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Petra Veritatis
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MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

4 DE AGOSTO

A imprudência

Na casa do justo há tesouro precioso e azeite; porém um insensato dissipará tudo. (Pr 21, 20).

I. O tesouro espiritual da graça não se perde pelo pecado, mas se perde pela imprudência; logo a imprudência é pecado.

Chama-se imprudência o que comete alguém quando carece da prudência que naturalmente deve ter, e segundo isto a imprudência é pecado por conta da negligência, pela qual alguém não põe empenho em adquirir a prudência. Também se diz que há imprudência quando a razão se move ou age de um modo contrário à prudência; por conseguinte, se isto tem lugar pelo apartamento das regras divinas, é pecado mortal; por exemplo, se alguém, como que desprezando e rechaçando as advertências divinas, age precipitadamente; porém, se age fora delas sem desprezo nem detrimento do necessário para a salvação, então é pecado venial.

II. A imprudência é um pecado geral por participação; porque assim como a prudência é participada em certo modo por todas as virtudes, enquanto é diretiva delas, assim também a imprudência o é por todos os vícios e pecados; porque nenhum pecado pode ter lugar se não existe defeito em algum ato da razão diretiva, o qual pertence à imprudência.

Também é um pecado geral a imprudência se contém sob si diversas espécies, e isto de três modos:

Primeiro, por oposição à diversas partes subjetivas da prudência; porque assim como a prudência se distingue em monástica, que é diretiva de um só, e em outras espécies, que são diretivas do vulgo, assim também a imprudência.

Em segundo lugar, segundo as partes como potenciais da prudência, que são as virtudes adjuntas, e se consideram segundo os diversos atos da razão, e deste modo, quanto ao defeito de conselho, é precipitação ou temeridade; quanto ao defeito de juízo, é inconsideração; quanto ao mesmo preceito, que é o ato próprio da prudência, é inconstância e negligência.

Terceiro, por oposição à coisas que se requerem para a prudência, que são como partes integrantes desta virtude. Mas porque todas aquelas se ordenam a dirigir os três atos mencionados da razão, todos os defeitos opostos se reduzem às quatro partes indicadas, como a falta de precaução e de circunspecção se incluem na inconsideração; porém que alguém aja contra a docilidade, da memória ou da razão, pertence à precipitação, como a imprevisão e defeito de inteligência e de habilidade pertencem à negligência e à inconstância.

-S. Th. IIª IIæ, q. 53, a. 1 e 2

“A man who governs his passions is master of the world. We must either rule them, or be ruled by them. It is better to be the hammer than the anvil.”

-St. Dominic

August 4 - Feast of St Dominic

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

4 DE AGOSTO

A preguiça ou acídia

1º A preguiça é pecado.

Porque "é certa tristeza agravante", que de tal modo deprime o ânimo do homem, que lhe tira a este o prazer de fazer o que quer que seja. Por esta razão leva consigo certo tédio em agir, pelo que sobre aquilo do Salmo: A sua alma aborrecia toda a comida (S1 106, 18), diz a Glosa que a preguiça é adormecimento da alma, remissa em começar o bem.

Semelhante tristeza é má em si, porque se refere ao que é mal aparente, porém verdadeiro bem, como quando se refere ao que é bem espiritual e interno, que não pode ser mal senão aparentemente, enquanto se opõe aos desejos carnais. Mas também é má a tristeza acerca do mal verdadeiro, por seus efeitos, se de tal modo sobrecarrega o homem que lhe retraia totalmente de uma ação boa. E por conseguinte a preguiça, isto é, a tristeza do bem espiritual, é pecado.

O ataque da tristeza há de ser superado resistindo; quer dizer, pelo contínuo pensar, pois quanto mais pensamos sobre os bens espirituais, tanto mais agradáveis se nos fazem; e por isto cessa a preguiça.

