QUINTA-FEIRA DEPOIS DO QUARTO DOMINGO DE PÁSCOA
Mas principalmente merecemos pela caridade que pelas outras virtudes
Aquele que me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele (Jo 14, 21). É assim que a vida eterna consiste na visão manifesta de Deus, segundo aquilo: A vida eterna é esta: Que te conheçam a ti como o único Deus verdadeiro (Jo 17, 3). Logo o mérito da vida eterna reside principalmente na caridade.
I. O ato humano merece por duas razões:
1°, por razão da ordenação divina, segundo a qual se diz ser o ato meritório daquele bem ao qual o homem é ordenado por Deus;
2°, por parte do livre-arbítrio, segundo o qual o homem tem sobre as demais criaturas a preferência de agir por si mesmo e voluntariamente. Em ambos os conceitos o principal do mérito consiste na caridade; porque deve considerar-se que a vida eterna consiste no gozo de Deus, e o movimento da alma humana para fruição do bem divino é o ato próprio da caridade, por isso que todos os atos das outras virtudes se dirigem a esse fim, já que as demais virtudes são regidas pela caridade. Por conseguinte, o mérito da vida eterna corresponde primariamente à caridade, e secundariamente às demais virtudes, posto que os atos destas são regidos pela caridade.
É evidente também que o que fazemos por amor, o fazemos com a maior voluntariedade, e portanto também se atribui o mérito principalmente à caridade, porquanto para a razão de mérito se requer que seja voluntária.
II. Nem sempre uma obra possui maior mérito por ser mais laboriosa e difícil. De duas maneiras uma obra pode ser laboriosa e difícil:
1°, pela grandeza da obra; e assim a grandeza do trabalho pertence ao aumento do mérito, porque a caridade, ainda que converta as coisas terríveis e violentas em fáceis e quase nulas, não diminui o trabalho, mas antes, faz acometer maiores empresas; pois, como diz São Gregório,¹³ quando existe, faz grandes coisas;
2°, por defeito do agente mesmo, porque a cada qual é penoso e difícil o que não faz com pronta vontade; e tal trabalho diminui o mérito e é anulado pela caridade.
Em grande medida são meritórios os atos da fé e da paciência ou fortaleza, como se vê nos mártires, que pelejaram pela fé com paciência e fortaleza até a morte. Mas o ato de fé não é meritório, se a fé não age por amor, e do mesmo modo o ato da paciência e da fortaleza, se alguém não os faz por caridade, segundo aquilo: Se entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disto me aproveitaria (1 Cor 13, 3).
-S. Th., Iª IIæ, q. 114, a. 4
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¹³ Homil. 30 in Evangel.
Pe. Ercoli, Dom Charles McGuire, Dom Bede Nkamuke e Dom Rodrigo da Silva.
Fr. Ercoli, Bp. Charles McGuire from US, Bp. Bede Noamuke from Nigéria, Bp. Rodrigo da Silva from Brazil.
A verdadeira fé católica tem seus representantes nestes locais.

QUARTA-FEIRA DEPOIS DO QUARTO DOMINGO DA PÁSCOA
O homem em estado de graça pode merecer de condigno a vida eterna
O que se dá segundo o justo juízo parece ser a recompensa condigna. É assim que a vida eterna se dá por Deus conforme o juízo de justiça, segundo aquilo do Apóstolo: De resto, está-me preparada a coroa da justiça que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia (2Tm 4, 8). Logo o homem merece de condigno a vida eterna.
A obra meritória do homem pode considerar-se de dois modos:
1°, quanto procede do livre arbítrio;
2°, quanto procede da graça do Espírito Santo.
Se se considera segundo a substância da obra e como procedente do livre-arbítrio, não pode, neste conceito, haver nela condignidade por causa da imensa desigualdade, porém se dá congruidade por certa igualdade proporcional, pois parece congruente que, trabalhando o homem segundo sua virtude, seja recompensado por Deus segundo a excelência de sua virtude.
Porém se falamos da ação meritória enquanto procede da graça do Espírito Santo, então é merecedora da vida eterna de condigno, pois que assim o valor do mérito se estima segundo a virtude do Espírito Santo que nos conduz à vida eterna, segundo aquilo do Evangelho: Virá a ser nele uma fonte de água que salte para a vida eterna (Jo 4, 14). O valor da obra se gradua também segundo a dignidade da graça, pela qual o homem, feito consorte da natureza divina, é adotado como filho de Deus, a quem se deve a herança pelo direito mesmo da adoção, segundo aquilo: Se filhos, também herdeiros: (Rm 8, 17).
A graça do Espírito Santo, que possuímos nesta vida, ainda que não seja igual à glória em ato, é, no entanto, igual virtualmente; como a semente da árvore, na qual se contém virtualmente toda a árvore. Assim mesmo o Espírito Santo, que habita no homem pela graça, é causa suficiente da vida eterna; pelo qual se diz que é o penhor de nossa herança.
-S. Th., Iª IIæ, q. 114, a. 3
SEGUNDA-FEIRA DEPOIS DO QUARTO DOMINGO DE PÁSCOA
Frutos do Espírito Santo
Minhas flores dão frutos de glória e de riqueza (Eclo 24, 23)
I. De duas maneiras pode ser o fruto: adquirido, pelo trabalho ou pelo estudo; e produzido, como é produzido o fruto pela árvore. As obras do Espírito Santo se chamam frutos, não como alcançados ou adquiridos, senão como produzidos; mas o fruto que é alcançado tem razão de fim último, não assim o fruto produzido. Não obstante, o fruto assim tomado encerra duas coisas: é o último do que o produz, como o fruto é o último que produz a árvore, e é suave e deleitável, como diz a Escritura: Seu fruto é doce à minha boca (Ct 2, 3).
