Monsenhor Rodrigo da Silva e Revendo Padre Gilberto, celebrando São João na Missão Católica Tradicional no Pará.
O católicismo vai sobrevivendo em pequenas comunidades como escreveu Santo Atanásio.
"Ainda que os católicos fiéis a Tradição seja reduzido a um pequeno punhado, são eles a verdadeira igreja católica".
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CORREÇÃO: O LOCAL É SÃO JOSÉ DOS CAMPOS-SP, E NÃO NO PARÁ COMO DISSE ACIMA
Conheço, mas não recomendo, nos últimos tempos o frei Thiago tem causado muitos escândalos ao meio tradicionalista.
Recomendo apenas o Seminário São José e o Canal Controvérsia católica do Sr. Diogo.
Monsenhor Rodrigo da Silva e Revendo Padre Gilberto, celebrando São João na Missão Católica Tradicional no Pará.
O católicismo vai sobrevivendo em pequenas comunidades como escreveu Santo Atanásio.
"Ainda que os católicos fiéis a Tradição seja reduzido a um pequeno punhado, são eles a verdadeira igreja católica".
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Monsenhor Rodrigo da Silva e Revendo Padre Gilberto, celebrando São João na Missão Católica Tradicional no Pará.
O católicismo vai sobrevivendo em pequenas comunidades como escreveu Santo Atanásio.
"Ainda que os católicos fiéis a Tradição seja reduzido a um pequeno punhado, são eles a verdadeira igreja católica".
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MEDITAÇÕES PARA EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
- 2° DIA -
Recuperação da caridade primeira
1° Mas tenho contra ti que deixaste a tua primeira caridade (Ap 2, 4).
Tua primeira caridade, quer dizer, o estado de teu primeiro amor, de quando eras fervoroso, abandonas-te por tibieza e deixaste o tédio excessivo invadir-te. Assim muitos, que deveriam progredir de bem a melhor, desfalecem e caem do alto a baixo, como a estátua de Nabucodonosor (Dn 2, 32), com a cabeça de ouro, o peito de prata, o ventre de cobre, as pernas de ferro, uma parte dos pés de ferro e a outra de barro.
2° Lembra-te pois donde caiste (Ap 2, 5), isto é, de que estado e dignidade, e como cedeste a um ligeiro empuxe de vento, a uma pequena tentação. Caímos todos como a folha (Is 64, 6). Todo o que peca, considere de onde caiu, para onde e por quê. Donde, quer dizer, do céu onde estava com a esperança, o pensamento e o mérito. Aonde, quer dizer, na terra, porque não pensa mais que em coisas terrenas. Por quê, por soberba. Como caíste do céu, ó astro brilhante, filho da aurora? Como caíste por terra, tu que ferias as nações? (Is 14, 12). Por isso se diz ao pecador: Donde vem, ó Israel, estares tu na terra dos teus inimigos, teres envelhecido em terra estranha, haveres-te manchado com os mortos e colocado entre os que descem ao sepulcro (Br 3, 10-11).
3º Arrepende-te e volta às tuas primeiras obras (Ap 2, 5). Vê os vestígios de teus pés no vale, considera o que ali fizeste (Jr 2, 23), faz penitência doendo-te de coração, confessando com a boca, satisfazendo com as obras; as quais coisas são três remédios dos penitentes que voltam a Deus e fogem para o Egito. O Deus dos hebreus chamou-nos, para que andemos três dias de caminho pelo deserto (Ex 5, 3). As três varas são três dias ainda, depois dos quais se lembrará o Faraó dos teus serviços e te restituirá ao antigo cargo (Gn 40, 12-13).
Vê-se aqui como por meio da verdadeira penitência se devolvem as coisas perdidas. Diz: Arrepende-te, e não somente recebe. Porque muitos recebem, porém não fazem nada; são bons prometedores, porém maus pagadores.
A penitência nos aproxima do reino dos céus. Faz com que os anjos se regozijem. Também é poderosa para recuperar a amizade de Deus. Assim, pois, é preciso fazê-la sem perda de tempo, porque não haverá obra para merecer, nem razão para escusar, nem ciência para conversar, nem a sabedoria para deleitar nos infernos, para onde te apressas, se não com a intenção, ao menos com tuas palavras.
4° Do contrário, virei a ti e removerei o teu candeeiro do seu lugar (Ap 2, 5).
Do contrário, isto é, se não te arrependeres e voltardes a teu anterior estado, virei com a morte ou com o juízo. A ti, para castigar-te no corpo e na alma. Diz que virá de pronto, para que a celeridade e imprevisão da vinda infundam temor e solicitude. Quando disserem: Paz e segurança, então lhes sobrevirá uma destruição repentina (1Ts 5, 3). E removerei o teu candeeiro, que quer dizer: "tirar-te-ei os dons e virtudes, pelos quais foram estabelecidos os candelabros; ou separar-te-ei da Igreja, e colocarei a um outro em teu lugar". Moverei de seu lugar, quer dizer, do lugar de tua virtude, e te apartarei da companhia dos fiéis.
- In Apocal., II
#MEDITAÇÕES PARA EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
- 1° DIA -
Do chamado da voz de Deus
Ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta (Ap 1, 10).
Esta voz é o chamado do Senhor que chama e nos volta a chamar, quando nós fugimos d'Ele: Os teus ouvidos escutarão ressoar, atrás de ti dirá admoestando (Is 30, 21). Volta, volta, ó sulamita, isto é, alma cativa, volta, volta, para que nós te contemplemos (Ct 6, 12). Por que se diz: Volta, volta? Para que se volte na meninice, na juventude, na velhice e na senectude. Ou também porque quatro coisas fazem fugir de Deus: a presunção da juventude, que é a fuga para o Oriente; a dilação da morte, que é a fuga para o Ocidente; o amor da prosperidade, que é a fuga para o meio-dia; o temor à adversidade, que é a fuga para o Norte.
