Não dá pra ter uma conversa profunda sobre os temas mais elevados que me interessam com basicamente ninguém que conheço pessoalmente, nem os amigos mais próximos. Mesmo com quem consigo tocar no assunto, acaba sendo algo meio raso. Isso é complicado, pois acaba sendo um caminho solitário de aprendizado, sem ninguém para ensinar ou com quem aprender ou só partilhar, o que acaba puxando-me pra baixo.

De qualquer forma, estou ciente da dificuldade em encontrar no Brasil, pessoas que amam o conhecimento e a verdade como fins em si mesmos.

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Discussion

Quanto mais se estuda, menor o grupo de pessoas com quem seria interessante conversar.

A vida de estudos é solitária, quem deseja interação social normalmente ensina.

"Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta o conhecimento aumenta a tristeza."

Ec 1:18

Quanta verdade e sabedoria em apenas duas orações.

Salomão ftw.

Certeiro!

Raro, mas às vezes é divertido e melhor ficar de espectador da bonobada do que estar no meio dela. Pense pelo lado bom.

O lado animal faz parte da sua natureza humana. De vez em quando é bom estar no meio da bonobada.

Cansa-me muito e drena demais a minha energia participar de eventos sociais, mas é bom praticar um esporte coletivo, ir a uma festa ou a uma apresentação de música popular algumas vezes na vida.

Eu já vi o Jon Lord na virada cultural de SP e achei sensacional. Eu era novo e poucas vezes fiquei de madrugada na rua no meio da bonobada. Experiência que guardo até hoje.

Esse tipo de experiência vale a pena, e imagino que deve ter sido inesquecível mesmo. Mas, bonobos fazendo festa no esgoto eu prefiro rir de longe

É muito bom estar entre pessoas que, mesmo sendo bobobas, têm algo em comum contigo.

Outra lembrança boa que tive foi numa apresentação de uma banda brasileira cover do Pink Floyd no Sesc. Que banda boa, nem parecia coisa do Bostil.

Parece que estes eventos com muitas pessoas formam uma egrégora que influencia o nosso lado animal.

Esta música, por exemplo, não tem letra. É puro sentimento visceral. É animal:

https://youtu.be/kK0rpKOEAt0

Sim, tipo um muay thay ou jiu-jitsu. Academia nem dá vontade.

Ainda existe alguns concertos em teatros que valem a pena.

Mas no natal o objetivo principal é engordar para um caralho, e queimar tudo em janeiro!

Festa de empresa eu prefiro enfiar uma faca no estômago (não necessariamente no meu...).

Academia é uma droga. Odeio. Eu gosto mesmo é de fazer cardio. Prefiro correr no parque. Mas eu deveria fazer academia, pois sou muito magro.

Certamente há vantagens também. Tudo vai depender do peso que é dado pra cada coisa.

Quando se busca o conhecimento e a verdade, uma vida de estudos, a consequência imediata é um certo grau de isolamento.

Nesse ponto, é um exercício de fortitude e de compartimentalização. Não seguir o rebanho da moda te torna no mínimo "excêntrico". É quase uma vida monástica.

Depois quando se forma família, a coisa se inverte, vc tenta ficar sozinho, ter um tempo para si e não consegue.

Fazer uma família parece uma forma de passar isso adiante.

Os sábios, os filósofos, os críticos e pensadores são nossos amigos. Só tivemos o azar de não nascer na mesma época ou perto deles.

Toda vez que vc cria algo baseado no conhecimento que adquiriu por meio deles, um diálogo intergeracional é formado.

Sempre foi assim em toda a história. Lembre-se dos gênios das ciências e da literatura que se comunicavam apenas por cartas há apenas algumas décadas passadas. Emanuel Kant nunca saiu de sua cidade natal e influenciou toda uma escola filosófica.

Estabelecer diálogos entre nós e os grandes sábios do passado, ou entre eles mesmos, é tudo o que nos resta. Certamente eles também tiveram a mesma sensação de solidão, de guardar muita coisa sobre o que gostaria de conversar.