Assim, pois, as obras das virtudes e do Espírito são algo último em nós. Porque o Espírito Santo está em nós por graça, mediante a qual adquirimos o hábito das virtudes, e com Ele somos poderosos para agir de acordo com a virtude. São também deleitáveis, tendes o vosso fruto na santificação (Rm 6, 22), quer dizer, em obras santificadas, e portanto se chamam frutos.
Chamam-se frutos, ademais, flores com relação à bem-aventurança futura, porque assim como das flores se concebe a esperança do fruto, igualmente das obras virtuosas se concebe a esperança da vida eterna e da bem-aventurança. E assim como na flor se dá certo início da bem-aventurança que terá lugar quando se aperfeiçoem o conhecimento e a caridade.
Por conseguinte, as obras das virtudes hão de apetecer por si mesmas de duas maneiras: ou porque encerram em si mesmas a doçura, ou por causa da bem-aventurança, que é seu fim; do mesmo modo que um remédio doce se apetece formalmente por si mesmo, pois tem em si algo que o faz apetecível, a doçura, e também se apetece pelo fim, que é a saúde.
II. Por tudo isso se vê porque o Apóstolo chama efeitos às obras da carne, e aos frutos do espírito, os chama frutos. Pois se chama fruto algo final e suave por si. Mas o que se produz de outro, contra a natureza, não tem razão de fruto, senão que é produzido por outro gérmen.
As obras da carne e dos pecados estão fora da natureza das coisas que Deus semeou em nossa natureza. Pois Deus depositou certas sementes na natureza humana, quer dizer, o apetite natural do bem e o conhecimento, e acrescentou, ademais, os dons da graça. Portanto, posto que as obras das virtudes são naturalmente produzidas por aqueles, chamam-se frutos, e não obras da carne; frutos do espirito, que nascem na alma pela semente da graça espiritual.
É claro que as obras das virtudes se chamam frutos do espírito, não somente porque encerram em si suavidade e doçura, senão também porque são certo produto final, segundo a conveniência dos dons.
A diferença entre dons, bem-aventuranças, virtudes e frutos se estabelece do seguinte modo: na virtude deve considerar-se o hábito e o ato. O hábito da virtude aperfeiçoa para agir bem. Se aperfeiçoa para agir ao modo humano, chama-se virtude; se aperfeiçoa para agir de um modo sobre-humano, chama-se dom. O ato da virtude, ou é perfeito, e neste caso se chama bem-aventurança, ou é deleitoso, e assim é fruto.
— In Gal., V
SEGUNDA-FEIRA DEPOIS DO QUARTO DOMINGO DE PÁSCOA
Frutos do Espírito Santo
Minhas flores dão frutos de glória e de riqueza (Eclo 24, 23)
I. De duas maneiras pode ser o fruto: adquirido, pelo trabalho ou pelo estudo; e produzido, como é produzido o fruto pela árvore. As obras do Espírito Santo se chamam frutos, não como alcançados ou adquiridos, senão como produzidos; mas o fruto que é alcançado tem razão de fim último, não assim o fruto produzido. Não obstante, o fruto assim tomado encerra duas coisas: é o último do que o produz, como o fruto é o último que produz a árvore, e é suave e deleitável, como diz a Escritura: Seu fruto é doce à minha boca (Ct 2, 3).
Assim, pois, as obras das virtudes e do Espírito são algo último em nós. Porque o Espírito Santo está em nós por graça, mediante a qual adquirimos o hábito das virtudes, e com Ele somos poderosos para agir de acordo com a virtude. São também deleitáveis, tendes o vosso fruto na santificação (Rm 6, 22), quer dizer, em obras santificadas, e portanto se chamam frutos.
Chamam-se frutos, ademais, flores com relação à bem-aventurança futura, porque assim como das flores se concebe a esperança do fruto, igualmente das obras virtuosas se concebe a esperança da vida eterna e da bem-aventurança. E assim como na flor se dá certo início da bem-aventurança que terá lugar quando se aperfeiçoem o conhecimento e a caridade.
Por conseguinte, as obras das virtudes hão de apetecer por si mesmas de duas maneiras: ou porque encerram em si mesmas a doçura, ou por causa da bem-aventurança, que é seu fim; do mesmo modo que um remédio doce se apetece formalmente por si mesmo, pois tem em si algo que o faz apetecível, a doçura, e também se apetece pelo fim, que é a saúde.
II. Por tudo isso se vê porque o Apóstolo chama efeitos às obras da carne, e aos frutos do espírito, os chama frutos. Pois se chama fruto algo final e suave por si. Mas o que se produz de outro, contra a natureza, não tem razão de fruto, senão que é produzido por outro gérmen.
As obras da carne e dos pecados estão fora da natureza das coisas que Deus semeou em nossa natureza. Pois Deus depositou certas sementes na natureza humana, quer dizer, o apetite natural do bem e o conhecimento, e acrescentou, ademais, os dons da graça. Portanto, posto que as obras das virtudes são naturalmente produzidas por aqueles, chamam-se frutos, e não obras da carne; frutos do espirito, que nascem na alma pela semente da graça espiritual.
