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pollyanna
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you can just notice things

two beautiful friends I never met in person sent me these flowers on my birthday last week ♥️

I took this picture to show the one that opened days later.

não achei rude. e eu acho que ninguém é rude sem que tenha sentido algum desconforto, então é sempre compreensível também. obrigada por dizer do seu constrangimento. eu também fico incomodada de falar muito de mim e prefiro ouvir, normalmente. então também entendo perfeitamente.

só queria te sugerir uma coisa: vê se alguma beleza te espanta pelo caminho, pela janela, ao redor da sua casa e conta aqui? pode ser por foto, por texto... não precisa aceitar a sugestão, tá? mas fiquei curiosa pra saber se dá pra ver algo além. às vezes o nosso olhar se acostuma tanto com algo, principalmente se a gente desde criança vê a mesma coisa e sente certo desconforto com o que vê. acho que a gente acaba não querendo olhar demais, né? mas vê se te toca essa sugestão.

eu acho que você estava me dando tchau, mas vou perguntar mais uma coisa: feio como? não tem uma árvore, uma plantinha, não passam passarinhos, não dá pra ver o céu?

sabe que eu estava justamente conversando sobre isso com uma amiga? eu tive o privilégio de ter sempre belezas ao olhar pela janela. mas ver tanta beleza me doía um pouco porque eu queria que fosse compartilhada com todo mundo. uma fala da minha amiga, dizendo que o que eu vejo pela janela é algo que todo mundo pode acessar - e é verdade mesmo, eu só não tinha me dado conta, me ajudou a aceitar olhar pra beleza e receber essa dádiva. eu olhei pela janela e me deixei ser tocada pela vista. me arrepiei com a beleza, depois de 3 anos morando aqui.

eu sentia como obrigação saber das coisas também, nunca perguntava nada na escola e precisava descobrir sozinha. também sentia como obrigação tirar as melhores notas da sala, mesmo sem me esforçar muito. tinha uma obrigação de fazer as coisas certas e tinha que saber sozinha, ou eu não seria boa de verdade. mas eu lembro de me sentir burra nas coisas da vida e anunciar isso na escola. acho também que a escola contribui muito pra nossa sensação de burrice.

mas quanto às crianças, eu as observo desde criança e sempre gostei de cuidar dos pequenos. sempre quis muito ter filhos e me interessava por educação, então acabei seguindo a vida com esse objetivo de olhar de perto pra educação e como eu poderia fazer pra que as crianças se sentissem confortáveis e potentes sendo elas mesmas. aí acho que a sensação de obrigação vem mais forte ainda.

eu me sinto zero intelectual, embora eu goste muito de pensar, eu praticamente não leio literatura. eu às vezes quero ler sobre algum tema e mergulho nele, como há 2 anos eu li tudo o que encontrei sobre morte, luto e cuidados paliativos. eu acho que não ler tanto também tem alguma relação com a obrigação de saber antes.

eu sinto um espanto toda vez que você traz alguma referência de algum autor. nesses momentos você se sente inteligente?

essa coisa de entender é forte pra você, né? talvez seja também pra todo mundo. é difícil mesmo sentir que a gente não entende algo.

quando você falou isso eu observei meus pensamentos dizendo que era uma obrigação eu entender as crianças.

como é sua relação com "entender" as coisas?

talvez você estivesse esperando uma oportunidade pra escrever do jeito que te encantou, e aquela parecia uma boa oportunidade pra mostrar. não? talvez não tão conscientemente.

foi a primeira vez que você tentou escrever e compartilhar um poema?

sabe que eu tento - ou tenho me perguntado se é possível, escrever enquanto vivo a experiência que eu descrevo. escrever não como uma reprodução do que eu observei, mas como criação a partir da transformação que a experiência trouxe em mim sem palavras.

eu me interesso, sim, por escrita. muito. tenho tido um pouco de dificuldade pra ler nesses últimos tempos. e também pra escrever. mas ficar sem escrever é como me faltar algum nutriente. então escrevo, mesmo me frustrando com a qualidade. mas vou procurar esse livro. quem sabe é o que vai me ajudar a ter forças pra ler de novo (na verdade eu passo algumas horas do dia lendo livros infantis para meus pequenos).

hahahaha eu não sei se foi daí mesmo que surgiu, acho que a escrita foi a voz para algumas mulheres da minha família (bisavó, avó, mãe, mas nunca pensaram em escrever um livro, eu acho, embora tenham sugerido à minha mãe que escrevesse). mas, que eu me lembre, a primeira vez que pensei na possibilidade foi pelo filme. mas depois disso nunca mais pensei. comecei a pensar de novo depois que minha filha nasceu. mas sei lá o que é ser escritora. acho que não gosto muito da ideia de ser profissional.

obrigada por comentar isso. eu estava me achando meio besta de escrever essas coisas. e talvez eu continue meio besta, mas você escrevendo isso trouxe uma alegria aqui. :)

um dos meus filmes preferidos da infância foi Harriet, a espiã. com ele eu percebi o que eu gostava de fazer, que era observar as pessoas e pensar e escrever sobre minhas observações. depois que vi esse filme quis ser escritora.

me lembro de me doerem os dramas do filme, de ser desconfortável ver, mas eu sentia que tinha uma beleza em ver e descobrir a verdade.

hahahaha we hide ourselves 😬

I do like our lives simple like that. ♥️ but my husband is the guilty one. I wouldn't have thought it would be possible.

hahahaha we don't have a closet 😬 actually we do, but it doesn't have doors

we sleep on the floor (on a mattress) here, so I had to make friends with the monsters of my own shadows and couldn't blame the darkness under my bed. 😋