3 DE JULHO
O fruto do conhecimento de Deus
João, o precursor de Cristo, dizia: Eu não sou digno de desatar a correia dos seus sapatos (Lc 3, 16), como se houvesse querido dizer: não entendeis que eu o tenho por superior a mim em dignidade, não ao modo com que um homem está acima de outro homem; senão de modo tão excelente que nada sou em comparação com Ele. E isto é manifesto, porque eu não sou digno de desatar a correia dos seus sapatos, que é o obséquio mais simples que se pode oferecer aos homens.
Disto resulta que João havia se aproximado muito do conhecimento de Deus, na medida em que, por consideração da grandeza infinita de Deus, vilipendiava-se totalmente, e dizia não ser nada. Do mesmo modo Abraão, tendo conhecido a Deus, manifestava: Falarei ao meu Senhor, ainda que eu seja pó e cinza (Gn 18, 27). Assim também Jó, havendo visto ao Senhor, disse: Mas agora os meus próprios olhos te vêem. Por isso acuso-me a mim mesmo, e faço penitência no pó e na cinza (Jó 42, 6). Depois que Isaías viu a glória de Deus, exclamou: Todos os povos na sua presença são como se não existissem (Is 40, 17). Por isso diz São Gregório: "Quanto mais perfeitamente conhece o espírito humano os bens celestiais, tanto mais se humilha em si mesmo. E todo homem santo, quanto mais alto se eleva a contemplar a divindade, tanto mais se abisma do nada que é perante a consideração que tem de si mesmo".
Segundo São Gregório, pelo calçado, que se faz com peles de animais mortos, se entende a natureza humana mortal que tomou Cristo. Pousarei o meu calçado sobre Edom (SI 59, 10). A correia do sapato é a união da divindade com a humanidade, união que nem João nem outra pessoa alguma pode desatar, nem ninguém pode penetrar plenamente, pois faz um Homem-Deus, e um Deus-Homem, e por isso diz: não sou digno de desatar a correia dos seus sapatos, que equivale a "explicar o mistério da Encarnação". Deve entender-se que não fazem isso plena e perfeitamente, porque tanto João como os outros pregadores desatam de algum modo a correia de seu sapato, ainda que de modo imperfeito.
- In Joan., I
MEDITAÇÕES PARA EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
- 16° DIA -
Das obras dos religiosos
Há de se preferir as obras dos religiosos às obras dos que se dedicam à salvação das almas?
Primeiro, há de responder-se que duas obras podem comparar-se entre si de muitas maneiras. Primeiro, segundo seu gênero, como quando dizemos que a continência virginal é mais excelente que a continência das viúvas. E neste sentido a vida ativa é mais frutuosa que a contemplativa, porém esta é mais meritória que aquela. Ademais, o zelo das almas é um sacrifício gratíssimo a Deus, se se exercita ordenadamente, isto é, se alguém cuida primeiro de sua própria salvação e depois da salvação dos demais. Porque em caso contrário: Que aproveitará a um homem ganhar todo o mundo, se vier a perder a sua alma? (Mt 16, 26).
Segundo, uma ação é preferida a outra ação segundo a vontade que a faz; porque o que se faz com vontade mais pronta, é considerado melhor, e o que age com mais fervorosa caridade, executa obras mais meritórias.
Terceiro, uma obra pode ser comparada com outra, não em si, senão com relação a outro ato, como a abstinência é preferível à ação de comer; no entanto, comer com outro por caridade é preferível à abstinência.
Comparadas, deste modo, as obras do religioso são incomparavelmente mais excelentes que as obras dos que se consagram à salvação das almas; porque as que executam os religiosos estão unidas àquela raiz pela qual consagraram toda sua vida a Deus. Em conseqüência, não se há de pensar o que fazem, senão, mais certamente, com que finalidade se consagraram a fazer o que fazem. Assim, comparados com os que executam alguma boa obra singular, estão na relação do infinito com o finito. Porque quem se entrega a alguém para fazer tudo o que este mande, entrega-se para uma ação determinada. Por isso, no suposto de que um religioso, segundo a exigência de sua religião, fizer alguma obra pequena em si, haverá de receber, no entanto, maior intensidade, por sua relação com a obrigação primeira pela qual todo ele se consagrou a Deus.
Quarto, se se comparam umas a outras as obras consideradas em si mesmas, então algumas obras particulares que executam os demais sacerdotes são maiores que algumas obras particulares feitas pelos religiosos, como é maior a obra de trabalhar na salvação das al- mas que jejuar ou guardar silêncio ou coisa semelhante.