2º A preguiça é vício especial, não enquanto se retraia do bem espiritual em geral, pois todo vício se aparta do bem espiritual da virtude oposta; nem tampouco enquanto se entristece do bem divino. Porque todos os bens espirituais, que existem nos atos de cada uma das virtudes, ordenam-se a um só bem espiritual, que é o bem divino, objeto de uma virtude especial, que é a caridade. Pelo que a toda virtude corresponde alegrar-se do próprio bem espiritual que consiste no próprio ato; porém a caridade pertence especialmente àquele gozo espiritual pelo qual alguém se regozija do bem divino. Do mesmo modo, a tristeza do bem espiritual, que existe nos atos de cada uma das virtudes, não pertence a um vício especial, senão a todos os vícios; ao passo que entristecer-se do bem divino, do que goza a caridade, pertence ao vício especial chamado preguiça.

3º A preguiça é pecado mortal.

Porque se chama pecado mortal o que tira a vida espiritual, que é o efeito da caridade, segundo a qual Deus habita em nós; e por conseguinte é por seu gênero pecado mortal aquele que segundo sua própria natureza contraria a caridade. Tal é a preguiça; porque o efeito próprio da caridade é o gozo de Deus, mas a preguiça é a tristeza do bem espiritual enquanto é bem divino.

Porém se o movimento da preguiça se dá unicamente na sensualidade por causa da repugnância da carne contra o espírito, então é pecado venial; porém se chega até a razão, que consiste na fuga e em horror e detestação do bem divino, então é pecado mortal.

-S. Th. IIª IIæ, q. 35, a. 1, 2 e 3

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

3 DE AGOSTO

A necedade ou estultícia

1. A necedade leva consigo ao embotamento do coração e à estupidez dos sentidos. O embotamento é contrário à penetração do espírito, pois se diz por analogia que o entendimento é agudo quando pode penetrar no mais profundo das coisas que se lhe propõem. Daí que o embotamento da mente seja o que impede que esta penetre até o íntimo das coisas. Chama-se néscio ao homem porque julga mal do fim comum da vida, razão pela qual se opõe propriamente à sabedoria; que forma um juízo exato da causa universal.

-S. Th. IIª IIæ, q. 8, a. 6, ad Ium

II. A necedade é pecado; porque importa certo estupor do sentido no julgar, e principalmente com respeito à causa altíssima, que é o fim último e o sumo bem, acerca do qual pode alguém experimentar estupor em seu juízo de duas maneiras: Primeiro, por indisposição natural, como se vê nos dementes, e tal necedade não é pecado; segundo, porque o homem submerge seu sentido nas coisas terrenas, o qual faz incapaz o sentido para perceber as coisas divinas como diz o Apóstolo: O homem natural não percebe aquelas coisas que são do Espírito de Deus (1Cor 2, 14); assim como também ao homem que tem o gosto corrompido pelos maus humores não se lhe está bem as coisas doces; e tal necedade é pecado.

-S. Th. IIª IIæ, q. 46, a. 2

III. A necedade é filha da luxúria; porque a necedade, enquanto é pecado, provém de que o sentido espiritual está embotado, até o ponto em que não está apto para julgar das coisas espirituais. O sentido do homem se entrega principalmente às coisas terrenas pela luxúria, a qual tem por objeto os grandes deleites, que absorvem sobretudo a alma; e, portanto, a necedade, que é pecado, nasce principalmente da luxúria.

À necedade pertence que o homem se desgoste de Deus e de seus dons. Pelo que São Gregório enumera entre as filhas da luxúria a duas que pertencem à necedade, quer dizer, o ódio de Deus e a desesperação do século futuro, como dividindo à necedade em duas partes.

-S. Tb. IIª IIæ, q. 46, a. 3

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

2 DE AGOSTO

Amor desordenado de si mesmo

Aquele que ama a iniquidade, odeia a sua alma (SI 10, 6).

I. Diz-se que o homem é alguma coisa segundo sua principalidade; mas o principal no homem é o espírito racional; o secundário é a natureza sensitiva e corporal. Ao primeiro chama o Apóstolo homem interior; ao segundo, exterior (2Cor 4). Os homens bons crêem que o principal neles é a natureza racional, ou seja, o homem interior, pelo que pensam, segundo isto, ser o que são; ao passo que os maus consideram como principal neles a natureza sensitiva e corporal, isto é, o homem exterior; pelo qual, como não se conhecem retamente a si mesmos, não se amam verdadeiramente; senão que amam o que eles opinam ser eles mesmos.