É claro que as obras das virtudes se chamam frutos do espírito, não somente porque encerram em si suavidade e doçura, senão também porque são certo produto final, segundo a conveniência dos dons.
A diferença entre dons, bem-aventuranças, virtudes e frutos se estabelece do seguinte modo: na virtude deve considerar-se o hábito e o ato. O hábito da virtude aperfeiçoa para agir bem. Se aperfeiçoa para agir ao modo humano, chama-se virtude; se aperfeiçoa para agir de um modo sobre-humano, chama-se dom. O ato da virtude, ou é perfeito, e neste caso se chama bem-aventurança, ou é deleitoso, e assim é fruto.
— In Gal., V
QUARTO DOMINGO DE PÁSCOA
Os prêmios das bem-aventuranças
1º Os prêmios das três primeiras bem-aventuranças se tomam segundo aquelas coisas que alguns buscam na dita terrena; pois os homens buscam nas coisas exteriores, como nas riquezas e nas honras, certa excelência e abundância, coisas ambas incluídas no Reino dos céus, pelo qual consegue o homem a excelência e abundância de bens em Deus. Por isso o Senhor prometeu aos pobres de espírito o Reino dos céus.
Os homens ferozes e cruéis pretendem por meio de litígios e guerras adquirir para si a segurança, destruindo a seus inimigos; por isso o Senhor prometeu aos mansos possessão segura e tranqüila da terra dos viventes, pela qual se significa a estabilidade dos bens eternos.
Buscam os homens nas concupiscências e deleites do mundo ter consolo contra os trabalhos da vida presente; e por isso o Senhor prometeu a consolação da vida aos que choram.
2° As outras duas bem-aventuranças pertencem às obras da bem-aventurança ativa que são as obras das virtudes que ordenam o homem para com o próximo; das quais obras se retraem alguns pelo amor desordenado do bem próprio; e por isso o Senhor adjudica aqueles prêmios a estas bem-aventuranças pelas quais os homens se apartam delas. Pois alguns se apartam das obras de justiça não pagando suas dívidas, senão, mais bem, furtando o alheio, para enriquecer-se em bens temporais; daí que o Senhor prometeu fartura aos que têm fome de justiça. Apartam-se também, alguns, das obras de misericórdia, para não mesclar-se nas misérias alheias, mas o Senhor prometeu, aos misericordiosos, misericórdia, pela qual se livram de toda a miséria.
3º As duas últimas bem-aventuranças correspondem à felicidade ou bem-aventurança contemplativa; e por isso, segundo a conveniência das disposições que se supõem no mérito, se dão os prêmios. Porque como a limpeza do olho dispõe à visão clara, se promete a visão divina aos limpos de coração.
O ter paz consigo mesmo ou com os outros manifesta que o homem é imitador de Deus, que é Deus de união e de paz; e assim, se lhe outorga por prêmio a glória da filiação divina, que consiste na perfeita união com Deus por meio da sabedoria consumada.
4° Todos aqueles prêmios se consumarão perfeitamente na vida futura, porém, entretanto, também começa de algum modo nesta vida; porque o Reino dos céus pode entender-se como princípio da perfeita sabedoria, segundo o qual começa o espírito a reinar neles. A possessão da terra significa também o bom afeto da alma repousando pelo desejo na estabilidade da herança perpétua significada pela terra. Porém são consolados nesta vida, participando do Espírito Santo, que se chama Paráclito, isto é, Consolador. São saturados também nesta vida com aquele manjar, do qual diz o Senhor: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou (Jo 4, 34). Também nesta vida conseguem os homens a misericórdia de Deus. E igualmente, purificado o olho pelo dom de entendimento, Deus pode ser visto de alguma maneira nesta vida; assim como nesta vida são chamados, por sua vez, filhos de Deus os que pacificam seus movimentos aproximando-se à semelhança de Deus. No entanto, tudo isto se verificará mais perfeitamente na pátria.
-Iª IIæ, q. 59, a. 4 e a. 2 ad 3um
SÁBADO DEPOIS DO TERCEIRO DOMINGO DE PÁSCOA
Número das bem-aventuranças
Alguns estabeleceram uma tríplice bem-aventurança; porque uns a contaram na vida voluptuosa, outros na vida ativa, e outros na vida contemplativa. Por isso o Senhor assinalou algumas bem-aventuranças como destrutoras do obstáculo da felicidade voluptuosa.
I. A vida voluptuosa consiste em duas coisas:
1ª Na afluência dos bens exteriores, sejam riquezas ou honras; dos que o homem se retrai pela virtude, que aconselha usar deles com moderação; mas pelo dom, de um modo mais excelente, desprezando-os totalmente o homem. Por isso se põe como primeira bem-aventurança: Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus (Mt 5, 3), o qual pode referir-se ao desprezo das riquezas ou ao desprezo das honras; e se faz pela humildade.
2ª A vida voluptuosa consiste em seguir as próprias paixões, seja a irascível, seja a concupiscível. A virtude impede seguir a paixão da irascibilidade, para que o homem não sobrepasse nas coisas supérfluas; porém pelo dom se faz de modo mais excelente, de sorte que o homem está totalmente sereno a respeito dela, conforme à vontade divina. Por isso se fixa por segunda bem-aventurança: Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra (Mt 5, 4).
A virtude impede seguir as paixões da concupiscência por um uso moderado de tais paixões; mas o dom as desfaz totalmente, se é necessário; e ainda mais, aceitando voluntariamente o choro se é preciso. Daí a terceira bem-aventurança: Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados (Mt 5, 5).