Porém se todas as obras de uns se comparam a todas as obras dos outros, são muito maiores as obras dos religiosos; porque, ainda que procurar a salvação dos outros seja maior que trabalhar unicamente na salvação própria, falando em geral, no entanto, não se prefere trabalhar de qualquer modo na salvação dos outros a trabalhar de qualquer modo na própria, pois se alguém trabalha total e perfeitamente para a sua salvação, realiza uma obra muito maior que o que faz muitas obras particulares para a salvação dos outros, e em sua própria salvação trabalha suficientemente, porém não perfeitamente.
- Quodlib., III, q. 5, a. 1
2 DE JULHO
A visitação da Santíssima Virgem Maria
Lê-se que a Santíssima Virgem Maria fez três atos, depois da concepção de Cristo, que assinalam em sentido místico o que deve imitar toda alma piedosa depois de conceber espiritualmente o Verbo de Deus: subiu à montanha, saudou a Isabel e glorificou magnificamente o Senhor. Pelo primeiro, simboliza-se a perfeição das virtudes; pelo segundo, o amor fraterno; pelo terceiro, o louvor e a alegria.
1° Naqueles dias, levantando-se Maria, foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá (Lc 1, 39). Diz a Glosa: "Recebido o consentimento da Virgem, o anjo torna a subir aos céus, a quem imita a Virgem ao marchar à montanha. Do mesmo modo a alma, que concebeu espiritualmente o Verbo de Deus, sobe aos cumes das virtudes progredindo no amor, para penetrar na cidade de Judá, isto é, na fortaleza da confissão e do louvor, e mora nela uns três meses até a perfeição da fé, da esperança e da caridade". Nesta subida há três coisas: o vale do temor e da humildade, a subida do trabalho e da dificuldade, o cume do amor ou caridade. Por isso diz São Bernardo: "A virtude quer ser ensinada com humildade, ser adquirida com trabalho, ser possuída com amor". E como estas três coisas lhe pertencem de direito, não pode ser ensinada, adquirida ou possuída de outra maneira.
2° Entrou em casa de Zacarias, e saudou Isabel (Lc 1, 40). A saudação é desejo de saúde; desejar saúde ao próximo corresponde ao amor fraterno; pois esta é a forma verdadeira de amar ao próximo; expressada em São Mateus: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mt 22, 39). A alma santa, depois de haver concebido espiritualmente o Verbo de Deus, deve insistir nesse amor, pois se diz em São João: Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e a sua caridade em nós é perfeita (1Jo 4, 12). E Santo Agostinho diz: "Bem-aventurado é o que te ama, oh meu Deus!, e ao amigo em ti, e ao inimigo por ti". E em outro lugar diz o mesmo escritor: "O que pode faltar onde está o verdadeiro amor? Que vantagem pode haver onde não há amor?".
3º A minha alma glorifica o Senhor (Lc 1, 46). E É cântico de louvor e de regozijo o que pode cantar toda alma santa, depois de haver concebido o Verbo de Deus. Por isso aconselha Santo Ambrósio: "Que em cada um de nós esteja a alma de Maria glorificando a Deus, que esteja em cada um o espírito de Maria regozijando-se em Deus".
Que coisa é engrandecer a Deus o explica o mesmo Ambrósio: "Deus é glorificado não porque o louvor humano lhe acrescente algo, senão porque é engrandecido em nós, quando nossa alma, que foi criada à imagem de Deus, assemelha-se pela justiça a Cristo, que é imagem do Pai. E deste modo, quando engrandece a Cristo, imitando-o, faz-se mais sublime por certa participação de sua grandeza, de modo que parece expressar em si a mesma imagem pelo esplendor das boas obras e certa emulação de virtude". E Orígenes: "Quando eu glorifico minha alma com obras, pensamentos e palavras, então se faz grande a imagem de Deus, e o mes- mo Senhor, do qual é imagem, é glorificado em minha alma". Por último, diz São Beda: "Engrandece a Deus a alma daquele que consagra ao serviço e aos louvores divinos todos os afetos de seu homem interior. Regozija-se em Deus, seu Salvador, o espírito daquele a quem nada do que é terreno agrada, a quem não lhe abate nenhuma adversidade, senão que unicamente lhe deleita a recordação de seu criador, do qual espera a salvação eterna".
