Charcuteria é a arte ou técnica de preparar e preservar carnes, uma prática simples que você poder proteína pra muito tempo, com pouco espaço e poucos recursos.

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Por mais de dez mil anos, a humanidade inventou jeitos de preservar comida para não morrer de fome. A charcutaria nasceu assim: salgar, curar e defumar carne era questão de sobrevivência.

Até a década de 1980, ainda havia gente passando fome por falta de comida. Hoje, isso mudou: produzimos mais do que o suficiente e a fome só aparece em casos extremos, como guerras, desastres ou crises criadas por governos corruptos e ineficientes – e mesmo assim por pouco tempo.

Agora o desafio não é mais ter calorias para todos, e sim melhorar a qualidade delas. A charcutaria, que antes era só um jeito de conservar carne, virou uma arte gastronômica, prova de como transformamos necessidade em cultura e prazer. Muitos países que antes sofriam com a fome hoje lidam até com a obesidade.

É incrível viver num mundo onde preservar comida deixou de ser questão de sobrevivência e virou uma escolha.

Eu AMO viver no futuro.

Não exatamente, o sabor sempre foi um fator considerado, se não tudo teria sido só mergulhado em vinagre ou conserva, charcutaria não era pensada pra classe baixa.

Acredito que era uma prática para todas as classes sociais.

Rapaz, mesmo hoje em dia eu não conheço muita gente que coma salame com frequência

hj em dia vc tem acesso a carne fresca barata. Mas veja a tradição portuguesa da feijoada... Quando não se tinha a carne fresca, se comia carne salgada e as "charcuteries" (paio, calabresa, linguiças toscanas, etc).

As carnes secas são mais caras do que as frescas (exceto corte nobres), isso numa época industrial, imagina antigamente. Charcutaria barata é só de subproduto, que inclusive faz esses subprodutos infinitas vezes mais tragáveis do que seriam frescos, e que as pessoas só comprariam frescos se estivessem morrendo de fome.

sim, porque a carne fresca só era acessível a quem mora perto de quem produz, nos períodos próprios de produção. No resto do ano (inverno das regiões temperadas), você tem de comer carne conservada de alguma forma, seja seca, salgada, defumada, embutida, etc. E quem mora longe dos locais de produção também só tinha acesso a carne processada. Por isso os portugueses comem muito bacalhau e sardinha. A conserva da sardinha e a salga do bacalhau são feitos ainda em alto mar, os navios já chegam em terra com os peixes "conservados".

Hoje em dia é muito fácil vc transportar num vagão ou caminhão frigorífico algumas toneladas de carne fresca por milhares de quilômetros. A 500 anos atrás, o transporte era praticamente impossível por distâncias longas (no máximo 40km por dia). O animal precisava ser transportado vivo e abatido "in loco", e consumido quase imediatamente.

Sim, era inviável, mas esse processo já encarecia o produto em comparação à aqueles que tinha acesso ao fresco (havia lojas de caçadores também).

Charcutaria era uma gourmetização mesmo que necessária.

Mas linguiça de paio, ou calabresa sim, bacon tbm. Esse é o meu ponto, até hoje a charcutaria como consumo existe, mas na sua grande maioria presunto pata negra não é e nunca foi pra todos.

quando eu era "pobre", uma das poucas proteínas que comíamos era linguiça de frango. Não era defumada, mas era charcutaria mesmo assim. (comíamos a de frango porque mesmo sendo pobres, minha mãe ainda tentava cuidar da saúde da família).

Sua mãe que fazia?

quem era. minha mãe não entendia nada de cozinha. Pra ficar tragável tinha de ser eu ou meu irmão cozinhando.

Eu só sei fazer churrasco ou hambúrguer, mas um arroz e feijão é comigo.

Eu vi um cara fazendo um presunto de parma, 🤤 só que ele usou o método do presunto pata negra, tbm aprendi que o pata negra é patenteado, igual ao champanhe 🥂, mas do ponto de vista preper, poder conservar carne 🍖 sem geladeira é muito importante.

Eu sou fascinado por esse tipo de conserva.