II. A vida ativa consiste principalmente nas coisas que entregamos ao próximo, ou por razão de débito, ou por espontâneo benefício.
Aos primeiros nos dispõe a virtude, para que não recusemos pagar ao próximo o que lhe devemos, o qual pertence à justiça; porém o dom nos induz a isto mesmo com afeto mais generoso, a saber, com um desejo fervente de cumprir as obras de justiça, semelhante ao desejo ardente com que desejam o alimento e a bebida ao faminto e ao sedento. Daí a quarta bem-aventurança: Bem-aventurados os que têm fome e sede da justiça, porque serão saciados (Mt 5, 6).
Pelo que se refere às dádivas espontâneas, a virtude nos aperfeiçoa para que as demos àqueles a quem dita a razão que devemos dá-las, por exemplo, aos amigos, ou a nossos pais, o qual corresponde à virtude da largueza. Mas o dom, por reverência a Deus, somente considera a necessidade naqueles a quem presta gratuitos benefícios. Por isso se diz: Quando deres algum jantar ou ceia, não convides os teus amigos, nem os teus irmãos... mas, quando deres algum banquete, convida pobres, aleijados, coxos, cegos etc. (Lc 14, 11 e 13), o que é, com propriedade, compadecer-se. Daí a quinta bem-aventurança: Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia (Mt 5, 7).
III. As coisas pertencentes à vida contemplativa ou são a mesma bem-aventurança final, ou algum início dela; e portanto não se incluem nas bem-aventuranças como méritos, senão como prêmios.
Porém se assinalam como méritos os efeitos da vida ativa, com os que o homem se dispõe para a vida contemplativa, e o efeito da vida ativa, quanto às virtudes e dons com que o homem se aperfeiçoa em si mesmo, é a pureza de coração, para que este não se manche com paixões. Daí a sexta bem-aventurança: Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus (Mt 5, 8).
Por fim, quanto às virtudes e dons com que o homem se aperfeiçoa em ordem ao próximo, o efeito da vida ativa é a paz, segundo aquilo de Isaías: A paz será a obra da justiça (32, 17). E portanto a sétima bem- aventurança é: Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus (Mt 5, 9).
-S. Th., Iª IIæ, q. 59, a. 3
SEXTA-FEIRA DEPOIS DO TERCEIRO DOMINGO DE PÁSCOA
O dom da piedade
Toda a matéria moral se divide em três partes: as coisas deleitáveis, que segue o amor carnal; as coisas difíceis, das que foge; e as comunicáveis que se referem a outro, as quais mais bem consistem em ação que em paixão.
Em cada uma delas intervém a direção das virtudes e dos dons, porém de maneira diferente. Porque a virtude dirige tomando como regra algo humano, mas o dom toma o divino como regra.
Nos deleites, a virtude se inspira na dignidade humana, que nós envilecemos pelos deleites temporais. Mas o dom se inspira na dignidade divina a que nós tememos ofender por esses bens terrenos; o qual pertence ao temor. E o mesmo há que dizer do dom da fortaleza e das virtudes que têm por fim suportar as dificuldades ou combatê-las.
Assim também acontece nas relações com o próximo. Porque nelas as virtudes dirigem tomando por medida algo humano, isto é, a conveniência ou a dívida. Porém o dom toma nisto por regra ao mesmo Deus; de modo que, como já foi dito, pelo dom de fortaleza o homem empreende coisas difíceis usando do poder divino como seu, pela confiança, e igualmente se comunica com outro usando de Deus como de si mesmo, isto é, que execute como unido a Deus as coisas que convém nessas relações. Pelo qual o Senhor exorta a imitar a liberdade do Pai celestial, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons (Mt 5, 45). E porque esta comunicação das coisas divinas se chama piedade, por isso também o dom que toma a medida divina nas relações com os demais chama-se piedade.
Ainda que a virtude da piedade se exerça para com Deus, toma, nisto, algo de humano por medida, quer dizer, o benefício recebido de Deus; razão pela qual lhe somos devedores. Mas o dom de piedade toma, nisto, por medida algo divino: honrar a Deus, não porque sejamos seus devedores, senão porque Deus é digno de honra. Por este modo o mesmo Deus se dá honra a si mesmo.
O dom da piedade não é o mesmo que o da misericórdia, pois a misericórdia tende a aliviar as misérias dos próximos, porque estão unidos pelo sangue ou a amizade ou a semelhança da natureza, tomando em tudo por medida algo humano, como as demais virtudes. Porém o dom de piedade se move a remediar as misérias dos próximos por um motivo divino: porque são filhos de Deus ou estão dotados da semelhança divina. Por isso tem com mais propriedade o nome de piedade, que significa algo de divino.
— 3. Dist. 34, q. 3, a. 2
Explicação do dogma
“Fora da Igreja não há salvação”
Pelo Rev. Pe. Jean-Joseph Gaume (1854)
Fora da Igreja não há salvação… É uma máxima certíssima. Nosso Senhor compara o reino dos Céus, que é a Igreja, a um príncipe que, querendo celebrar as núpcias de seu filho, e vendo que os convidados recusavam assistir a elas, jurou, irritado, que nenhum dos tais, que recusaram o convite, gozariam das delícias de sua mesa (1). Logo aqueles que resistem à graça do Salvador não esperem reinar com ele no Céu; por outras palavras, aqueles que não entram na Igreja, para a qual são convidados, permanecem estranhos a Jesus Cristo (2). Demais o Filho de Deus disse aos Apóstolos: Pregai o Evangelho a toda a criatura; aquele que crer e se batizar será salvo; aquele que não crer será condenado (3).