- De Humanitate Christi
“France has corrupted the universe, one day she will be punished.”
- Our Lady of La Salette, 1846.

O SEMI-AGNOSTICISMO DOS “CARDEAIS” SARAH E MULLER.
Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral
Escutemos o Papa Pio XII, em passagens da sua Radiomensagem “Con Sempre Nuova Freschezza” de 24 de Dezembro de 1942:
«Amados filhos! Queira Deus que enquanto a nossa voz chega aos vossos ouvidos, o vosso coração se sinta profundamente impressionado e comovido pela infrangível seriedade, a ardente solicitude e o pedido insistente com que vos inculcamos estas ideias, que querem ser um chamamento à consciência universal e um grito que convoque a todos quantos estão dispostos a ponderar e medir a grandeza da sua missão e responsabilidade com a amplitude da calamidade universal.
Grande parte da humanidade, e não recusamos dizê-lo, também não poucos dos que se dizem cristãos, entram, de algum modo, na responsabilidade colectiva do desenvolvimento erróneo, dos danos e da falta de elevação moral da sociedade de hoje em dia. Esta guerra mundial, e tudo quanto se relaciona com ela, sejam os precedentes remotos ou próximos, os seus procedimentos e efeitos materiais, jurídicos e morais, que outra coisa representa senão o esfacelo, inesperado talvez para os incautos, mas previsto e deplorado pelos que penetravam com o seu olhar até ao fundo de uma ordem social que debaixo do enganoso rosto ou máscara de fórmulas convencionais, escondia a sua fatal debilidade e o seu desenfreado instinto de lucro e poderio?
O que em tempos de paz jazia comprimido – explodiu! Ao romper da guerra, numa série de actos em oposição com o espírito humano e cristão. Os acordos internacionais para fazer menos desumana a guerra, limitando-a aos combatentes, e para regular as normas de ocupação e de cativeiro dos vencidos, ficaram letra morta em várias partes; e quem é capaz de ver o fim deste progressivo agravamento?
Querem talvez os povos assistir inertes a tão desastroso progresso? Não devem, ao contrário, reunir-se os corações de todos os magnânimos e honestos sobre as ruínas de uma ordem social que tão trágica prova deu DA SUA INAPTIDÃO PARA O BEM DO POVO, com o voto de não descansar até que em todos os povos e nações sejam legião os grupos dos que, DECIDIDOS A LEVAR DE NOVO A SOCIEDADE AO INDEFECTÍVEL CENTRO DE GRAVIDADE DA LEI DIVINA, ANELEM PELO SERVIÇO DAS PESSOAS E DA SUA COMUNIDADE ENOBRECIDA POR DEUS?
Este voto deve-o a humanidade aos inumeráveis mortos que jazem no campo de batalha: O sacrifício da sua vida no cumprimento do seu dever, E O HOLOCAUSTO A FAVOR DE UMA NOVA E MELHOR ORDEM SOCIAL. Lutai em nome de uma humanidade gravemente enferma e que é preciso curar em nome da consciência levantada pelo cristianismo.(…)
A nossa benção e o nosso paterno augúrio e encorajamento acompanhe a vossa generosa iniciativa e permaneça com todos os que não fogem dos sacrifícios duros, ARMAS MAIS POTENTES QUE O FERRO PARA COMBATER O MAL DE QUE SOFRE A SOCIEDADE. Sobre a vossa cruzada em prol de um ideal social humano e cristão, resplandeça consoladora e incitadora a estrela que brilha sobre a gruta de Belém, astro augural e perene da era cristã. Da sua visão, aufere, e auferirá forças todo o coração fiel: “Ainda que acampem exércitos contra mim, NÃO PERDEREI A ESPERANÇA!”(Sl 26,3). ONDE ESTA ESTRELA FULGURA ESTÁ CRISTO! “SENDO ELE NOSSO GUIA, NÃO NOS DESVIAREMOS, VAMOS POR ELE A ELE, PARA GOZAR POR TODA A ETERNIDADE COM O MENINO QUE HOJE NASCEU (Santo Agostinho).»
O “cardeal” Sarah, sendo considerado o dignitário mais conservador da seita conciliar, talvez pensássemos que nele encontrariamos fundamentos perenes para edificar algo de bom. Mas não.