Por isso clama o Senhor. Volte-te do Oriente, porque a juventude termina longo; volte-te do Ocidente, porque a velhice não vive muito tempo; volte-te do meio-dia, porque a prosperidade do mundo passa rapidamente; volte-te do norte, porque a adversidade do mundo não pode danar mais que ao que quer.
Diz-se: grande voz, porque o senhor é grande e chama para grandes coisas.
O Senhor chama de quatro maneiras: pregando, outorgando benefícios, inspirando, e castigando. Estes quatro modos estão indicados nos Provérbios: Vos chamei, e vós não quisestes ouvir-me, visto que estendi a minha mão, e não houve quem olhasse para mim, visto que desprezastes todos os meus conselhos, e não fizestes caso das minhas repreensões (Pr 1, 24-25).
Como de trombeta, que chama ao banquete espiritual, onde a alma se repõe. O Senhor dos exércitos fará neste monte para todos os povos um banquete de manjares substanciosos, de vinhos bons, de viandas gordas e tenras, de vinhos escolhidos e depurados (Is 25, 6).
- In Apoc., I
O porquê de os Novos Bispos não serem Bispos de verdade
Por Padre Anthony Cekada
Os leitores de The Angelus provavelmente tiveram uma surpresa, ano passado, quando receberam a edição de dezembro de 2005, com seu artigo em destaque intitulado “Why the New Rite of Episcopal Consecration is Valid” [“O porquê de o Novo Rito de Sagração Episcopal ser válido”]. Que raio de história era essa? E por que é que uma revista tradicionalista publicada pela FSSPX estava pondo na sua capa bispos concelebrantes do Novus Ordo?
Os tradicionalistas sempre se preocuparam com a validade da Missa Nova. Mas a questão de se as Ordens Sacras conferidas com os ritos pós-Vaticano II são válidas ou não são mal chegou a ser discutida, muito embora clero ordenado por bispos consagrados no novo rito — padres diocesanos, membros da Fraternidade São Pedro, do Instituto Cristo Rei etc. — agora estejam oferecendo Missas tradicionais por toda a parte. Se os bispos que ordenaram esses padres não eram verdadeiros bispos, obviamente as pessoas que frequentam tais Missas adoram e recebem somente pão.
Após Bento XVI ser eleito em 2005, esse tópico naturalmente começou a aparecer cada vez mais. Joseph Ratzinger fora consagrado com o novo rito em 28 de maio de 1977. Seria ele – à parte a questão de se ele é ou não é um verdadeiro Papa – sequer um verdadeiro bispo?
No verão de 2005, um grupo de tradicionalistas franceses publicou o primeiro volume de Rore Sanctifica, um dossiê do porte de um livro com documentação e comentários sobre o Rito de Paulo VI de Sagração Episcopal http://www.rore-sanctifica.org. O estudo, estampando lado a lado, na capa, fotos de Ratzinger e do Superior Geral da FSSPX, Mons. Bernard Fellay, concluía que o novo rito era inválido. (Três volumes suplementares foram editados desde então).
Isso chamou a atenção de membros do alto escalão da FSSPX na Europa, que já então vinham negociando com Bento XVI a obtenção de uma situação especial dentro da igreja do Vaticano II. Como os superiores da FSSPX lograriam vender aos tradicionalistas a ideia de unir-se a um papa que talvez não fosse nem sequer bispo de verdade?
Quando eu estava na FSSPX, há mais de duas décadas, o Padre Franz Schmidberger já promovia a ideia de que o novo rito de sagração episcopal fosse válido. Agora, no entanto, talvez se tenha considerado impolítico que um membro tão proeminente da FSSPX fizesse essa defesa diretamente, para não correr o risco de ela ser sumariamente refutada ou, ainda pior, repercutir negativamente entre os fiéis.
Ao invés dela, os dominicanos em Avrillé, na França, uma ordem religiosa tradicionalista na órbita da FSSPX, foram delegados a tentar fazer uma defesa convincente da validade, de modo a fornecer aos superiores da FSSPX um pouco de margem de manobra para uma “negação plausível”. O Pe. Pierre-Marie OP produziu convenientemente um extenso artigo argumentando em favor da validade do novo rito. Foi publicado ano passado, no periódico trimestral dos dominicanos,Sel de la Terre.
Os superiores europeus da FSSPX sempre consideraram os E.U.A. uma terra de “linhas-dura” com independência de espírito, por isso o artigo do Pe. Pierre-Marie foi imediatamente traduzido em inglês e publicado em The Angelus com apresentação gráfica primorosa e atraente.
O artigo exibe tabelas comparativas de aspecto impressionante com textos em latim e está carregado de notas de rodapé. Uma nota editorial recomenda especialmente seu estilo “tomista”, e o autor garante-nos que vai “proceder de acordo com o método escolástico, para tratar a matéria o mais rigorosamente possível.”
Tudo isso pode intimidar o leitor casual a aceitar a validade do novo rito, ou ao menos atordoá-lo a ficar em silêncio. Mas as coisas não são o que parecem. As tabelas do Pe. Pierre-Marie, examinadas de perto, mostram ser comparações de textos desconexos: de alhos com bugalhos. Suas notas de rodapé não citaram nenhuma obra de teologia moral sacramental — a disciplina que trata da validade dos sacramentos. E, apesar de seu suposto estilo “tomista”, o Pe. Pierre-Marie em momento algum conseguiu focar nas duas questões centrais:
Que princípios a teologia católica emprega para determinar se uma forma sacramental (a fórmula essencial num rito sacramental) é válida ou inválida?