É pois vontade de Nosso Senhor, a mais formal verdade, que todos os homens creiam no Evangelho, e por ele entrem na Igreja, tornando-se seus membros pelo batismo. Com efeito, se todos os homens, como não se pode duvidar, são obrigados a abraçar a Religião Cristã, logo são também obrigados a entrar na Igreja de Jesus Cristo.
A razão desta consequência é que a Igreja não foi estabelecida senão por causa da Religião. Ora, quem quer o fim quer os meios:
1.º Nosso Senhor, querendo que todos se salvem pela Religião, necessariamente quer que pertençam à sociedade que Ele mesmo fundou, para conservar e ensinar a Religião.
2.º sendo todos os homens obrigados a abraçar a Religião de Jesus Cristo, são por isso mesmo obrigados a receber os meios que Nosso Senhor estabeleceu, para alcançar o verdadeiro conhecimento da Religião e dar a Deus um culto legítimo. Ora, o meio essencial que Nosso Senhor estabeleceu para alcançar estes fins é a Sua mesma Igreja. Logo, se quem é obrigado aos fins é obrigado aos meios, todos têm a obrigação de entrar na Igreja.
3.º sendo pois a Igreja uma sociedade essencialmente necessária, a qual todos tem a obrigação de pertencer de direito natural e divino; aquele, por consequência, que permanece advertida e voluntariamente fora da Igreja, não pode ter salvação. As portas da vida eterna, diz o Salvador, somente se abrirão àqueles que tiverem guardado os mandamentos; se algum pois, conhecendo o mandamento, recusar cumpri-lo, será condenado (4).
Os Padres, herdeiros da doutrina do Salvador e dos Apóstolos, professaram altamente a mesma verdade:
“Aquele, diz S. Cipriano, que não tiver a Igreja por mãe, não terá a Deus por pai. Se alguém escapou à água do Dilúvio sem estar na Arca, então sim, poderá escapar à condenação eterna, quem estiver fora da Igreja.” (5)
“Ninguém alcançará salvação, diz também S. Agostinho, se não tiver a Jesus Cristo por cabeça, se não pertencer ao Seu Corpo, que é a Igreja.” (6)
(...) O caso é saber qual é a verdadeira Igreja; que depois, fica fácil conhecer que quem não está na verdade, está no erro; quem não está no bem, está no mal; quem não está no caminho, está perdido. Aqui não há meio termo. Se esta máxima não é certíssima: Fora da Igreja não há salvação, nesse caso é preciso admitir a contrária: fora da Igreja a salvação é possível. Mas admitido isto, não há mais distinção entre a verdade e o erro: o herege, o cismático, o turco, o infiel, o judeu, o deísta, o ateu estarão na mesma condição; e poderão salvar-se, professando as mais contraditórias e funestas doutrinas.
Professar esta máxima é para os católicos de suma caridade. Ainda mais, ela é e tem sido a causa da caridade apostólica. Com efeito, convencidos, por uma parte, a ponto de derramar seu sangue, que existe uma Religião verdadeira e obrigatória; assim como uma sociedade, encarregada de a conservar e explicar; convencidos por outra parte, que esta Religião é a Religião Católica; e esta sociedade, a Igreja Romana; que maior obra de caridade do que dizer a todos: Entrai nesta sociedade, para conhecerdes a Religião verdadeira, e a única que pode vos tornar felizes nesta vida e na futura. Reparai bem, que vos é de absoluta necessidade pertencer a esta Igreja; pois Fora da Igreja não há salvação.
Apregoar esta máxima, publicá-la por todos o mundo, será porventura, como se pretende dizer, uma prova de má vontade, e de crueldade para com o gênero humano? Pelo contrário, não será isto prova de amor sincero, uma verdadeira caridade? Dir-se-ia que Noé era feroz e cruel quando, construída a Arca, dizia aos pecadores, para os converter: Fora da Arca não há salvação? – E Nosso Senhor não teria caridade quando disse: Todo o que não entrar na Igreja pela fé e o batismo será condenado? Porventura o médico será cruel e misantropo quando diz ao doente: Se não tomardes tal ou tal remédio não tereis saúde? Sei eu, por exemplo, que vos hão de pôr fogo à casa, e fazer-vos morrer a vós e a vossa família no meio das chamas; conheço um meio único de desconsertar os planos infernais de vossos inimigos, e digo-vos: acautelai-vos que se não fizerdes assim e assim, morrereis queimado. Ora, pergunto, serei eu cruel em vos avisar? Não seria eu antes se me calasse? Certo que sim. Pois isto é o que sucede no nosso caso.
Nós, os católicos, sabemos de ciência certa (e todos como nós o podem e devem saber), que o Filho de Deus, a virtude mesma, o juiz supremo dos vivos e dos mortos, declarou que fora da Igreja não há salvação. Repetimos isto mesmo; prevenimos a todos da sorte que os espera, se não cumprirem com o que ele manda; pedimos, exortamos… Pois não é isto mesmo o que produziu e produz na Igreja a caridade apostólica? Não é este o zelo dos Apóstolos, dos mártires, dos missionários, de todos os santos, que se santificam, por dizer a todas as nações: Fazei-vos cristãos, entrai no aprisco de Jesus Cristo: fora da Igreja não há salvação?! Sim, eis o motivo que os abrasa, que os inflama: quem há aí que lhe chame crueldade!