Ao afirmar que “o melhor da Liturgia antiga, pré-conciliar, se deveria combinar com o melhor da liturgia conciliar”, esse senhor demonstra possuir e desenvolver um pensamento puramente humano e terreno, sem qualquer unção de Fé católica. Efectivamente, nas coisas deste mundo, pensadas com o espírito deste mundo, sem qualquer finalidade que, de algum modo, o transcenda, É QUE SE PROCEDE A COMBINAÇÕES, A AJUSTES TOSCOS, E A APARÊNCIAS MAIS OU MENOS FRAUDULENTAS, QUE PERMITAM IR LEVANDO A “VIDINHA”. Pois que denominada liturgia conciliar, foi gizada por maçons e protestantes, com o objectivo formal de destruir a Fé Católica.
Esquece o “Cardeal” Sarah, que a Liturgia, toda a Liturgia, exprime, e tem de exprimir, necessàriamente, A ADORAÇÃO AO VERDADEIRO E ÚNICO DEUS UNO E TRINO, ADORAÇÃO QUE ALCANÇA O SEU ZÉNITE NA RENOVAÇÃO INCRUENTA DO SACRIFÍCIO DA CRUZ, NA QUAL SE APLICAM OS FRUTOS DA REDENÇÃO. Pois que a própria adoração de Nosso Senhor Jesus Cristo (enquanto Homem) para com toda a Trindade, alcançou na Cruz a sua mais sublime e inefável expressão. Se a Sagrada Liturgia não se consubstanciar nesta Adoração Essencial, isto é, SE ESTIVER PRIVADA DO DOGMA – ENTÃO NÃO É NADA, AINDA QUE SIMULE E MACAQUEIE AS FORMAS TRADICIONAIS. Nunca olvidemos este ponto essencial: LITURGIA SEM DOGMA – NÃO É NADA!
Ora o “Cardeal” Sarah, tal como Muller, possui um discurso de referência positiva e permanente ao amaldiçoado Vaticano 2 e seus “papas”, assegurando-se singularmente alarmado por vivermos numa idade sem Deus. Mas se cogitasse um pouco e estivesse, caracterizadamente, de boa fé, verificaria como o Vaticano 2, não só não opôs nenhuma barreira firme a essa idade sem Deus, MAS PELO CONTRÁRIO A APOIOU, ESTIMULOU, E ATÉ CONSOLIDOU. Só não vê quem não quer, e o pior cego É O QUE NÃO QUER VER.
Sarah manifesta o seu júbilo pelo décimo aniversário da “Summorum Pontificum”, quando este documento de Ratzinger constitui a expressão mais completa da “Liturgia sem Dogma” que atrás referimos.
Insiste-se: O Dogma, a Moral e a sã Filosofia foram plenamente dissolvidos pela proclamação do princípio da liberdade religiosa; essa proclamação não foi efectuada pela Santa Madre Igreja, mas pela maçonaria internacional.
Sarah e Muller encontram-se perfeitamente integrados no liberalismo do Vaticano 2. Gostariam, sem dúvida, de um meio termo; detestam os extremos de niilismo, de anarquismo, de toxicodependência, de revolta; todavia, se invocassem formalmente a verdadeira Teologia Católica, imediatamente concluiríam QUE TAL MEIO TERMO É IMPOSSÍVEL, na exacta medida de que em consequência da ferida na natureza oriunda do pecado original, a esmagadora maioria dos homens TENDEM PARA O NADA AO SER-LHES SONEGADO O FUNDAMENTO DE SER. Ora, o processo Histórico apóstata vem acelerando desde o século XIV, já nos séculos XVIII e XIX eram raríssimos os verdadeiros católicos. O que é que se poderia esperar da usurpação da Santa Madre Igreja pela mesma maçonaria internacional?
Sarah julga resolver o problema pela via Litúrgica, pela própria sacralidade das cerimónias? Mas a Santa Madre Igreja sempre condenou as teses que faziam da Liturgia um meio de nutrir, imanente, arbitrária e directamente uma “fé” cega e estéril. A SAGRADA LITURGIA SÓ NOS PODE ELEVAR DAS COISAS VISÍVEIS ÀS REALIDADES INVISÍVEIS, PELA MEDIAÇÃO COGNITIVA DA FÉ. NÃO SE EXCLUI, BEM PELO CONTRÁRIO, QUE A ASSISTÊNCIA ÀS CERIMÓNIAS SAGRADAS CONSTITUA UMA CONDIÇÃO EXTRÍNSECA PROVIDENCIAL DA GRAÇA DIVINA, MAS TAL PROCESSA-SE NA FÉ CATÓLICA, PELA FÉ CATÓLICA, E SÓ NA FÉ CATÓLICA.