Como esses princípios se aplicam ao novo rito de sagração episcopal?
Com essas duas questões em mente, sentei-me para redigir um estudo de próprio punho sobre o novo rito. Havia muitos anos que eu esperava conseguir tempo para abordar precisamente essa questão, e já reunira um bocado de material de pesquisa.
O artigo resultante intitula-se “Absolutely Null and Utterly Void” [“Absolutamente Nulo e Inteiramente Sem Efeito”, disponível em português no site do Seminário São José sob o título de “A invalidade do Rito de Sagração Episcopal de 1968”, N. do E.], que é uma frase do pronunciamento do Papa Leão XIII sobre a invalidade das ordens anglicanas, e foi publicado na internet em: http://www.traditionalmass.org
Completei o artigo a 25 de março de 2006. Mais tarde notei que essa data era o décimo-quinto aniversário da morte do Arcebispo Dom Lefebvre. Considerei isso providencial, pois o próprio Arcebispo me dissera pessoalmente, na década de 1970, que ele considerava o novo rito de sagração episcopal inválido. Segue um breve resumo do artigo. Convido os leitores a consultar o original para maiores detalhes.
I. PRINCÍPIOS GERAIS
(1) Cada sacramento tem uma forma (fórmula essencial) que produz o efeito sacramental dele. Quando uma alteração substancial de significado é introduzida na forma sacramental através da corrupção ou omissão de palavras essenciais, o sacramento torna-se inválido (= não “funciona”, não produz o efeito sacramental).
(2) As formas sacramentais aprovadas para uso nos Ritos Orientais da Igreja Católica são por vezes diferentes, em sua formulação, das formas de Rito Latino. Contudo, são iguais em substância, e são válidas.
(3) Pìo XII declarou que a forma para as Ordens Sacras (isto é, para o diaconato, o sacerdócio e o episcopado) tem de significar univocamente (=de maneira não ambígua) os efeitos sacramentais: o poder de Ordem e a graça do Espírito Santo.
(4) Para conferir o episcopado, Pio XII designou como forma sacramental uma sentença no tradicional Rito de Sagração Episcopal que exprime univocamente (a) o poder da Ordem que um bispo recebe e (b) a graça do Espírito Santo.
II. APLICAÇÃO À NOVA FORMA
(1) A forma de Paulo VI para a sagração episcopal aparece num Prefácio especial no rito, e o texto completo da forma é o seguinte: “Enviai agora sobre este eleito a força que de vós procede, o Espírito soberano que destes ao vosso amado Filho, Jesus Cristo, e ele transmitiu aos santos apóstolos, que fundaram a Igreja por toda a parte, como vosso templo, para glória e perene louvor do vosso nome.” Embora pareça mencionar a graça do Espírito Santo, a nova forma não parece especificar o poder da Ordem que supostamente está sendo conferido. Ela é capaz de conferir o episcopado? Para responder a esta pergunta, aplicamos os princípios expostos na seção I.
(2) A breve forma de Paul VI para sagração episcopal não é idêntica às extensas formas de Rito Oriental, e, diferentemente delas, não menciona poderes sacramentais próprios unicamente a um bispo (por exemplo, o poder de ordenar). As orações de Rito Oriental às quais o Prefácio de sagração circundante de Paulo VI se assemelha mais de perto, ademais, são orações não-sacramentais para a instalação dos Patriarcas maronita e sírio, que já são bispos ao serem designados. Em suma, não se pode argumentar (como o artigo de The Angelus faz) que a forma de Paulo VI esteja “em uso em dois Ritos Orientais certamente válidos” e, portanto, seja válida.
(3) Vários textos antigos (Hipólito, as Constituições Apostólicas, e o Testamento de Nosso Senhor) têm alguns elementos em comum com o Prefácio consecratório de Paulo VI em redor da nova forma, e o artigo do Angelus cita esses textos como indícios em apoio do argumento de que o novo rito seja válido. Mas esses textos foram todos “reconstituídos”, são de origem questionável, podem não representar nenhum uso litúrgico real ou apresentam outros problemas. Não há prova de que eles fossem formas sacramentais “aceitas e usadas pela Igreja como tal” — critério este que a Constituição de Pio XII sobre as Ordens Sacras estabelece. Assim, esses textos não fornecem nenhuma prova fiável em respaldo do argumento a favor da validade da forma de Paulo VI.
(4) O problema chave na nova forma gira em torno do termo Espírito soberano (Spiritus principalis em latim). Antes e depois da promulgação do Rito de Sagração Episcopal de 1968, o significado dessa expressão provocou preocupações acerca de se significava o sacramento de maneira suficiente ou não. Mesmo um bispo na comissão vaticana que criou o rito novo levantou esse problema.
(5) Dom Bernard Botte, o modernista que foi o principal criador do novo rito, mantinha que, para o cristão do século III, Espírito soberano conotava o episcopado, pois os bispos têm “o espírito de autoridade” como “governantes da Igreja”. Spiritus principalis significa “o dom de um Espírito próprio a um líder”.
(6) Essa explanação era falsa e enganadora. A referência aos dicionários, um comentário da Escritura, os Padres da Igreja, um tratado de dogmática, e as cerimônias de investidura não-sacramentais de Rito Oriental revela que, em meio a uma dezena de significados diferentes e por vezes contraditórios, Espírito soberano não significa especificamente nem o episcopado em geral nem a plenitude da Ordem Sagrada que o bispo possui.
(7) Antes de surgir a controvérsia a esse respeito, o próprio Dom Botte chegou até a dizer que ele não enxergava como é que a omissão da expressão Espírito soberano alteraria a validade do rito de sagração.
