Por que o próprio agente não executa o ato?

Claro, porque ele prefere perder o dinheiro do que correr o risco de perder muito mais.

Mas qual é a alternativa para os mendigos? Continuar passando fome.

Daí, o agente estaria aproveitando a vulnerabilidade dos mendigos para usá-los como meio, como instrumento, enquanto ele mesmo não sofreria as consequências. Então haveria uma assimetria de risco entre o agente e o executor: quem decide o ato terceiriza o perigo.

Então são dois agravantes: Instrumentalização de pessoas vulneráveis e grave risco desproporcional. Consentimento não elimina nenhum dos dois.

E mesmo sendo totalmente sentimental: se eu pagasse alguém pra fazer algo que eu sei que é arriscado - especialmente uma pessoa vulnerável - e ao fazê-lo, essa pessoa morre ou sofre algum trauma, eu me sentiria mal depois.

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"Instrumentalização de pessoas vulneráveis e grave risco desproporcional" Qual seria a diferença disso pra um outro trabalho de alto risco qualquer?

Seguindo por esse pensamento, seria errado contratar pessoas em situações de rua para fazer um serviço pra minha pessoa como pintar um muro alto ou algum serviço elétrico?

Boa observação.

Acredito que podemos colocar assim:

Para executar o trabalho, a competência é requerida, para depredar, não.

Depredação é ilegal, trabalho é legal.

E o principal: para aceitar depredar em troca de dinheiro e comida, a vulnerabilidade se faz condição necessária. Para aceitar o trabalho, diferentes pessoas de diferentes condições poderiam aceitar.

Quais são as chances de uma pessoa em condições normais (renda, comida, casa), aceitar depredar radares por aí?

Como colocar isso de forma rigorosa a diferentes situações/contextos? Eu não sei.

Mesmo assim, é claro que depredação e trabalho são ações de naturezas distintas.

Só observando que em minha atual concepção e de não realizar o ato. Daqui em diante é apenas exercício mental:

Realmente concordo que depedrar não necessita de especialidade competente. Contudo, a depedração que você diz seria considerada ilegal da mesma forma que destruir campos de trabalhos na antiga URSS. Ambos estão agindo contra a lei destruindo/vandalizando patrimônio público em troca de mais liberdade.

"Para aceitar depedrar em troca de dinheiro e comida a vulnerabilidade se faz necessária". Não concordo, mas concordo que o preço do trabalho delas seriam mais acessível.

Nesse caso, é preciso demonstrar que radares de trânsito sejam moralmente equiparáveis a campos de trabalho forçado.

E que pessoas não vulneráveis, nas condições que citei, aceitariam a depredação, de modo que a situação não seja um fator decisivo do acordo.

A pergunta principal é “é ilegal segundo que lei?” Veja se é segundo a lei máxima, a lei natural.

Creio que fornecer equipamentos que a impedissem de danos e recompensas dignas aos riscos e possíveis perdas.

Essa linha argumentativa da exploração eu acho equivocada.

Os mendigos não estarão em melhor situação pela ausência de opção de executar uma atividade arriscada.

As crianças vietnamitas não estarão em melhor situação pela ausência de opção de fabricar roupas.

Obviamente, é indesejável que tais pessoas estejam nessa condição de vulnerabilidade, mas limitar o campo de ação delas não ajuda.

Sobre preferir a perda financeira, subscrevo o argumento do Dusk.

Espere, estamos analisando a moralidade, não a utilidade.

A moral não se define pela utilidade. Ao menos não pra mim. Tanto é que a descrição que eu apresentei é oposta ao utilitarismo.

As coisas sempre se perdem nesses debates.

Primeiro, o objeto do ato: vandalismo/depredação e apropriação de bens públicos.

Segundo, intenção do agente: diminuir a vigilância e a coerção.

Terceiro, circunstâncias: abuso estatal, benefício imediato aos moradores de rua, envolvimento de pessoas vulneráveis, ilegalidade da ação e risco de punições aos envolvidos.

Se ignoramos o objeto do ato, caímos no intencionalismo (o que vale é a intenção) ou consequencialismo (os fins justificam os meios);

se ignoramos a intenção e o objeto, caímos no legalismo (se é legal, é moral; se é ilegal, é imoral) ou no contextualismo (não têm atos intrinsecamente maus, depende do contexto);

se ignoramos as circunstâncias, caímos no rigorismo.

O primeiro já apresenta alguns problemas que são agravados pelo terceiro.

Nao acho que me perdi não.

Vc argumentou 2 problemas: o ato em si, que seria a depredação e a "exploração" do labor dos vulneráveis.

Quanto ao primeiro, argumentei que não entendo ser problemático pq é como destruir correntes de escravagistas. Que isto seja ilegal é irrelevante, pois moralidade e legalidade são 2 eixos cartesianos.

Quanto ao segundo, estou defendendo que a imoralidade encontra-se na situação em que a pessoa vive, e não em que seu labor seja livremente negociado. Eu já vendi hora para fazer coisa bastante perigosa, em locais insalubres, e hoje vejo que isso muito me ajudou, embora pudesse ter morrido.

Negar ao vulnerável a oportunidade de vender seu trabalho torna a "adoção" do infeliz a única forma de auxílio, não? Ele só sairia dessa por caridade.

É claro, ele está em situação de desvantagem para negociar. Mas alguém se pergunta, ao comprar ações na bolsa, as circunstâncias de quem esta vendendo com prejuízo? E, se o fizesse, e não comprasse, estaria o vendedor em melhor situação?

As trocas não devem ser proibidas, eu não disse isso, mas depredação não é trabalho, mesmo que seja uma depredação justa como legítima defesa ou resistência à tirania.

Mesmo assim, estamos avaliando a moralidade do ato em si, não os seus efeitos posteriores. Acredito que haja divergência metodológica aqui.