Já há dez anos, perante o entusiasmo dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, com o “Summorum Pontificum”, e a urgência com que procuravam ensinar os padres da seita conciliar a celebrar a Missa de São Pio V, eu me insurgi: Então, e o enquadramento da Fé?
Há contudo uma afirmação do “Cardeal” Sarah que me tocou positivamente: A de que é dessacralizante recitar o Breviário no smartphone ou no tablet. Sem dúvida que o é, porque esses aparelhos possuem outros fins, que embora legítimos, são profanos. Nada tenho contudo a objectar que assim se proceda, em casos necessários. Sempre tenho declarado que as novas tecnologias constituem uma benção para os defensores da verdadeira Fé Católica, pois sòmente através delas conseguem comunicar. Mas devemos reconhecer que a forma digital elimina o corpo do livro, ficando apenas a alma. E o corpo do livro, da Sagrada Escritura, por exemplo, constitui um valor, uma entidade Litúrgica. Com esta afirmação, mais importante do que parece, o Cardeal Sarah demonstra que talvez seja recuperável para a verdadeira Fé. Rezemos por ele.
O “Cardeal” Muller, demitido há pouco da Congregação da Doutrina da Fé, declarou, recentemente, que Bergoglio não se fundamenta numa Teologia sólida. Deveria antes dizer que Bergoglio tudo alicerça num franco ateísmo, ou melhor num antropoteísmo. Tudo nele dimana do ateísmo e conduz ao ateísmo. Considera Muller que Bergoglio permitiu que a magnitude da Doutrina da Fé quase fosse aniquilada; e mostra-se desolado com isso.
Engana-se, porém; não foi Bergoglio que eclipsou a Doutrina da Fé, FOI O VATICANO 2, COM O SEU LIBERALISMO; Bergoglio sòmente explicita a ideologia do Vaticano 2.
Muller também está profundamente chocado com o facto de Bergoglio haver declarado que religião e política são a mesma coisa. Não surpreende tal afirmação, porque para Bergoglio a grande missão da organização diabólica que chefia é implementar institucionalmente o panteão das religiões, o que só se pode lograr com programas e métodos políticos. E a organização supra-nacional que deverá nascer, para Bergoglio, terá de possuir uma soberania moral internacional, pois que deverá constituir o embrião do governo mundial concomitante da plena “divinização” do Género Humano. Tal como predizia Monsenhor Delassus, a face humana do Corpo Místico, uma vez usurpada pela maçonaria internacional, servirá à construção do Panteão das religiões.
A diferença entre estes contestadores de Bergoglio, mas ainda vinculados ao Vaticano 2, e os heresiarcas apóstatas da neo-Fraternidade, é que os primeiros talvez ainda possuam potencialidades para, com a Graça de Deus, alcançarem a verdadeira e íntegra Fé Católica; ao passo que os segundos já exauriram todas essas potencialidades, porque duplamente réus de alta traição.
Apesar de tudo, Sarah, Muller, e outros, por enquanto completamente cegos e estèrilmente balbuciantes, talvez possam, com a Graça de Deus Nosso Senhor, com a Mediação de Maria Corredentora, desenvolver futuramente o embrião do tal movimento eclesial que derrubará o Vaticano 2 como concílio do diabo, amaldiçoando e declarando a invalidade dos seus papas, para restaurar, sobretudo qualitativamente, a pujança da face humana do Corpo Místico, sob a autoridade de verdadeiros Vigários de Cristo.
LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
Lisboa, 20 de Setembro de 2017
Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

MEDITAÇÕES PARA EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
- 12° DIA -
O pecado dos religiosos e dos sacerdotes
Parece que temos de doer-nos, sobretudo, dos pecados daqueles que estão no estado de santidade e perfeição; porque segundo se diz em Jeremias: O meu coração está feito em pedaços (Jr 23, 9); e também: Até o profeta e o sacerdote se corromperam, e mesmo na minha casa encontrei os males que eles lá cometeram (Jr 23, 11). Logo, os religiosos e os outros que estão em estado de perfeição pecam mais gravemente em igualdade de circunstâncias.
1. Porque o pecado cometido pelos religiosos pode ser mais grave que o pecado da mesma espécie cometido por seculares, de três modos:
Primeiro, se é contra o voto de religião, por exemplo, quando o religioso fornica ou rouba, porque fornicando age contra o voto de castidade, e roubando contra o voto de pobreza, e não somente contra o preceito da lei divina.