(8) A nova forma fracassa em preencher dois critérios para a forma das Ordens Sacras assentados por Pio XII. (a) Porque o termo Espírito soberano é suscetível de significar muitas coisas e pessoas diferentes, ele não significa univocamente o efeito sacramental. (b) A nova forma não tem nenhum termo que sequer equivocamente conote o poder de Ordem que um bispo possui: a “plenitude do sacerdócio de Cristo no ofício e ordem episcopal”, ou “a plenitude ou totalidade do ministério sacerdotal”.
(9) Por essas razões, a nova forma constitui mudança substancial no significado da forma sacramental para conferir o episcopado. (10) Uma mudança substancial no significado de uma forma sacramental, conforme os princípios da teologia moral sacramental, torna um sacramento inválido.
III. CONCLUSÃO: UM SACRAMENTO INVÁLIDO
Consequentemente, uma sagração episcopal conferida com a forma sacramental promulgada por Paulo VI em 1968 é inválida — isto é, ela é incapaz de criar um bispo de verdade. Os padres e outros bispos que derivam suas ordens de tais bispos são, eles próprios, então, invalidamente ordenados e consagrados também. Por conseguinte, os sacramentos que eles conferem ou confeccionam que dependam do caráter sacerdotal ou episcopal (Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordens Sacras) são igualmente inválidos.
IV. RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES
(1) “O contexto torna válida a forma”. Expressões noutras partes do rito não são capazes de sanar esse defeito, pois um elemento essencial da forma (o poder de Ordem) não está tão-somente ambíguo, está inteiramente ausente.
(2) “A forma foi aprovada pelo papa”. Segundo Trento e Pio XII, a Igreja não tem o poder de alterar a substância de um sacramento. A omissão do poder de Ordem na nova forma altera a substância de um sacramento, portanto ainda que Paulo VI tivesse sido um verdadeiro papa, ele não haveria tido o poder de fazer uma tal alteração. No máximo, sua tentativa de fazê-lo prova que ele não foi um verdadeiro Papa.
* * * * *
A RAZÃO pela qual o rito Novus Ordo de criar bispos é inválido pode-se resumir em uma sentença: Os modernistas alteraram as palavras essenciais mediante a remoção da ideia da plenitude do sacerdócio.
Meu artigo “Absolutely Null and Utterly Void” [“Absolutamente Nulo e Inteiramente Sem Efeito”] está disponível em http://www.traditionalmass.org. Quem não tiver acesso à Internet pode escrever para o endereço abaixo para obter cópia impressa gratuita.
Convido os leitores a copiar e distribuir o artigo a amigos católicos tradicionalistas, especialmente para o clero e laicato afiliados à FSSPX, muitos dos quais talvez já tenham graves reservas acerca da validade do novo rito.
Encerro com uma anedota particular: em agosto de 1977, um tradicionalista da velha guarda transmitiu-me um dito predileto do Pe. Carl Pulvermacher, um capuchinho que havia acabado de começar a cooperar com a FSSPX, e que mais tarde escreveria para – e inclusive publicaria – a revista The Angelus: “Assim que não houver mais sacerdotes válidos”, dizia o Pe. Carl, “eles permitirão a Missa latina”. Palavras proféticas — mas ele mal podia suspeitar que a sua própria revista e os superiores mesmos da FSSPX um dia ajudariam a cumpri-las!
(Maio de 2006)
SÁBADO DEPOIS DA OITAVA DE CORPUS CHRISTI
O amor de Cristo
Tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim (Jo 13, 1).
Por estas palavras se recomenda o profundo amor de Cristo e isto por quatro coisas.
I. Foi proveniente, segundo aquilo de São João: Não temos sido nós os que amamos a Deus, mas Ele que nos amou primeiro a nós (1Jo 4, 10). E explicando isto, diz: Tendo amado os seus, como indicando que os amou antes. Nos amou, quer dizer, antes de criar-nos, pois, como diz a Sabedoria: Tu amas tudo o que existe (Sb 11, 25). Nos amou antes de chamar-nos. Eu amei-te com amor eterno; por isso, mantive a meu favor para contigo (Jr 31, 3). Nos amou antes de redimir-nos.
II. Foi seu amor adequado, porque amou aos seus. É-se seu de diversas maneiras; segundo isto são amados por Deus de diferentes modos. Se é seu de três maneiras: Por criação, e a estes os ama conservando-lhes os bens da natureza: Veio para o que era seu, e os seus, por criação, não o receberam (Jo 1, 11). Outros são seus por consagração, como os que nasceram de Deus Pai pela fé, como diz o Evangelista: Manifestei o teu nome aos homens, que me deste do meio do mundo. Eram teus, e tu mos deste; e guardaram a tua palavra (Jo 17, 6). A estes os ama conservando-os nos bens da graça. Outros são seus por uma especial devoção, como se lê no Antigo Testamento: Nós somos teus ossos e tua carne (1Cr 11, 1). A estes os ama consolando-os especialmente.
III. O amor de Cristo foi necessário, porque amou os seus, que estavam no mundo. Pois são seus alguns que já estavam na glória do Pai, porque também eram seus os Pais antigos, pela esperança de ser livrados por Ele. Porém estes não necessitavam tanto de seu amor como os que estavam no mundo. E por isso diz: que estavam no mundo, quer dizer, com o corpo, porém não com o coração.
IV. Recomenda-se o amor de Cristo como perfeito. Daí estas palavras amou-os até o fim. O fim da intenção, o qual deve ser também o fim de Cristo. Estes dois fins não são mais que um, porque a vida eterna não é outra coisa que o gozo de Cristo em sua divindade, como diz o Evangelho: Ora a vida eterna é esta: Que te conheçam a ti como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste (Jo 17, 3). Segundo isto diz, pois: amou-os até o fim, para conduzi-los a si mesmo como fim, ou à vida eterna que é a mesma coisa.