II. Porém os bons, conhecendo-se verdadeiramente a si mesmos, amam-se também verdadeiramente. E isto se prova por cinco coisas, que são próprias da amizade.

1° Todo amigo quer antes de tudo que seu amigo exista e viva;

2° quer bens para ele;

3° executa coisas boas para ele;

4° vive com ele agradavelmente;

5° concorda com ele, compartilhando por igual suas penas e suas alegrias.

Segundo isto, os bons se amam a si mesmos quanto ao homem interior, porque querem conservá-lo em toda sua integridade, e lhe desejam bens, que são os bens espirituais; dedicam sua atividade a consegui-los e com gosto voltam a seu próprio coração, porque nele encontram bons pensamentos para o presente, a recordação das boas ações passadas e a esperança das futuras, pelas quais se produz o deleite. Igualmente não toleram em si mesmos a dissensão da vontade, porque toda sua alma tende para um mesmo fim.

III. Pelo contrário, os maus não querem conservar-se na integridade do homem interior, nem lhes apetecem os bens espirituais, nem trabalham com esse fim, nem lhes agrada viver com ele voltando a seu coração, porque ali encontram males tanto presentes como passados e futuros, que aborrecem; nem mesmo concordam com ele porque sua consciência lhes remorde, segundo aquilo do Salmo: Argüir-te-ei e porei (tudo) diante dos teus olhos. (Sl 49, 21). Da mesma maneira pode provar-se que os maus se amam a si mesmos segundo a corrupção do homem exterior; porém não é assim como os bons se amam a si mesmos.

Assim, pois, o amor de si mesmo, que é o princípio do pecado, é o que é próprio dos maus e chega até ao desprezo de Deus; porque os maus desejam os bens exteriores até o ponto de desprezar os espirituais.

-S. Th. IIª IIæ, q. 25, a. 7

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

1° DE AGOSTO

A carência de esperança ou desesperação

I. A infidelidade provém de que o homem não crê na mesma verdade de Deus; o ódio a Deus provém de que a vontade do homem é contrária à bondade divina; mas a desesperação provém de que o homem não espera participar da bondade de Deus. Donde se deduz que a infidelidade e o ódio a Deus são contrários a Deus enquanto é em si mesmo; porém a desesperação o é porquanto sua bondade é participada por nós. Por conseguinte, é maior pecado, absolutamente falando, não crer na verdade de Deus ou ter ódio a Deus, que não esperar conseguir d'Ele a glória.

Por si, se se compara a desesperação com os outros dois pecados com relação a nós, é mais perigosa a desesperação, porque por ela nos apartamos das boas obras, e nos dirigimos a prosseguir as más; pelo que, desaparecendo a esperança, os homens se entregam desenfreadamente aos vícios, e se retraem das boas obras. Por isso, sobre aquilo dos Provérbios: Se, desalentado, perderes a esperança, no tempo da adversidade, desabará a tua fortaleza (Pr 24, 10), diz a Glosa: "Nada é mais execrável que a desesperação; o que cai nela perde a constância nos sofrimentos gerais desta vida, e, o que é pior, nos combates da fé". E Santo Isidoro acrescenta: "Cometer um pecado grave é a morte da alma, porém desesperar é precipitar-se no inferno".

II. De duas maneiras alguém pode desesperar-se de obter a bem-aventurança: uma, porque não a considera um bem árduo, e outra, porque não crê na possibilidade de que seja alcançada, seja por si, seja por outro. Mas ao não considerar os bens espirituais como bens, ou ao desconhecer-lhes um grande mérito, somos guiados porque nossos afetos estão infeccionados pelo amor dos deleites corporais, entre os que os mais principais são os deleites carnais; posto que do afeto a tais deleites procede que o homem se farte dos bens espirituais e não os espere como certos bens difíceis, e segundo isto a desesperação é causada pela luxúria.