Segundo, peca-se por desprezo, pois por isto parece ser mais ingrato aos benefícios divinos, pelos quais foi elevado ao estado de perfeição. Como diz o Apóstolo, maiores tormentos merecerá o que tiver calcado aos pés o Filho de Deus, tiver considerado como profano o sangue da aliança, com que foi santificado, e tiver ultrajado o Espírito da graça! (Hb 10, 29). Do qual se queixa também o Senhor: Tu, que eu amo, que tens que fazer na minha casa? Velhacarias? (Jr 11, 15).
Terceiro, o pecado dos religiosos pode ser maior pelo escândalo, pois muitos têm postos nele os seus olhos. Por isso diz o Profeta Jeremias: Aos profetas de Jerusalém vi coisas horríveis: o adultério, a mentira; fortificaram as mãos dos malvados, para que nenhum se convertesse da sua maldade (Jr 23, 14).
II. Alguém peca por desprezo, quando sua vontade se resiste a submeter-se à disposição da lei ou da regra; e por isso procede a agir contra a lei ou a regra. Mas quando, pelo contrário, é induzido por alguma causa particular, como pela concupiscência ou a ira, a executar algo contra os estatutos da lei ou da regra, não peca por desprezo, senão por outra causa. Mesmo quando freqüentemente reitere o pecado pela mesma causa ou por outra, como diz também Santo Agostinho, nem todos os pecados se cometem por desprezo ou soberba.
A freqüência do pecado predispõe, no entanto, ao desprezo, como se lê nos Provérbios: O ímpio, depois de ter caído no abismo dos pecados, tudo despreza (Pr 18, 3).
-S. Th. IIª IIæ, q. 186, a. 10
MEDITAÇÕES PARA EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
- 11° DIA -
O voto de obediência é o mais excelente entre os três votos religiosos
Diz São Gregório: "A obediência é com razão preferida às vítimas, porque por meio das vítimas se sacrifica a carne alheia, mas pela obediência, a vontade própria". Os votos religiosos são certos holocaustos; logo o voto de obediência é o principal entre todos os votos de religião. E isto por três razões:
Primeiro, porque pelo voto de obediência o homem oferece a Deus uma coisa maior, isto é, a mesma vontade, mais excelente que o próprio corpo, que o homem oferece a Deus pela continência, e que as coisas externas, oferecidas pelo voto de pobreza. Por isso o que se faz como obediência é mais aceito a Deus que o que se faz por própria vontade, conforme com o que diz São Jerônimo ao Monge Rústico: "A oração tem por objeto ensinar-te a não seguir teu próprio arbítrio", e pouco depois acrescenta: "Não faças o que queiras; como o que te mandarem, tem quanto receberes, e veste-te do que se te dá". Segundo tudo isto, mesmo o jejum não é aceito a Deus quando se pratica por própria vontade, como se deduz das palavras de Isaías: Porque no dia do vosso jejum tratais dos vossos negócios (Is 58, 3).
Segundo, porque o voto de obediência contém em si os demais votos, porém não o contrário; pois o religioso, ainda que esteja obrigado por voto a guardar continência e pobreza, no entanto, estas se compreendem também sob a obediência, à qual pertence observar muitas outras coisas além da continência e da pobreza.
Terceiro, porque o voto de obediência se estende propriamente aos atos mais próximos ao fim da religião; e quanto mais próximo está algo ao fim, tanto melhor é.
Por esse motivo o voto de obediência é o mais essencial da religião; porque se alguém sem voto de obediência guarda com voto a pobreza e a continência voluntárias, nem por isso pertence ao estado de religião, o qual é preferido mesmo ante à mesma virgindade observada por voto.
-S. Th. IIª IIæ, q. 186, a. 8
MEDITAÇÕES PARA EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
- 10° DIA -
Diz-se, com razão, que a perfeição religiosa consiste nos três votos.
O estado de religião pode ser considerado em três aspectos: em que é certo exercício para tender à perfeição da caridade; em que tranquiliza a alma do homem das preocupações externas, conforme o que diz o Apóstolo: Eu quereria que vivêsseis sem inquietação (1Cor 7, 32); e em que é um holocausto, pelo qual alguém oferece a si mesmo e a suas coisas totalmente a Deus. Segundo isto, o estado religioso se completa com os três votos.