O fim de execução é aquilo que é termo de uma coisa, e deste modo a morte pode chamar-se fim. Por isso se disse: amou-os até o fim, isto é, até a morte. Não no sentido de que os amou somente até a morte e não mais depois dela; pois isto seria falso. Longe de nós pensar que com a morte deixou de amar o que não teve fim na morte. Outro significado de amou-os até o fim é que o amor para com eles o levou até a morte.
Outra interpretação de até o fim é: que havendo-lhes dado anteriormente muitas provas de amor, ao fim, quer dizer, muito próximo da morte, lhes deu sinais de maior amor. Não vos disse isto, porém, desde o principio, porque estava convosco (Jo 16, 4), como dizendo: Não foi então necessário a vós que eu os demonstrasse quanto os amava, senão ao deixá-los, para que desse modo se imprimisse mais profundamente em vossos corações o amor a mim e à minha memória.
-In Joan., XIII
FESTA DO SACRATÍSSIMO CORAÇÃO DE JESUS
O Sacratissimo Coração de Jesus
O meu coração tornou-se como cera, derrete-se dentro das minhas entranhas (Sl 21, 15).
O derretimento pertence ao amor. Minha alma se derreteu (Ct 5, 6). Antes que um corpo se derreta, é duro e compacto em si mesmo; ao derreter-se, se espalha e de si tende a outra coisa. Também às vezes se endurece o temor, quando não é grande, e assim ocorre com o amor; pois quando sobrevém o amor o homem tende a outra coisa que antes estava nele. Este derretimento pode entender-se de Cristo enquanto é cabeça da Igreja; porque este derreter-se procede do Espírito Santo, e está no fundo das entranhas, quer dizer, do coração.
Pelo coração de Cristo pode entender-se também a sagrada Escritura, a qual nos revela o Coração de Cristo.
Tudo isto estava fechado antes da Paixão, porque era obscuro, porém chegou a ser claro pela Paixão, porque os que compreendem, ou estudam, discernem como devem ser expostas as profecias.
-In Psal., XXXI
II. Que coisa é o homem para o engrandeceres? e por que pões sobre ele o teu coração? (Jó 7, 17).
Que coisa é o homem? Isto é: que pequeno e débil de corpo engrandeces com grande honra entre as demais criaturas, e pões sobre ele o teu coração, quer dizer, guardando-o e protegendo-o com especial cuidado.
Ainda que todas as coisas estejam submetidas à divina Providência, no entanto, de distinta maneira estão dispostas por Deus em relação com os demais seres do universo. Os seres que têm certa perpetuidade concorrem especialmente à perfeição do universo e são administrados por si mesmos por Deus; os que carecem de perpetuidade, pertencem acidentalmente à perfeição do universo, e não são governados por si mesmos, senão pela conservação da espécie. Porém o homem é perpétuo como espécie e como indivíduo, e por isso Deus põe sobre ele seu coração e provê o seu bem.
Como põe Deus sobre ele seu coração? Mostra-o quando acrescenta: Tu o visitas pela manhã (Jó 7, 18), isto é, desde seu nascimento, procurando-lhe com seu engrandecimento tanto corporal como espiritual; e de repente o pões à prova, quer dizer, pelas adversidades, nas quais aparece de que forma faz provas de sua virtude. O forno provas as vasilhas de barro; e a tentação da tribulação, aos homens justos. Diz-se que Deus prova o homem, não para saber o que é o homem, senão para dá-lo a conhecer aos outros, e para que ele se conheça a si mesmo.
- In Job., VIII
#Amethyst v0.59.1: Adds Name Playback
The goal is to know how to say people's names in any alphabet they come in on. Sound on:
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É possível no futuro ser possível fazer transmissão ao vivo no amethyst? 😅
QUINTA-FEIRA DA OITAVA DE CORPUS CHRISTI
Uso da Eucaristia
I. Deve-se receber a Eucaristia freqüentemente. Os efeitos deste sacramento são análogos aos da nutrição corporal. De contínuo se verifica um desperdício do humor natural pela ação do calor e do trabalho; e é necessário tomar freqüentemente alimento corporal para reparar o perdido, de modo que o desgaste contínuo não produza a morte.
Assim, pela concupiscência original e a ocupação em coisas exteriores, se verifica um desgaste de devoção e de fervor, com os que o homem se recolhe em Deus. Por conseguinte, é necessário repor muitas vezes o perdido, para que o homem não se alheie totalmente de Deus.
II. É necessário comungar diariamente?
Neste sacramento duas coisas se requerem por parte do que lhe recebe: o desejo de unir-se a Cristo, o qual realiza o amor, e a reverência ao sacramento, que provém do dom do temor. O primeiro convida à freqüência quotidiana deste sacramento, porém o segundo a retrai.
Pelo qual se alguém sabe, por experiência, que com a Comunhão diária se acrescenta nele o fervor do amor, e que não se diminui sua reverência, esse tal deve comungar diariamente. Porém se a Comunhão diária diminui nele a reverência e não se acrescenta muito o fervor, deve-se abster algumas vezes, para aproximar-se depois com maior reverência e devoção.
Por conseguinte, cada qual deve, nisto, ser deixado a seu critério. E isto é o que diz Santo Agostinho: "Se dissera a alguém que não se deve receber diariamente a Eucaristia, e outro afirmara que se deve tomar todos os dias, faça cada qual o que piedosamente crê deva fazer-se segundo sua fé". E o prova com o exemplo de Zaqueu e do Centurião, um dos quais recebe gozoso ao Senhor, enquanto o outro diz: Não sou digno que entres na minha casa (Mt, 8, 8), e os dois alcançaram misericórdia, honrando ambos ao Senhor, ainda que de maneira distinta.