Porém, o fato de que alguém considere que não é possível atingir um bem árduo, por si ou por outro, se deve ao excessivo abatimento que, quando domina o afeto do homem, lhe infunde a crença de que ele nunca pode elevar-se a um bem qualquer. E como a preguiça é certa tristeza que deprime a alma, por este motivo a desesperação é filha da preguiça.

Parece certo que a esperança procede da consideração dos benefícios divinos, e principalmente da consideração da Encarnação. Porém também a negligência em considerar os benefícios divinos provém da preguiça; porque o homem afetado de alguma paixão pensa principalmente nas coisas que se referem a essa paixão. Por conseguinte, o homem sobrecarregado pala tristeza não pensa facilmente em coisas grandes e agradáveis, senão somente nas tristes; a não ser que com grande esforço se aparte das coisas tristes.

-S. Th. IIª IIæ, q. 20, a. 3 e 4

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

31 DE JULHO

Necessidade de ter o coração firmado em Deus pela graça habitual ou santificante para evitar os pecados

1. No estado de natureza corrompida necessita o homem da graça habitual que cura a natureza para abster-se totalmente do pecado.

Essa cura se verifica primeiro na vida presente quanto ao espírito, mesmo antes que o apetite carnal esteja todavia reparado totalmente. Por isso o Apóstolo em pessoa diz do homem reparado: Eu mesmo sirvo à lei de Deus com o espírito; e sirvo à lei do pecado com a carne. (Rm 7, 25).

Nesse estado pode o homem abster-se de todo pecado mortal, que consiste na razão, mas não de todo pecado venial, por causa da corrupção do apetite inferior da sensualidade, cujos movimentos podem reprimir-se um a um pela razão, e disto provém que tenham razão de pecado e de voluntário; ainda que não todos, pois quando se esforça por resistir a um, talvez surja outro, e também porque a razão não pode estar sempre alerta para evitar estes movimentos.

II. Do mesmo modo, antes que a razão do homem, na qual está o pecado mortal, seja reparada pela graça santificante, pode evitar cada um dos pecados mortais durante algum tempo, porque não é necessário que peque continuamente em ato; porém não pode ser que permaneça durante muito tempo sem pecado mortal, pelo qual diz São Gregório: "O pecado que nos é apagado prontamente pela penitência, atrai a outro por seu próprio peso".

Porque assim como o apetite inferior deve estar submetido à razão, igualmente esta deve submeter-se a Deus e pôr n'Ele o fim de sua vontade. E pois é necessário que todos os atos humanos sejam regulados pelo fim, como pelo ditame da razão devem estar regulados os movimentos do apetite inferior; infere-se daqui que, não estando a razão do homem totalmente sujeita a Deus, é lógico que ocorram muitas desordens nos mesmos atos da razão, porque como o homem não tem afirmado seu coração em Deus, de modo que não queira separar-se d'Ele para conseguir algum bem ou para evitar algum mal, ocorrem muitas ações desordenadas. Para conseguir ou evitar estas, o homem se aparta de Deus desprezando seus preceitos, e assim peca mortalmente; sobretudo porque "nas coisas repentinas o homem age segundo um fim preconcebido e conforme com o hábito pré-existente", se bem é certo que pela premeditação de sua razão o homem pode agir algo fora do fim pré-concebido e da inclinação do hábito.

Mas como o homem não pode insistir sempre na premeditação, não pode suceder que permaneça muito tempo sem agir segundo a conveniência de sua vontade desordenada com respeito a Deus, se a graça não o devolve prontamente à ordem devida.

-S. Th. Iª IIæ, q. 109, a. 8

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

29 DE JULHO

É mister evitar a solicitude excessiva das coisas temporais e buscar uma só coisa

Marta, Marta, tu afadigas-te e andas inquieta com muitas coisas. Entretanto uma só coisa é necessária (Lc 10, 41-42).

1. A solicitude das coisas temporais pode ser ilícita de três maneiras:

Primeiro, da parte do objeto de que nos inquietamos, isto é, se buscamos nas coisas temporais nosso fim último.