Primeiro, quanto ao exercício de perfeição, requer que aquele que possui votos afaste de si aquelas coisas que podem impedir que seu afeto tenda totalmente a Deus, e nisso consiste a perfeição da caridade. Estas coisas são três: a ambição dos bens exteriores, que se destrói pelo voto de pobreza; a concupiscência dos deleites sensíveis, entre os quais levam a preferência os deleites carnais, que são excluídos pelo voto de castidade; a desordem da vontade humana, que se exclui pelo voto de obediência.
Segundo, a inquietude dos cuidados seculares afeta o homem no que toca principalmente a três cosas: primeiro, a livre disposição das coisas exteriores, e este afă se descarta do homem pelo voto de pobreza; segundo, ao governo da esposa e dos filhos, o qual se elimina com o voto de castidade; terceiro, à disposição dos próprios atos, a qual desaparece com o voto de obediência, pelo qual alguém se submete às ordens de outro.
Terceiro, há holocausto quando alguém oferece a Deus tudo o que tem. Três bens tem o homem: o bem das coisas exteriores, as quais efetivamente e de maneira total alguém oferece a Deus pelo voto de pobreza voluntária; o bem do próprio corpo, que o homem oferece pelo voto de castidade, pois por ele renuncia aos maiores deleites corporais; e o bem da alma, que o homem oferece a Deus pelo voto de obediência e que consiste no oferecimento da própria vontade, pela qual o homem usa de todas as potências e hábitos da alma.
-S. Th. IIª IIæ, q. 186, a. 7
MEDITAÇÕES PARA EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
- 8° DIA -
Se a obediência pertence à perfeição religiosa
A perfeição religiosa consiste principalmente na imitação de Cristo, segundo aquelas palavras do Evangelho: Se queres ser perfeito... segue-me (Mt 19, 21). Porém em Cristo se recomenda, sobretudo, a obediência, segundo diz o Apóstolo: Humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte (FI 2, 8).
1. O estado religioso é certa disciplina ou exercício para dirigir-se à perfeição; e é conveniente os que se instruem ou exercitam para chegar a algum fim, que todos sigam a direção de alguém, por cujo arbítrio sejam instruídos e exercitados para chegar àquele fim, como os discípulos sob o mestre; e por isso é mister que os religiosos se submetam à instrução e ordens de alguém nas coisas que pertencem à vida religiosa. O homem se submete ao império e à instrução de outro pela obediência; logo, esta se requer para a perfeição da religião.
Como diz o Filósofo: "Os homens que se exercitam nas obras chegam a formar hábitos delas, e adquiridos estes, podem executar muito melhor aquelas mesmas obras". De modo que, obedecendo, chegam à perfeição os que ainda não a conseguiram; e os que já a alcançaram estão mais aptos à obediência, não porque necessitem ser dirigidos para adquiri-la, senão para perseverar no que a ela pertence.
II. E mesmo quando as ações feitas pela obediência procedam de certa necessidade, isto é, de preceito; são, contudo, sumamente gratas a Deus; porque a necessidade de coação produz certamente o involuntário, e portanto exclui a razão de louvor e de mérito; mas a necessidade que segue à obediência não é necessidade de coação senão de livre vontade, enquanto o homem quer obedecer, ainda que talvez não queira cumprir o que se lhe manda, considerado em si mesmo; e assim, posto que o homem, mediante o voto de obediência, submete-se por Deus à necessidade de fazer algo que em si não lhe agrada, por isso mesmo, isto que faz resulta mais aceito a Deus, ainda que seja menor; porque o homem não pode oferecer a Deus coisa maior que submeter sua vontade à de outro por causa d'Ele. Por isso se diz nas Conferências dos Padres que "o pior gênero de monges é o dos sarabaitas, porque se ocupam de suas necessidades e, livres do jugo dos anciãos, têm liberdade de fazer o que lhes apraz; e no entanto passam os dias e as noites trabalhando mais que os cenobitas".
-S. Th. IIª IIæ, q. 186, a. 5
MEDITAÇÕES PARA EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
- 6° DIA -
Do bom uso do tempo
Deus deu-lhe tempo de penitência, e ele abusa disto para se ensoberbecer (Jó 24, 23).
1. Agora o tempo é nosso, porque podemos fazer o que queremos, o bem e o mal: Deus criou o homem desde o princípio, e deixou-o na mão do seu conselho; diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; o que lhe agradar, isso lhe será dado (Eclo 15, 14 e 18).