No entanto, o amor e a esperança, aos quais nos induz sempre a Escritura, são preferidos ao temor: Pelo que havendo dito Pedro: Retira-te de mim, Senhor, pois eu sou um homem pecador (Lc 5, 8), respondeu Jesus: Não tenhas medo (Lc 5, 10).
A ele nos aproximamos certamente muitíssimo pela humildade; porém não se segue que seja mais louvável abster-se deste sacramento, como mais meritório; porque a caridade é a que nos une diretamente a Deus, enquanto a humildade dispõe a esta união, já que submete o homem a Deus. Pelo que o mérito consiste mais na caridade que na humildade.
- 4, Dist., 12, q. III, a. 2
QUARTA-FEIRA DA OITAVA DE CORPUS CHRISTI
A Eucaristia perdoa os pecados veniais
Neste sacramento podem considerar-se duas coisas: o sacramento mesmo e a coisa do sacramento. E de uma e outra resulta que este sacramento tem virtude para perdoar os pecados veniais.
Porque este sacramento se toma sob a espécie de manjar nutritivo; e a nutrição do manjar é necessária ao corpo para reparar o que diariamente perde pela ação do calor natural. Sob o conceito espiritual há em nós uma perda diária, que resulta do calor da concupiscência por meio dos pecados veniais, que diminuem o fervor da caridade. E assim, compete a este sacramento perdoar os pecados veniais; pelo que diz Santo Ambrósio que "este pão cotidiano se toma para remédio da debilidade cotidiana",³⁵
A coisa, porém, deste sacramento é a caridade (não somente enquanto hábito, senão também enquanto ao ato), que é excitada neste sacramento, pelo qual são apagados os pecados veniais. Logo, é evidente que por virtude deste sacramento se perdoam os pecados veniais.
Mesmo quando os pecados veniais não sejam contrários à caridade, considerada quanto ao hábito, a contrariam, no entanto, quanto ao fervor do ato, que é excitado por este sacramento, em razão do qual são apagados os pecados veniais.
-S. Th., IIIª, q. 69, a. 4
Em virtude deste sacramento se verifica certa transformação do homem em Cristo, pelo amor; e este é o efeito próprio deste sacramento. E como pelo fervor da caridade se perdoam os pecados veniais, porque lhe são contrários; segue-se que pela virtude deste sacramento são destruídos os pecados veniais.
Ademais, o fervor da devoção pode ser tão grande que destrua todos os pecados veniais. Pois não há inconveniente em que em um momento esteja o homem livre de todo pecado venial; ainda que isto não possa durar muito tempo por causa da dificuldade de evitar os pecados veniais. Nem tampouco é necessário que sempre destrua os pecados veniais, senão que o faz segundo a medida da devoção; porque não é seu efeito imediato a destruição dos veniais, senão uma conseqüência.
-4, Dist. 12, q. 2
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³⁵ De Sacramenti, 1. V, c. 4.
In the garden of Gethsemane Jesus Christ witnessed all the sins and transgressions of mankind.
It disturbed Him so much he began to sweat blood.
“Being in an agony, he prayed more earnestly; and his sweat became like great drops of blood falling to the ground” (Luke 22:44)
Even after witnessing all He was going to die for He still choose to sacrifice Himself for us.
The spottless lamb on the cross, sacrificed for you.
He saw all of our evil, but also our ability for redemption.
It's time to follow Him and sin no more.
Pange ligua gloriosi- Juliano ravanello
Beautiful.
TERÇA-FEIRA DA OITAVA DE CORPUS CHRISTI
Pela Eucaristia se perdoa a pena do pecado
O sacramento da Eucaristia é conjuntamente sacrifício e sacramento; é sacrifício enquanto é oferecido, e sacramento enquanto se recebe. E por isto o efeito como sacramento se produz no que o consume, e como sacrifício no que o oferece ou naqueles por quem se oferece.
Se, pois, se considera como sacramento, tem duas classes de efeitos:
1°, diretamente por virtude do sacramento;
2°, como que por certa concomitância. Por virtude do sacramento tem diretamente aquele efeito para o que foi instituído; e não o foi para satisfazer, senão para alimentar espiritualmente pela união a Cristo e a seus membros, como também o nutrimento se une ao que se nutre. Porém como esta união se verifica pela caridade, por cujo fervor se consegue o perdão, não somente da culpa, senão também da pena, daí resulta que, por certa concomitância com seu efeito principal, o homem consegue a remissão da pena, não de toda ela, senão segundo o modo de sua devoção e fervor.
Enquanto é sacrifício, tem uma virtude satisfatória; porém na satisfação se atende mais ao afeto do oferente que à quantidade da oblação. Por isso o Senhor diz acerca da viúva que ofereceu dois ases, que deu mais que todos os outros (Mc 12, 43); assim, ainda que esta oblação baste por sua quantidade para satisfazer por toda pena, no entanto se faz satisfatória para aqueles por quem se oferece ou também para os que a oferecem, segundo a quantidade de sua devoção e não por toda a pena.
A virtude de Cristo, que se contém neste sacramento, é infinita. Por conseguinte, o que se tira por este sacramento é apenas parte da pena, e não toda, e não provém do defeito da virtude de Cristo, senão do defeito da devoção do homem.
-S. Th., IIIª, q. 69, a. 5
SEGUNDA-FEIRA DA OITAVA DE CORPUS CHRISTI
A Eucaristia preserva o homem dos pecados futuros
Este é o pão que desceu do Céu, para que aquele que dele comer não morra (Jo 6, 50).