Sem dúvida, esta máxima: Fora da Igreja não há salvação, com ser certíssima, é de uma caridade suma; o ponto está só em entendê-la bem; pois cumpre saber que há muitas maneiras de pertencer à Igreja.
1.º Pertence ao corpo da Igreja aquele que vive na sociedade visível de todos os fiéis sujeitos ao Papa, e professando exteriormente a mesma doutrina. A isto se chama pertencer à Igreja exterior; e neste sentido pertence à Igreja ainda o incrédulo ou o que está em pecado mortal; embora seja um membro morto, ou uma ramo seco.
2.º Pertence ao corpo e à alma da Igreja aquele que à profissão externa da Religião católica ajunta a graça santificante; e isto se chama pertencer simultaneamente à igreja externa e interna.
3.º Pertence finalmente à alma da Igreja, sem pertencer ao seu corpo, aquele que, por boa fé ou ignorância invencível, está desculpado diante de Deus, de não pertencer à Igreja, pois a não conhece. Neste caso, se o indivíduo tem uma verdadeira caridade, um desejo sincero de conhecer a vontade de Deus e cumpri-la, praticando fielmente a lei natural, e todos os deveres de que tem notícia ou de que a podia ter, este tal, digo, pertence de fato à alma da Igreja ou à Igreja interna, e é possível salvar-se. (7)
Assim pois, entre os hereges e os cismáticos, todos os meninos que são batizados e que ainda não chegaram a idade da razão, bem como muitas pessoas símplices, que vivem em boa fé, e das quais só Deus conhece o número, todas estas, digo, não participam da heresia nem do cisma; são desculpados por ignorarem invencivelmente o seu estado, e não se devem considerar estranhas à Igreja, fora da qual não há salvação; porquanto, os meninos, em primeiro lugar, não podendo ainda ter perdido a graça que receberam no batismo, sem dúvida pertencem à alma da Igreja, isto é, estão unidos a ela pela fé, esperança e caridade habituais. Em segundo lugar, os símplices e ignorantes, de que falamos, podem ter conservado a mesma graça; ou ainda, em muitas seitas, havendo aprendido certas verdades de fé, que aí se conservaram, e que bastam absolutamente para a salvação, podem crer nelas sinceramente e viver, com o auxílio da graça, uma vida pura e inocente. Deus não lhes imputa os erros, a que estão forçados por uma ignorância invencível. Enquanto aos nossos olhos pareçam membros de uma seita, bem podem pertencer à alma da Igreja, pela fé, esperança e caridade. Em suma, todos esses meninos e essas pessoas de boa fé podem salvar-se; mas ainda assim devem a sua salvação à Igreja Católica, embora não a conheçam; porque é dela que dimanam as verdades salutares pelas quais se salvaram; como é, por exemplo, o batismo, que as seitas separando-se conservaram. É verdade que estas luzes receberam-nas imediatamente daquelas seitas; mas elas as tinham recebido da Igreja, a qual Jesus Cristo confiou a administração dos Sacramentos, e o depósito da fé (8). Assim pode o homem salvar-se, ainda quando pertença exteriormente a uma religião estranha; mas não porque lhe pertença, o que é bem diferente.
Eis aqui, pois, o sentido exato desta máxima, tão perfeitamente irrepreensível, e todavia tantas vezes censurada e como que lançada em rosto aos católicos: fora da Igreja não há salvação. Pois certo que a não há para todo aquele que, conhecendo ou devendo conhecer a verdadeira Igreja, recusa entrar nela; certo que, a não há para todo aquele que, estando na verdadeira Igreja, dela sai, para abraçar uma seita estranha. Todos esses evidentemente se lançam fora do caminho da salvação; porque se tornam culpados duma contumácia imperdoável. Jesus Cristo não promete a vida eterna, senão às ovelhas que ouvem a sua voz; aquelas, porém, que desertam do seu aprisco, ou recusam entrar nele, serão sem nenhuma dúvida a presa dos lobos e o pasto das chamas.
Quanto a nós, filhos da Igreja, demos muitas graças a Deus, Nosso Pai, e à Igreja, nossa Mãe; e corresponda de algum modo a nossa gratidão à excelência e número dos benefícios que nos fazem. Qual é o motivo por que não nascemos, como tantos nascem, no domínio da heresia, da infidelidade e da idolatria? A quem devemos a boa fortuna de sermos nascidos e criados no grêmio desta verdadeira Igreja, que nos alimenta, como carinhosa mãe, de seu leite puro e virginal? A quem o devemos? A uma graça toda gratuita, que o Senhor concede a quem lhe apraz. Sejamos pois agradecidos a um bem tão especial e imerecido. Não sejamos ingratos a esta Igreja tão cheia de amor, e tão pouco amada; e até desgraçadamente tão perseguida! Provemos-lhe a nossa gratidão;
1.º submetendo-nos às suas decisões, com um temor filial; e observando suas leis, com escrupulosa fidelidade.
2.º tomando parte em suas dores e alegrias; e interessando-nos em tudo o que lhe interessa.
3.º abraçando generosamente a sua causa, e sacrificando-nos, se preciso for, pela manutenção da sua fé, unidade, disciplina, autoridade e prerrogativas.
