A simplificação vai acontecer independente das ações centralizadas. O português e varias outras línguas latinas estão se tornando cada vez mais analíticas no uso popular e inclusive incorporando termos e expressões do inglês.

Está perdendo conjugações ('você/tu vai'), sofrendo reduções das palavras ('Olhe, você vai ver!' → 'ó, cê vai vê!'), redução de acentos (joia, ideia...), resumindo palavras ou frases a letras ou simbolos, em algumas comunicações rápidas na internet ('s', 'q?', '?', 'vo ve', 'agr', 'qqr', 'pdc', 'fds'...) e muitas outras coisas.

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Discussion

Apresenta bons pontos, substanciando minha exposição.

As tais reduções são voláteis e temporárias, costume tão antigo que somente alguns casos são normatizados. Seu exemplo, “Olhe, você vai ver!” → “Ó, cê vai vê!”, a meu ver, entende-se mais como dialeto ou subdialeto, algo comum e esperado, servindo como tempero lexical, sem precisar de extravagâncias reformistas.

Já as notas rápidas, sabidamente conhecidas como taquigrafia (rabiscos, sinais, símbolos, etc.), todo idioma tem. São personalismos de usuários ou grupos funcionais bem restritos, e, quando de uso comum, geram mais problemas do que soluções. A taquigrafia de décadas atrás nem é sequer lembrada hoje.

Veja a maravilha da língua portuguesa: não só consegue aceitar tudo isso, como também estrangeirismos, a ponto de acomodá-los, aportuguesando-os. Veja a palavra “foottball → futebol” como exemplo.

Já a redução de acentos, pontuação, perda de conjugações ou simplificação de regras é pura beocidade pedagógica e causa danos irratificáveis psíquica, sociais e materiais.

Não vejo problema em usar a língua portuguesa de forma mais bairrista e ordinária, pois aí está sua magnificência: ela o permite, por ser um idioma rico. Tirar elementos dele o empobrece, tornando-o rígido e sem essa moldabilidade.

Na verdade, a maior parte da população prefere a simplificação e ela é muito mais comum do que jamais foi, pois os meios de comunicação hoje são muito mais informais e acessíveis.

Em relação a modificação de termos do inglês para a nossa gramática, já a muito tempo isso tá caindo em desuso, principalmente para termos que tivemos contato mais pras últimas 5 décadas.

Não usamos xampu, mas shampoo; nem mause, mas mouse; nem internete, mas internet; e tantas outras palavras...

> “Na verdade, a maior parte da população prefere a simplificação e ela é muito mais comum do que jamais foi, pois os meios de comunicação hoje são muito mais informais e acessíveis.“

De fato, o fazem. Fazem-no por terem segurança nos ricos conjuntos construtivos basilares que sustentam a língua portuguesa, seja intuitivamente, seja por dedicação. O inverso é impossível: de meras simplificações, não se constrói uma língua. Constrói-se uma casa da base, não do telhado.

> Em relação a modificação de termos do inglês para a nossa gramática, já a muito tempo isso tá caindo em desuso, principalmente para termos que tivemos contato mais pras últimas 5 décadas. Não usamos xampu, mas shampoo; nem mause, mas mouse; nem internete, mas internet; e tantas outras palavras...

Não adaptam por desleixo, preguiça e desamor à língua. O “desuso” é só um ato comportamental que não justificativa abolir para todos. Palavras estrangeiras “soltas” (ex.: “shampoo”) soam exóticas e estranham o texto, mesmo sendo comuns. Prova? São usadas na propaganda e textos pra chamar atenção! Isso não quer dizer que está correto.

Meu ponto é: a língua portuguesa, como está hoje, tem tudo o que se deseja e mais. Atende a todos com vários degraus de complexidade, para cada um escolher o seu, seguindo somente, a meu ver, duas regras universais: 1 — Para uma exposição respeitável no universo lusófono, use o português culto; 2 — Para outros usos, siga os costumes da sua comunidade.

A grande maioria das pessoas no Brasil não ligam pra regras de escrita, nem pra usar termos em inglês, japonês e seja lá qual língua for, é uma ínfima minoria que se preocupa com o português culto e tem esse 'amor' pela língua.