Segundo, pelo supérfluo estudo que se põe para procurá-las, pelo qual o homem se retrai das coisas espirituais, às quais preferentemente deve dedicar-se. Por isso diz: Os cuidados deste século... sufocam a Palavra de Deus (Mt 13, 22).

Terceiro, pelo temor exagerado de que se nos falte o necessário se fazemos o que é de nosso dever; o qual foi proibido pelo Senhor, por três motivos: primeiro, pelos maiores benefícios dados por Deus ao homem, sem solicitude de sua parte, quais são o corpo e a alma; em segundo lugar, por causa dos animais e das plantas, segundo suas necessidades sem intervenção do homem; e em terceiro lugar, pela Divina Providência, por ignorância da qual os gentios se dedicam mais principalmente a buscar os bens temporais.

Por isto conclui que nossa solicitude deve ter principalmente por objeto os bens espirituais, esperando que também se nos darão os bens temporais de acordo com a necessidade, se cumprirmos o que devemos.

-S. Th. IIª IIæ, q. 55, a. 6

II. Devemos buscar uma só coisa: Entretanto, uma só coisa é necessária (Lc 10, 42).

Estando Marta muito atarefada em muitas coisas, quis o Senhor atraí-la a uma só. A perfeição do homem consiste em que seu coração se ligue a uma só, já que quanto maior unidade haja nele, tanto mais semelhante é a Deus, que é verdadeiramente uno. Uma só coisa peço ao Senhor (Sl 26, 4). Porém contra isso padece o que busca as riquezas ou as coisas do mundo, pois se enche de muitos desejos, e seu coração é arrastado a coisas diversas.

- In Iam Tim., VI

Por isso também o Espirito Santo realizou a purificação da Santíssima Virgem, como que preparando-a para a concepção de Cristo; essa purificação não foi de alguma impureza de culpa ou de concupiscência, senão que consistiu em reconcentrar mais profundamente sua alma em uma só coisa, e em separá-la da multidão.

-S. Th. IIIª, q. 27, a. 3 ad 3um

Essa unidade, à qual se adere o homem pela caridade, é Deus. Nisto consiste a perfeição do homem: em unir-se a Deus pela caridade. A alma pode unir-se perfeitamente a Deus de duas maneiras: referindo a Deus todas as suas ações e conhecendo-o na forma em que é cognoscível, o qual se verifica no céu.

Porém a adesão a esta vida em que estamos é dupla: uma necessária para a salvação, à qual todos estão obrigados, quer dizer, que ninguém deve aplicar seu coração ao que é contra Deus. Senão que habitualmente deve referir a Ele toda a vida. Acerca deste modo diz o Senhor: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espirito (Mt 22, 37). A outra forma é de super-rogação, quando alguém se une a Deus para além do estado comum a todos, o qual se verifica apartando o coração das coisas temporais, e assim aproxima-se mais à pátria celestial, porque quanto mais se debilita a ambição, tanto mais cresce a caridade.

- In Phil. III

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

28 DE JULHO

A duração da contrição

1. A contrição deve durar até o fim da vida.

Na contrição existe uma dupla dor: uma da razão, que é a detestação do pecado cometido; outra da parte sensitiva, que é conseqüência daquela. Para as duas o tempo da contrição é o estado de toda a vida presente. Enquanto ainda se está em estado de viandante, detesta os inconvenientes que lhe retardam ou impedem chegar ao término do caminho; e como pelo pecado passado se retarda nossa marcha para Deus, porque não pode recuperar-se o tempo que estava destinado para correr, é necessário que sempre durante esta vida persista o estado de contrição, quanto à detestação do pecado. O homem deve sempre condoer-se de haver pecado; porque, se lhe agrada haver pecado, por isso mesmo incorreria já em pecado, e perderia o fruto do perdão.