4.º não desprezando meio algum, nem perdendo ocasião ou oportunidade de a fazer conhecer e amar daqueles, que a não conhecem nem amam. Assim seremos os verdadeiros imitadores de Nosso Senhor Jesus Cristo, que amou tanto a sua Igreja que por ela deu o Seu Sangue e a Sua Vida. (9)
Notas:
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1 – Mat. XXII.
2 – C. XVI.
3 – Marc. XVI.
4 – Luc. XII, 4, 7.
5 – De Unit. Eccles.
6 – Veja-se o texto em Nat. Alex. De Symbol. p. 320.
7 – Catecismo do Concílio de Trento.
8 – Veja-se a censura de Emilio pela Universidade de Sorbone.
9 – Christus dilexit Ecclesiam et se ipsum tradidit pro ea. Efés. V, 2, 3. Veja-se Nat. Alex. De Symb. 329.
Referência:
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GAUME, Pe. Jean-Joseph. Catecismo da Perseverança: ou Exposição Histórica, Dogmática, Moral, Litúrgica, Apologética, Filosófica e Solcial da Religião, desde a origem do mundo até nossos dias. Porto: Typ. de Francisco Pereira d’Azevedo, 1854, pp. 60-66.
Artigo original:
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https://controversiacatolica.com/2018/12/10/explicacao-do-dogma-fora-da-igreja-nao-ha-salvacao/
posição católica a respeito do anarco-capitalismo.
QUINTA-FEIRA DEPOIS DO TERCEIRO DOMINGO DE PÁSCOA
Os dons do Espírito Santo
Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de piedade (Is 11, 2).
Os dons são umas perfeições do homem com as quais se dispõe a mover-se prontamente por impulso da inspiração divina para agir de uma maneira sobre-humana:
1° No conhecimento das coisas necessárias e eternas, o espírito humano procede por um modo humano quando é aperfeiçoado pela virtude, quer dizer, o entendimento, que é o hábito dos primeiros princípios, ou pela fé, que é a contemplação das coisas divinas num espelho. Porém que sejam apreendidas as coisas espirituais, como em sua verdade desnuda, excede à capacidade humana, e isto o faz o dom de entendimento, que ilustra a mente sobre as coisas ouvidas pela fé.
2º É um procedimento humano que o homem julgue e ordene as coisas inferiores pela consideração dos primeiros princípios e das causas altíssimas. Isto se faz pela sabedoria, que é uma virtude intelectual. Porém que o homem se una a essas causas supremas e que seja transformado à semelhança delas pelo modo segundo o qual o que está unido ao Senhor é um só espírito com Ele (1Cor 6, 17), e que esse modo, como do mais profundo de si mesmo, julgue as demais coisas e ordene não somente o cognoscível, senão também as ações e paixões humanas, isto supera os procedimentos humanos, e se faz pelo dom da sabedoria.
3° Para agir é mister conselho. O modo humano é proceder inquirindo e conjeturando segundo o que costuma acontecer de ordinário, e isto se obtém pela eubolia, que é o bom conselho. Porém que o homem receba o que há de fazer, como ensinado com certeza pelo Espírito Santo, supera o modo humano, e isto o faz o dom de conselho.
4° Para a execução o procedimento humano consiste em que o homem forme um juízo das coisas que costumam ocorrer com freqüência segundo o resultado do conselho, e logo imponha a ordem desse juízo aos inferiores, o qual se faz pela prudência. Porém que o homem julgue com certeza sobre o que deve fazer, é coisa que está além de sua capacidade, e isto se faz pelo dom de ciência.
5° Para os atos que regulam nossas relações com os demais, estão, segundo o modo humano, a justiça, a liberdade, etc. Porém quando nestas relações alguém não se inspira nem pelo bem pessoal, nem pelo bem de outro, nem dá a outro o que se lhe deve ou quanto lhe convém, senão que dá quanto é aceito a Deus, o bem divino que resplandece em si mesmo ou no próximo, isto está para além dos procedimentos humanos e se faz pelo dom de piedade.
6° No governo das paixões do irascível, se toma humanamente por medida ou regra o bem da razão. Que o homem, medindo as próprias forças, se estenda a ações árduas de virtude segundo a medida daquelas, corresponde à magnanimidade. A virtude da fortaleza ensina a acometer ou fugir de males iminentes segundo a medida de suas forças. A mansidão faz com que o homem não se vá para além do que pede a gravidade da ofensa e a ordem do direito. Porém que o homem tome por medida em todas essas coisas a virtude divina, para empreender obras de virtude com relação às quais sabe que não se basta com suas próprias forças, que não tema os perigos que excedem a essas forças, confiando na ajuda divina, e que não somente não exija vingança pelas injúrias recebidas, antes bem se glorie nelas, pondo seu olhar na recompensa, são coisas sobre-humanas; isto se faz pelo dom de fortaleza.
7° Nas paixões do apetite concupiscível nos dirigimos, segundo o modo humano, ao bem da razão, isto é, a que o homem se afixe-se aos bens temporais enquanto necessita deles, o qual se obtém pela temperança. Porém que o homem por reverência à divina majestade considere todas essas coisas como esterco, é também coisa sobre-humana, e isto o faz pelo dom do temor de Deus.
— 3. Dist., 34, q. 1, a. 2
puro suco de brasil, depois de 2022 se alguém ainda não percebeu que esse pais não tem como dar certo, então a pessoa tem que se dar mal mesmo.