O pecado é certa morte espiritual da alma. Portanto, se é preservado do pecado futuro como o é o corpo da morte futura; o qual se verifica de dois modos:
1°, enquanto a natureza do homem se robustece interiormente contra os fatores internos de corrupção, e deste modo é preservado da morte pela comida e pelo remédio;
2°, porque se defende dos ataques exteriores, e assim é preservado pelas armas de que está provido seu corpo.
De um e doutro modo preserva do pecado este sacramento:
1° Pelo mesmo fato de que une a Cristo pela graça, e esta robustece a vida espiritual do homem como um manjar e remédio espiritual, segundo aquilo: O pão robusteça o coração (SI 103, 15). E Santo Agostinho diz: "Aproxima-te com confiança, é pão, não veneno",³³
2° Enquanto é um sinal da Paixão de Cristo, pela qual foram vencidos os demônios, rechaça todo ataque dos demônios. Pelo que diz São João Crisóstomo: "Como os leões que exalam chamas, assim nos retiramos daquela. mesa, feitos terríveis para o Diabo".³⁴
É certo que muitos que se aproximam dignamente a este sacramento caem depois no pecado, e a razão é que o homem no estado de viandante se acha numa condição tal, que por seu livre-arbitrio pode dobrar-se ao bem e ao mal. Pelo qual, ainda que este sacramento em si mesmo tenha uma virtude preservativa do pecado, não tira, no entanto, ao homem a possibilidade de pecar.
E o mesmo é preciso dizer da caridade. Pois a caridade em si mesma preserva o homem do pecado; porém pela mutabilidade do livre-arbitrio ocorre que alguém, depois de possuída a caridade, peca como depois de haver recebido este sacramento.
Ainda que este sacramento não se ordene diretamente a diminuir o estimulante da concupiscência, não obstante o diminui por certa conseqüência, enquanto acrescenta a caridade, pois, como diz Santo Agostinho, "o aumento da caridade é a diminuição da concupiscência". Afirma diretamente o coração do homem no bem, pelo que também é preservado do pecado.
-S. Th., IIIª, 4. 69, a. 6
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³³ Super Joan., Tract. 26.
³⁴ Ibid.,
DOMINGO DA OITAVA DE CORPUS CHRISTI
Como o pecado venial impede os frutos da Eucaristia
Diz São João Damasceno: "O fogo da caridade que está em nós, tomando este abrasamento como de um carvão, isto é, deste sacramento, queima nossos pecados e alumia nossos corações, a fim de que, participando do fogo divino, sejamos abrasados e deificados".
Porém o fogo do nosso desejo ou de nosso amor é contido pelos pecados veniais, que impedem o fervor da caridade. Logo os pecados veniais impedem o efeito deste sacramento.
Os pecados veniais podem ser considerados de dois modos:
1°, que sejam passados;
2°, que se cometam atualmente.
Do primeiro modo, os pecados veniais não impedem de maneira alguma o efeito deste sacramento; porque pode suceder que alguém, depois de haver cometido muitos pecados veniais, aproxime-se devotamente deste sacramento, e receba plenamente seu efeito. Mas do segundo modo, os pecados veniais não impedem de todo o efeito deste sacramento, senão em parte; pois o efeito deste sacramento não é unicamente a aquisição da graça habitual ou da caridade, senão também certa renovação atual da doçura espiritual, a que é impedida se alguém se aproxima deste sacramento com a mente distraída pelos pecados veniais; porém não se destrói o aumento da graça habitual ou da caridade.
Aquele que se aproxima deste sacramento com o ato de pecado venial come espiritualmente de uma maneira habitual (o pão celeste), mas não de um modo atual, portanto, percebe o efeito habitual deste sacramento, porém não o atual.
É certo que os pecados veniais não impedem o efeito do Batismo, porém não deve falar-se identicamente da Eucaristia e do Batismo. Pois o Batismo não se ordena do mesmo modo ao efeito atual, isto é, ao fervor da caridade, como este sacramento; porque o Batismo é a regeneração espiritual pela que se adquire a primeira perfeição, que é o hábito ou a forma; mas este sacramento é a manducação espiritual que tem deleite atual.
-S. Th., IIIª, q. 69, a. 8
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³² Orth. fid. L. IV, c. 14.
SEXTA-FEIRA DA OITAVA DE CORPUS CHRISTI
Que graça confere a Eucaristia
1º O sacramento da Eucaristia tem por si mesmo a virtude de conferir a graça, e ninguém tem a graça antes de recebê-lo, a não ser por algum desejo, seja expresso por si mesmo, como nos adultos, seja pela Igreja, como nas crianças. 29 Sendo assim, devido à eficácia de virtude do mesmo, resulta que também pelo desejo deste sacramento alguém pode conseguir a graça que o vivifica espiritualmente. Sucede, ademais, que quando se recebe realmente este sacramento se aumenta a graça e se aperfeiçoa a vida espiritual, porém de modo distinto ao sacramento da Confirmação, no qual se aumenta e aperfeiçoa a graça para resistir aos ataques exteriores dos inimigos de Cristo, pois pela Eucaristia se aumenta a graça e se aperfeiçoa a vida espiritual, para que o homem seja perfeito em si mesmo por sua união a Deus.
2° Este sacramento confere espiritualmente graça com a virtude da caridade. Por isso São João Damasceno 30 compara este sacramento ao carvão que viu Isaías (Is cap. 6). Pois o carvão não é simples madeira, senão lenha, unida ao fogo, e assim também o pão da Comunhão não é simples pão, senão que está unido à Divindade. Porém, como diz São Gregório 31, "o amor de Deus não é ocioso; porque produz grandes coisas quando existe". E por conseguinte, por este sacramento, segundo sua própria virtude, não somente se confere o hábito da graça e da virtude, senão que também se excita a agir, segundo aquilo: O amor de Cristo nos constrange (2Cor 5, 14). Daí que pela virtude este sacramento se fortifique a alma espiritualmente, porquanto se deleita espiritualmente, e se embriaga, de certo modo, com a doçura da bondade divina, como diz o Cântico dos Cânticos: Comei, amigos, e bebei, inebriai-vos caríssimos (5, 1).