O mesmo deve-se dizer da dor sensível, que é inspirada pela vontade como uma pena; porque se o homem ao pecar mereceu pena eterna, e pecou contra Deus eterno, depois que a pena eterna foi comutada em pena temporal, deve conservar em si uma dor eterna, quer dizer, durante todo o estado desta vida. E por isso diz Hugo de São Vitor que Deus, ao absorver da culpa e da pena eterna o homem, ata-o com o vínculo de uma detestação perpétua do pecado. A dor de contrição corresponde à culpa por parte da aversão, da qual recebe certa infinidade; pelo que também a contrição deve perdurar sempre.

A penitência interior, com a qual nos doemos do pecado cometido, e também a penitência exterior, com a qual se dão sinais exteriores de dor, pertence ao estado dos incipientes, quer dizer, dos que recentemente retornaram do pecado. Porém a penitência interior se dá também nos que já progrediram e nos perfeitos, segundo aquilo do Salmo: Preparou elevações no seu coração, neste vale de lágrimas (SI 83, 7). Por isso dizia o Apóstolo: Não sou digno de ser chamado Apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus (1 Cor 15, 9).

II. De que modo deve a contrição ser contínua.

Como a contrição é, por um lado, certo desagrado experimentado pela razão, sendo um ato da virtude de penitência, nunca pode ser superflua, nem quanto a sua intensidade nem quanto a sua duração, senão unicamente no caso de que o ato de uma virtude impeça o ato de outra mais necessária em um momento. Pelo que quanto mais continuamente pode o homem permanecer nos atos desse desagrado, tanto melhor é, com tal razão que a seu tempo se dedique aos atos das outras virtudes, segundo convenha.

Porém as paixões podem ter algo de mais e de menos, quanto à sua intensidade e quanto à sua duração. E, por conseguinte, assim como a paixão da dor que a vontade ordena deve ser moderada em sua intensidade, assim deve sê-lo em sua duração, a não ser que, se se prolonga em demasia, caia o homem na desesperação ou na pusilanimidade e em outros vícios semelhantes.

-4, Dist., XVII, q. 2

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

27 DE JULHO

A contrição

1° Deve ser máxima.

Na contrição há uma dupla dor. Uma na vontade, que é essencialmente a contrição mesma, a qual não é outra coisa que o desgosto pelo pecado passado, e tal dor na contrição excede a todas as outras dores, porque, quanto mais agrada uma coisa, tanto mais desagrada sua contrária. Pois bem, o fim último agrada sobre todas as coisas, já que todas as coisas se desejam por ele; logo o pecado, que aparta do fim último, deve desagradar sobre todas as coisas.

Existe outra dor na parte sensitiva, e não é necessário que esta dor seja máxima. Porque maior dor há na parte sensitiva por uma lesão sensível, que a que se experimenta na razão por repercussão. Porque a dor da parte sensitiva, procedente do desagrado que na razão produz o pecado, não é maior que as outras dores sensíveis, seja porque o sentimento inferior não está submetido em sua vontade ao superior a tal ponto que uma emoção ou outra esteja na parte inferior em tal medida que ordena a parte superior; seja porque as emoções que provêm da razão nos atos virtuosos estão submetidas a determinada medida; a que nem sempre se guarda na dor não virtuosa, porque às vezes a excede.

2° De que modo pode ser excessiva a contrição.

A contrição por parte da dor que está na razão, isto é, do desgosto que produz o pecado enquanto é ofensa de Deus, não pode ser excessivo, como tampouco pode ser excessivo o amor de caridade, que inspira tal displicência. Porém a dor sensível pode ser excessiva, como também a aflição exterior do corpo. Em tudo isto deve tomar-se por medida a obrigação de conservar-se em estado de cumprir seus deveres. Por isso diz o Apóstolo: Seja racional o vosso obséquio (Rm 12, 1).

3º A contrição deve ser maior para um pecado que para outro.

Podemos considerar a contrição de dois modos: um, enquanto a contrição responde separadamente a cada um dos pecados, e assim quanto à dor do afeto superior se requer que sinta mais dor por um pecado maior, porque a razão da dor é maior em um caso que em outro, quer dizer, a ofensa de Deus; pois Deus se ofende mais por um ato mais desordenado. Igualmente, também, como quer que à maior culpa se deva uma maior pena, a dor da parte sensitiva deve ser maior por um pecado mais grave.