O frouxo Bolsonaro será preso pelo regime lula por não ter se vacinado contra covid19. 😂🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣

QUARTA-FEIRA DEPOIS DO TERCEIRO DOMINGO DE PÁSCOA
Pode o homem saber se está em estado de graça?
I. Às vezes convém que ignoremos a presença de Deus pela graça em nós.
1° Para que o temor do juízo futuro nos humilhe. Bem-aventurado o homem que está sempre com temor; mas o que é de coração duro, quer dizer, aquele a quem não afeta o temor do castigo futuro, cairá no mal (Pr 28, 14). Este temor humilha ao homem; pelo qual convém às vezes ignorar se a graça está em nós. São Gregório diz: "Quis Deus que nossos bens nos fossem incertos, a fim de que possuíramos uma graça certa, a humildade".
2° Para que se não lhe precipite a presunçosa segurança. Porque quando disserem paz e segurança, então lhes sobrevirá uma morte repentina (1Ts 5, 3). São Jerônimo diz: "O temor é guardião das virtudes, a segurança faz fácil a queda".
3° Para que esperemos vigilantes e desejosos a graça de Deus. Bem-aventurado o homem que me ouve, e que vela todos os dias à entrada da minha casa... (Pr 8, 34).
II. Às vezes revela Deus a alguns, por privilégio, que têm a graça, para que comece neles, ainda nesta vida, o gozo da seguridade, e com mais confiança e fortaleza levem a cabo obras grandes, e suportem os males da vida presente. No entanto, pode-se conhecer conjunturalmente que se tem a graça por quanto sente deleite em Deus e despreza as coisas mundanas, e que não lhe argüi a consciência de algum pecado mortal. Neste sentido pode interpretar-se o que diz o Apocalipse: Darei ao vencedor maná escondido... o qual ninguém conhece, senão quem o recebe (2, 17), pois o que o recebe o conhece por certa sensação de doçura que não experimenta o que não o recebe.
— S. Th., Iª IIª, q. 112, a. 5
Existem principalmente três sinais pelos quais pode conhecer-se conjunturalmente a presença da graça na alma:
1º O testemunho da consciência, como diz o Apóstolo: Nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência (2Cor 1, 12). Por isso escreve São Bernardo: "Nada mais claro que esta luz, nada mais glorioso que este testemunho, quando o espírito vê na verdade; porém, de que modo? Pudico, modesto, temeroso, circunspecto, sem que nada lhe faça ruborizar-se na presença da verdade. Isto é, certamente, o que deleita aos divinos olhares sobre todos os bens da alma".
2º O gozo da palavra de Deus, não somente para escutá-la, senão também para praticá-la. O que é de Deus ouve as palavras de Deus (Jo 8, 47). A este respeito diz São Gregório: "Está mandado desejar a pátria celestial da verdade, desprezar a glória do mundo, não desejar as coisas alheias e dar esmolas com os próprios bens. Julgue cada qual em sua consciência se esta voz do Senhor prevalece em seus ouvidos e assim saiba se é de Deus".
3º O gozo interior da divina sabedoria, que é como uma antecipação da eterna bem-aventurança. Gostai e vede quão suave é o Senhor (Sl 33, 9), isto é, por sua graça em nós. E Santo Agostinho diz: "Posto que enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor (2Cor 5, 6), experimentemos ao menos quão suave é o Senhor, que nos deu de presente o espírito, pelo qual, experimentamos sua doçura e desejamos ver a mesma fonte, onde seremos purificados com sóbria embriaguez e seremos regados como a árvore que foi plantada junto às correntes de muitas águas". E acrescenta: "Faz, Senhor, te suplico, que goste com amor o que gosto com o conhecimento; sinta o coração o que sinto com o entendimento; eu te devo mais que tudo o que sou; porém nem tu possuo mais, e eu não posso dar-te mais de tudo o que eu sou. Traga-me, Senhor, a teu amor, leva-te a ti tudo o que eu sou".
— De Humanitate Christi
Não entendo mais nada a respeito do Glenn,, não sei como alguém lutou pela verdade, é a mesma pessoa que ajudou um criminoso a sair da cadeia, e ser eleito presidente para instaurar um regime comunista.
É triste ver isso.
Que Deus nos ajude.
"Se o mundo for contra a Verdade, entâo eu serei contra o mundo."
Santo Atanásio

Eu não confio no Glenn, uma jornalista fez graves denuncias contra ele, dizem que a maior parte dos jornalistas do Brasil sofreu uma espécie de blackmail com ajuda do mesmo hacker que vazou dados de operações da justiça brasileira, deu a eles também arquivos comprometedores envolvendo muitos jornalistas.
Centenas de jornalistas que passaram anos denunciando a organização criminosa de Lula da Silva, após encontros com Glenn e seu sócio fundador do intercept (Leandro demori) alguns desses jornalistas dizem que muitos foram coagido a ser uma espécie de linha de defesa de Lula.
Somente uma jornalistas teve coragem pra denunciar o que estava ocorrendo.
Que em uma salinha da sede do jornal intercept, os jornalistas entravam e saíam trêmulos e pálidos.
E a partir daí mudavam totalmente sua postura jornalística.
A jornalista Paula Schimidt fez essa denuncia, relatando que muitos dos colegas dela sofreram algum tipo chantagem, um blackmail.
Que se não passassem a apoiar o regime de lula da Silva, teria suas vidas destruídas.
Estamos largados à própria sorte aqui no Brasil.😅