3º Posto que os sacramentos produzem a saúde que significam, diz-se, por certa analogia, que neste sacramento se oferece o corpo pela saúde do corpo, e o sangue pela saúde da alma, ainda que um e outro produzam a saúde dos dois, pois todo o Cristo se contém sob ambos. E ainda que o corpo não seja o sujeito imediato da graça, o efeito dela redunda, no entanto, da alma ao corpo, no presente enquanto exibimos nossos membros como instrumentos da justiça de Deus, e no futuro quando nosso corpo venha a alcançar a incorrupção e a glória da alma.
S. Th., IIIª, q. 69 ad 1
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29. Para aclarar este ponto e evitar interpretações torcidas, convém fazer algumas advertências. Não há dúvida de que a recepção real deste sacramento seja necessária para a salvação com necessidade de preceito, tanto divino como eclesiástico, seja em caso de morte, seja muitas vezes na vida. A existência do preceito consta no Evangelho de São João c. VI, e nas leis legítimas da Igreja que nesta matéria obrigam sob pena grave em determinadas circunstâncias. Ao contrário, não é necessária a dita recepção real como necessidade de meio, nem tampouco como voto propriamente dito. Pois só é necessário como necessidade de meio para a salvação o que se requer como meio para a primeira justificação, surja isso da necessidade da natureza ou duma positiva instituição de Deus. Porém a Eucaristia não foi instituída regularmente para conferir a justificação primeira, mas antes, a supõe, pois é sacramento de vivos e não de mortos, e, ai daquele que em pecado mortal se aproxime para recebê-lo! Logo, não pode ser necessária a recepção real do mesmo como necessidade de meio para a salvação.
Porém se a recepção do mesmo sacramento não é necessária nem realmente nem em desejo, o é, ao contrário, o res sacramenti, o efeito do sacramento da Eucaristia para alcançar a salvação. Porque o meio necessário para a salvação é a incorporação a Cristo que tem lugar na primeira justificação, justificação que formalmente consiste na primeira graça e na caridade habitual, que é o mesmo vínculo pelo qual nos unimos como membros vivos a Cristo e a seu corpo místico. É assim que o efeito deste sacramento é precisamente a unidade perfeita do corpo místico, isto é, a união perfeita da alma a Cristo e a seus membros pela caridade. Logo, o efeito deste sacramento (res sacramenti) é necessário como necessidade de meio, seja na realidade seja no desejo implícito ou explícito. Neste sentido temos de entender as palavras de Santo Tomás que motivaram esta nota.
30. Orth. Fid., I. IV, c. 14.
31. Hom. Pent. 30 in Evangelium.
FESTA DE CORPUS CHRISTI
A Eucaristia confere graça
O pão que eu darei, é a minha carne para a salvação do mundo (Jo 6, 51).
O Efeito deste sacramento deve ser considerado:
1° Pelo que no sacramento se contém, que é Cristo, quem, vindo visivelmente ao mundo lhe conferiu a vida da graça, do mesmo modo que vindo ao homem sacramentalmente, efetua a vida da graça, como diz o Evangelista: O que me comer a mim, esse mesmo também viverá por mim (Jo 6, 57). Por isso comenta São Cirilo: "O Verbo vivificante de Deus, unindo-se a sua própria carne, fê-la vivificante. Pois convinha que se unisse de algum modo a nossos corpos por sua carne sagrada e seu sangue precioso, que recebemos no pão e no vinho como bendição vivificante".
2º Pelo que nele se representa, isto é, a Paixão de Cristo, e em conseqüência, este sacramento produz no homem o mesmo efeito que a Paixão de Cristo pro- duziu no mundo. Daí que, comentando as palavras: Imediatamente saiu sangue e água (Jo 19, 34), diga São João Crisóstomo: "Posto que daqui têm origem os sagrados mistérios, quando te aproximas do tre- mendo cálice, aproxima-te como se houvesse de beber do mesmo costado de Cristo", Por isso diz o mesmo. Cristo: Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que será derramado por muitos para remissão dos pecados (Mt 26, 28).
3° Considera-se o efeito deste sacramento pelo modo com que é dado: como comida e bebida. E por isto, todo o efeito que produz a comida e a bebida materiais na vida corporal, quer dizer, que sustentam, acrescentam, reparam e deleitam, tudo isto o produz este sacramen- to quanto à vida espiritual. Por esta razão diz Santo Ambrósio: "Este Pão é o da vida eterna, que sustenta a substância da alma". São João Crisóstomo acrescenta: "Se nos dá aos que o desejamos para ser palpado, comido e abrasado".
E são palavras do mesmo Jesus Cristo: Minha carne é verdadeiramente comida, e o meu sangue verdadeiramente bebida (Jo 6, 55).
4° Considera-se o efeito deste sacramento pelas espécies em que se dá. A este respeito diz Santo Agostinho: "Nosso Senhor pôs seu corpo e seu sangue nestas coisas que, de múltiples que elas são, reduzem-se a uma só: porque uma, quer dizer, o pão, resulta da síntese de muitos grãos; a outra, quer dizer, o vinho, produz-se de muitas uvas, que formam um só licor". Pelo qual exclama: "Oh sacramento de piedade, oh sinal de uni- dade, oh vínculo de caridade!" E, posto que Cristo e sua Paixão são causa da graça e refeição espiritual, e a caridade não pode existir sem a graça, deduz-se de tudo o que foi dito que este sacramento confere a graça.
- S. Th., III, q. 69, a. 1