mesmo "não tendo uma alma" como diz sua chefe e que no final se sacrifica para que um pai reveja sua filha.
Além da questão do Navio de Teseu, também traz referências ao futuro da humanidade, já que Philip K. Dick era Gnóstico e acredita que estamos vivendo em uma simulação de computador, sendo impossível para humanos perceber o Real (Solipsismo).
Essa provocação que vc mencionou no 2049 na hora eu relacionei com o filme Lunar, de 2009. Acho que por este motivo não achei 2049 fora do normal.
Acredito que a base filosófica não é a mesma.
Nos dois Blade Runners, os Androids são criados por uma Mega Corporação para realizarem trabalho braçal na Lua. Tanto que Replicantes são proibidos de viverem na Terra, por isso são caçados e eliminados pelos Blade Runners. Só que Androids possuem vantagens físicas comparados a humanos, então tiveram que produzir Androids para o departamento de polícia que tinham condições de caçar e eliminar os Androids que fugiam da Lua. Mas fica subtendido que a Mega Corporação sabe que um Blade Runner pode se recusar a eliminar alguém de sua própria espécie. Por isso todos eles possuem uma data de validade. Mas o conflito permanece porque um deles sobrevive mais do que o esperado (Deckard) e ainda mete um boneco em uma replicante fêmea. Aí em 2049 a Dr lá mau sabe que é filha de 2 replicantes. Daí voltamos ao Navio de Teseu. Ela é humana ou não é?
Em Lunar, a Mega Corporação cria vários clones de apenas um Astronauta para que o trabalho na Lua seja realizado com sucesso, por anos e com menor custo.
Mas não esperavam que um deles escaparia e voltaria para a Terra. Não há conflito aqui. Porque se você sabe que é você, e sabe que um outro de você não é você, mesmo que seja uma cópia genética sua, você não entra em parafuso.
Lunar bebe da mesma fonte de O Sexto Dia (2000). Onde os clones do personagem do Arnold Schwarzenegger entendem que são clones e entendem que se acham os originais por causa das memórias implantadas do original. Mas a partir do momento que eles tomam decisões por eles mesmos e resolvem ter experiências próprias eles agem segundo suas próprias identidades e perosnalidades. O fato de serem clones já não tem relevância. Por isso não há conflito.
Poxa, não me recordava de tantos detalhes destes filmes. A impressão que permaneceu destes filmes é que os personagens sempre se rebelam ou ficam transtornados quando percebem que são seres criados por meios não naturais e com memórias implantadas, além do dilema ético e filosófico. E nem falo do sexto dia, pois só me recordo vagamente.
Notei que vc posta bastante conteúdo de cultura pop aqui. Quase não vejo perfis assim. Isso é interesse pessoal ou vc produz conteúdo para mídia social?
Algumas análises eu só escrevo aqui, já que parei de usar o Facebook. Tanto que os artigos que posto no Yakihonne, muitos deles são sobre filmes, e tem alguns artigos sobre séries no meu blog do Medium.
Eu entendo que filmes são abstrações. Eles são feitos para você ir ao cinema depois de um dia cansativo. São entretenimento em tela grande.
Mas alguns filmes são mais do que isso, como: Matrix (1999) e Clube da Luta (1999). Eles possuem uma mensagem que você não consegue ignorar.
Vc devia escrever para site, perfil ou abrir um próprio.
Vc usa o letterboxd?
As resenhas que vc faz são curtas e diretas, porém não são rasas. Parece com as do rogerebert.com Sem gracinhas e honestas.
Sinto falta deste tipo de texto. Quando procuro por alguma resenha atual, sempre cai em vídeo de 20 minutos cheios de nerdices e enrolacões ou em tratados filosóficos chatos (porém o Olavo escreveu uma resenha grande e sensacional sobre O Silêncio dos Inocentes, vale muito a pena ler)
Tentei usar Letterboxd mas não me acostumei.
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Acho a questão de "é ou não é humano" muito fraca, pois para todas as finalidades não é a humanidade a questão, mas sim a consciência autônoma.
Todos os androides mais mais desenvolvidos em Blade Runner se mostraram tendo consciência e realmente deviam ter direitos, independente do que eram feitos.
O primeiro filme foca demais em se "parece ou não com uma pessoa", em frases de efeito, em tentar confundir e até sensibilizar, mas não fala nada sobre consciência.
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