O D. Pedro II deve ter vivido uma vida assim. Um homem de grande erudição, mas que vivia numa corte pobre e isolada no sul da América do Sul.

Por isso ele fazia grandes viagens para a Europa para encontrar os gênios de sua época.

Ele sabia que o Império chegaria ao fim quando envelhecesse. Devia ser angustiante apenas esperar o fim.

Todo mundo o elogia como um grande estadista, e em vários pontos era sim. Minha avaliação é um pouco diferente, ele passou todo o reinado, assim como o pai, dando brecha e poder para os inimigos da igreja e da monarquia. Pagou, ou melhor, pagamos o preço com a república medíocre e corrupta.

Se fosse mais dedicado as questões do poder, entregasse a coroa a virgem seguindo a tradição de Portugal, ao invés de perseguir a igreja e dar poder p maçom, talvez fossemos outra nação. As repúblicas ao redor tremeriam e provavelmente estariam hoje falando português.

Não existe vácuo de poder, e se os virtuosos abdicam de exerce-lo, os mais e corruptos o tomam.

Com muito custo o D. Pedro II manteve a unidade do império. Uma guerra externa e diversas revoltas internas que mostraram a fragilidade do seu reinado.

Pedro ll não herdou do pai o espírito combativo. Era um intelectual muito democrata e limpinho para uma época que exigia o vigor que seu pai tinha.

Nesse período quem detinha o poder político de fato eram os maçons e os membros da bucha.

Sim, mas o poder se mantém ou se toma, e em última instância, na época o maior poder de fato no Brasil era o da coroa, apesar do que falam os historiadores do "não podia fazer nada" e seus descendentes "low testo" maçons.

Dom Pedro II preferia ficar brincando com pedras e viajando do que tratar de questões de Estado.

Muito inteligente, mas estava longe de ser um sábio ou previdente, deve ter seido um rei que não desenvolveu sua vocação, provavelmente pela influência liberal maçônica, e devia sofrer muito por isso.

Tinha uma necessidade estranha de ser adorado pela população pela sua simplicidade e simpatia. Lembra alguém ?

Quem deu abertura para os maçons e os "adevogados" de São Paulo foi quem? Quem liberou cargos a rodo para o inimigo enquanto desobedecia o Papa da época, prendia bispos e trabalhava ativamente para reduzir o número de sacerdotes?

As vezes a gente tenta entender a situação como se o rei não tivesse escolha, mas ele tinha sim opções, e escolheu mal. Quem não destrói o inimigo é destruído por ele.

Foi fraco, não teve punho firme e atacou quem não deveria. Foi avisado pelo próprio Leão XIII e não deu ouvidos. Flertou com a maçonaria e perseguiu a religião que fundou o seu próprio império.

Sinceramente, falam que D. Pedro II foi o maior do brasileiros. Pra mim, tá mais pra um covarde. Intelectual? Sim, claro, mas covarde.

O almirante Joaquim Marques Lisboa ofereceu ajuda e ele recusou. Com a ajuda da marinha, o golpe seria facilmente impedido.

Eu acho engraçado o paralelo q ele tem com Bolsonaro. Os intelectuais e historiadores que admiram um, geralmente também admiram o outro.

Esses historiadores didireita reclamam dos diesquerda, mas também se deixam mover pelas opiniões.

Nunca pensei nesta ponte, mas faz sim bastante sentido. Tirando o fato óbvio que um era culto enquanto o outro é boçal e as circunstâncias de cada época, ambos trataram o poder com descaso. E, quando o governante não usa o poder que detém contra seus inimigos, seus inimigos o usam contra o governante em exercício.

Sofria de depressão, minha dúvida é se a depressão gerou a apatia que se traduziu em covardia, ou se foi o contrário.

Com certeza o Bonifácio e outros maçons o distrairam e "torraram" a mente dele com bobagens e coisas menos importantes desde a infância.

O preço da saida da caverna é alto.