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pollyanna
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mas de onde veio o seu pensamento? você pensou em que?

hahahaha me conta um movimento seu separado de tudo o mais?

não sei se existe o movimento de um separado de tudo o mais que existe

eu sempre acreditei nisso também, mas agora vejo que não. eu tenho visto que tudo, absolutamente tudo o que eu vejo no mundo, nas coisas e nos outros, é o meu olhar que vê, é ele que nomeia, portanto é algo que está em mim. mesmo que eu veja coisas muito difíceis de ver. eu sempre encontro algo em mim que é análogo ou sustenta a ação do outro. mesmo que seja algo que quando eu faço parece bom, parece cuidadoso ou amoroso. e quando eu olho de verdade para as dores do mundo, e eu vejo que as sustento e assumo a responsabilidade pela parte que me cabe sem me identificar com a salvadora do mundo, mas em estado de abertura para ser transformada, eu vejo que algo muda em mim e me coloca em contato mais íntimo com a vida e eu sei que não fui eu sozinha e eu sei que não fui só eu que me transformei.

not very often. when I do this, despite the discomfort and with an open heart, it is always very powerful and I see something I couldn't see before. but for that, I need to get rid of my ego, so I only end up doing it with people I feel very safe with.

I don't see it like that. I think being conscious of your pain and being in a safe space that allows you to feel is always helpful. but what I agree it misses is the possibility to go beyond the ego, because the therapist must also be willing to dismantle his own ego while listening. but it's not a therapy issue, but something we all stuggle with.

eu passei muitos momentos da minha vida tentando trazer luz e alegria para a vida da minha mãe. eu estava sempre escrevendo algo para que ela soubesse que eu a via e o quanto ela era importante. nada disso foi suficiente para eu sentir qualquer diferença no modo como ela vivia - eu achava que ela era triste e eu não era boa o suficiente para fazê-la feliz.

outro dia eu achei uma foto dela com um sorriso radiante e me espantei, como se fosse raridade. meu irmão me repreendeu afirmando que ela era, sim, feliz. na hora eu só pensei que ele não a via tanto quanto eu, mas a verdade é que eu não a via. eu enxergava o que eu queria: alguém que precisava de mim para ser feliz, para lhe aliviar a carga da vida, para sentir. e acho que me doía constatar todo dia que ela não precisava de nada disso.

a felicidade não é um estado, mas um princípio da vida. é de onde a vida brota. e talvez essa vida não acabe com a morte.

eu continuo escrevendo sobre ela, conversando com ela em meus escritos, mas tem ficado cada vez mais claro que eu escrevo por mim. e ela tem sido a minha ponte para conversar com a vida.

esse fato sempre foi um alento pra nós. ele tinha 39 anos e foi um acidente, então foi bem inesperado. recebemos essa música como uma mensagem de que está tudo certo, mesmo sendo desafiador lidar com tudo. a vela na janela virou o momento de lembrarmos de confiar na vida.

em um domingo, no dia de 19 de março de 2006, meu pai morreu. naquela manhã ele pediu que meu primo imprimisse para ele a tradução (para o português) da música "long as I can see the light", do Creedence. todo dia 19, minha irmã e eu colocamos uma vela acesa na janela.

hoje de manhã eu fiquei uns 15minutos sozinha em casa e resolvi me gravar cantando e vou compartilhar aqui. eu não sei cantar e sou péssima com o tempo das músicas, então não escute se quiser ouvir algo de boa qualidade. 😋

https://video.nostr.build/be0be4cae67434c018efccf3185fd728823065e0caecf9261bd92095af59445b.mp4

happy birthday, john! may you recognize this unchanging space throughout your life and also notice the little changes that happen all the time. thank you for your writings and your open heart.

de que estou*

talvez não estivesse. mas agora estou.

a gente tem muito medo do espanto que é estar presente na vida, quer sempre antecipar tudo pra não correr o risco de sentir tudo à flor da pele, e com todos os sentidos. porque a presença é mesmo como um assustar-se com o inédito.

a gente faz tanta coisa pra provocar essa sensação de arriscar-se, quando na verdade o que queremos é simplesmente correr o risco da presença.