Em outro aspecto, pode considerar-se a contrição enquanto se estende simultaneamente a todos os pecados, como no ato da justificação, e assim, habitual e virtualmente, é maior em um pecador que em outro. Pois quem se dói de haver ofendido a Deus, dói-se implicitamente de maneira diversa, segundo o que por eles tenha ofendido mais ou menos a Deus. Mesmo quando qualquer pecado mortal aparta de Deus e tira a graça, no entanto, uns aleijam-se mais que outros, enquanto que um pecado está mais em desacordo em sua desordem com respeito à ordem da divina bondade, que outro pecado.

-4, Dist., XVI, a. 3

Políticos americanos servem aos mesmos interesses, e não são os interesses do povo americano. 🤭🤭

Mamacos protestantes rejeitam os escritos patristicos pois eles apontam para toda a doutrina da Igreja católica.

Coitadas das almas que caem na lábia protestante.

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

26 DE JULHO

Os resquícios do pecado

Lê-se em São Marcos que o cego, iluminado pelo Senhor, recobrou primeiramente a vista imperfeita. Por isso disse: Vejo os homens que me parecem árvores que andam (Mc 8, 24); depois a recobrou perfeita, de modo que começou a ver claramente (Mc 8, 25). A iluminação do cego significa a liberação do pecador. Logo após a primeira remissão da culpa, pela qual é restituída ao pecador a vista espiritual, ainda ficam nele alguns resquícios do pecado passado.

O pecado mortal, por parte da conversão desordenada ao bem mutável, produz na alma uma certa disposição, ou também hábito, se o ato é reiterado freqüentemente. Mas a culpa do pecado mortal se perdoa enquanto se tira pela graça a aversão da mente a Deus.

Porém, retirado o que produz a aversão, pode subsistir o que provém da conversão desordenada, e sucede que esta pode estar sem aquela. Por conseguinte, nada impede que, perdoada a culpa, permaneçam as disposições causadas pelos atos precedentes, que se dizem relíquias ou resquícios do pecado; permanecem, no entanto, debilitadas e diminuídas, de modo que não dominem o homem; e isto melhor como disposições que como hábitos, e também fica o ímpeto da concupiscência depois do Batismo.

Diz Santo Agostinho: "Nunca curou o Senhor a alguém, sem havê-lo curado totalmente; e assim curou a um homem por completo num sábado, pois livrou seu corpo de toda enfermidade e a sua alma de todo contágio".* É certo que Deus cura perfeitamente a todo o homem; porém algumas vezes o faz subitamente, como restituiu à saúde no ato à sogra de São Pedro, De tal modo que ela levantando-se logo, servia-os (Le 4, 39); porém, outras vezes, o faz sucessivamente, segundo o dito do cego iluminado. Do mesmo modo toca algumas vezes espiritualmente o coração do homem de tal forma que consiga instantaneamente a saúde espiritual perfeita, não somente pela remissão da culpa, senão também tirando-lhe todas os resquícios do pecado, como no caso de Madalena. Mas, às vezes, perdoa primeiro a culpa pela graça operante, e depois, pela graça cooperante, tira sucessivamente as relíquias do pecado.**

-S. Th. III, q. 86, a. 5

* Parece que a citação é de um outro autor, De vera et falsa poemat, cap. 9.

** O que entende Santo Tomás por graça operante e cooperante, nos disse em outro lugar (Suma teológica la llae, q. 111, art. 2). "A ação de algum efeito não se atribui ao ser movido senão ao ser movente. Assim, pois, naquele efeito em que nossa mente é movida e não é movente, mas somente Deus é movente, a ação se atribui a Deus, e neste sentido se chama graça operante. Porém naquele efeito no qual nossa mente move e é movida, a ação não se atribui somente a Deus, senão também à alma; e neste sentido se chama graça cooperante.

In your charity, please #pray for Bishop da Silva of Brazil, who is hospitalized in Mexico for pneumonia, and may be intubated.