E, no geral, esse não é um comportamento de comunidade, é do Brasil como um todo. Ninguém gosta de preciosismos e limitações na própria expressão, nem de 'esquerda' (por mais que critique os EUA), nem de 'direita' (por mais que critique as reformas ortográficas).

Discordo. A maioria dos brasileiros defende a língua: vide a rejeição à linguagem neutra, subdialeto artificial, em estados como Santa Catarina, Rondônia e Paraná (leis de 2021-2022) e em municípios — o meu foi um desses. Não é “preciosismo”, é amor por Lácio, de norte a sul.

Ser contra a linguagem neutra não tem a ver com não ter preciosismo, tem a ver com rejeitar e não participar de linguagens marginais, sem sentido útil e própria de um grupo alienado cheio de problemas mentais.

De qualquer forma, usar leis para proibir isso ao inves do puro bom senso e boicote é de uma grande mentalidade estatista, que é quase que igualmente ridícula...

E me parece que você não é libertário, inclusive.

> “Ser contra a linguagem neutra não tem a ver com não ter preciosismo, tem a ver com rejeitar e não participar de linguagens marginais, sem sentido útil e própria de um grupo alienado cheio de problemas mentais.”

Tem tudo a ver. Todas as suas propostas e argumentos são tão semelhantes quanto ao subdialeto neutro, artificiais e sem basilares.

> “De qualquer forma, usar leis para proibir isso ao inves do puro bom senso e boicote é de uma grande mentalidade estatista, que é quase que igualmente ridícula…”

Sim. Bom senso e boicote popular levaram a um contrato coletivo para rejeitar mudanças artificiais na língua e preservá-la. Esse contrato, debatido e votado, chama-se lei.

> “E me parece que você não é libertário, inclusive.”

Correto, sou católico. Como tal, defendo que todos se expressem livremente, do culto ao coloquial, em qualquer grau de complexidade. Tu, libertário, queres cercear essa expressão por capricho. Ironia, não?

a questao não é proibir a linguagem neutra per se.

é proibir NAS ESCOLAS. O prof primario ensinar e exigir linguagem neutra. Obvio, se gasta tempo com isso, menos tempo pra outras coisas.

no bostil ninguem liga pra importar palavras. mas em portugal é 'rato', não pode registrar crianca com nome estrangeiro, etc.

é cultural, mas faz sentido pq eles são só 10M de tugas, se não defender a lingua, ela desaparece. Na frança a defesa da lingua é bem mais forte ainda. e.g. 'ordinateur'

Isso é tudo fortemente regulado pelo Estado em Portugal. Não é voluntário e por isso sequer poderiamos dizer que é exatamente 'cultural'.

mas como disse, eles tem uma necessidade que nao temos, de defender uma lingua pequena de um povo pequeno.

é estatal, e eles nascem assim e acham normal, ok, mas no fim eles concordam e defendem a lingua no privado.

qdo falava prum grupo lá, se irritavam com 'mouse' e anglicismos demais, e principalmente com conjugacoes degeneradas como 'a gente vai' ao inves de 'vamos'.

nao ha problema na lingua ter uma chave informal/eletronica, 'taquigrafica' e outra formal ou literaria. alias, linguagem poetica sempre foi muito diferente. E obvio as chaves mais formais são menos acessíveis.

Da mesma forma que latin formal e vulgar, não se imagina Cicero escrevendo como um grafite nos muros de pompeia, com conjugacoes e declinacoes simplificadas. Porque ele não teria precisão e concisão de expressão pra algo literario ou filosofico. Muito menos elegancia e eloquencia pra politica.

Como nossa menina prodigio diria, macaco é macaco.

O processo linguístico precisa se manter voluntário, mas o Estado regula grande parte e que mantém diversos formalismos arcaicos. Sem isso, a língua já seria muito diferente e bem mais eficaz para as necessidades dos brasileiros.

como existe padronização voluntária? O que a escola ensinaria? Vc quer colocar seu filho pra aprender a escrever o portugues que ele escuta na rua? Pra isso não precisa de escola. Macaco é Macaco. Literatura é Literatura.

Por isso q o importante é o corpus literario, ele define o padrão.

Se não for o estado, apareceria alguma Academia pra esse papel. Que tende a ser um bando de busybodies mudando a lingua a cada 20 anos, ok, mas tem que ter um padrão pra escola seguir. E só podemos julgar a academia porque existe um padrão literario a comparar.