Porém um dia tomará Deus seu tempo, e então não poderemos fazer mais o que quisermos, senão que receberemos o que houvermos merecido. Por isso se diz no Eclesiastes: Faze com presteza tudo quanto pode fazer a tua mão (Ecl 9, 10).
II. O Senhor nos dá o tempo como oportunidade, como auxílio, como prova, como aviso.
Como oportunidade que podemos aproveitar para voltarmo-nos a Ele: O Senhor espera o momento em que vos fará misericórdia (Is 30, 18). Logo, busquemos ao Senhor quando pode ser encontrado, não aconteça que, preocupados subitamente pelo dia da morte, busquemos tempo de penitência e não o possamos encontrar.
Como auxílio, porque a qualidade do tempo nos ajuda para fazer penitência, se queremos, porque agora nos aflige o calor, o frio, o vento, a chuva. Se sofremos pacientemente essas coisas, praticamos a penitência. Porém, se murmuramos, agora que o tempo está a nosso favor, no dia do juízo estará contra nós: Convocou contra mim o tempo (Lm 1, 15). Por isso diz São Bernardo: "Assim como não pereceu nem um cabelo de nossa cabeça, tampouco perecerá um momento do tempo".
Como prova; porque assim como depois do dia, durante o qual trabalham os homens, vem a noite em que descansam, assim, depois desta vida, vem a morte; pela qual os que tiverem trabalhado por Cristo durante esta vida, descansarão depois com Ele. Porém aquele que não trabalha, aquele que mais descansa durante o dia em sua casa, trabalhará durante a noite. Ademais, assim como depois do trabalho se dá o galardão na noite, igualmente Cristo pagará a seus operários seu denário depois desta vida.
Por último, como aviso; porque durante o dia nos aconselha a temer as trevas do inferno, das quais ninguém sairá uma vez que estiver ali. Por outro lado, a troca do tempo nos avisa e mostra que todas as coisas são mutáveis, e que não devemos deter-nos nelas.
III. Deu-lhe tempo, quer dizer, partes do tempo ou da idade, meninice, adolescência, juventude, senectude, para que durante elas fizesse penitência. A penitência deve começar-se desde a primeira parte: Semeia de manhã a tua semente, e de tarde não deixes a tua mão repousar (Ecl 11, 6), quer dizer, na senectude. Porém poucos são os que querem fazer penitência na meninice e na juventude, e na senectude não podem; portanto, perde-se todo o tempo. Quando são jovens, não querem; quando são velhos, não podem. Deles diz Isaías: Porque os filhos estão prestes a nascer, porém não há força na mãe para os dar à luz (Is 37, 3). Ai das mulheres grávidas, e das que amamentarem naqueles dias! (Lc 21, 23).
Por conseguinte, é conveniente que nos arrependamos quando podemos, porque tempo virá em que se nos será tirado todo poder de agir bem.
- In Apoc., XI
MEDITAÇÕES PARA EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
- 5º DIA -
A utilidade dos votos
Fazei votos ao Senhor vosso Deus e cumpri-os (S) 75, 12).
Fazer uma mesma obra por voto é melhor e mais meritório que a fazer sem voto, por três razões:
Primeiro, porque o fazer voto equivale a um ato de veneração, que é a principal entre as virtudes morais; e a obra da virtude mais nobre é a melhor e mais meritória. Por conseguinte, o ato da virtude inferior é melhor e mais meritório porquanto está sob o império de uma virtude superior, cujo ato se realiza por mandato; como o ato da fé ou da esperança é melhor se está sob o império da caridade; e por isto os atos das outras virtudes morais (como o jejum, que é ato de abstinência, e a continência, que é ato de castidade) são melhores e mais meritórios, se se executam por voto, porque deste modo pertencem já ao culto divino, como certos sacrifícios.
Por isso diz Santo Agostinho ² que nem mesmo a virgindade se honra por ser virtude, senão por estar dedicada a Deus, que é a continência fomentada e conservada pela continência da piedade.
Segundo, aquele que faz voto e o cumpre, sujeita-se mais a Deus que o que somente o executa, pois se submete mais a Deus, não somente quanto ao ato, senão também quanto à potestade, já que daí em diante não pode fazer outra coisa; assim como daria mais a um homem o que o presenteasse com uma árvore carregada de frutos, que o que lhe desse somente o fruto.
Dai nasce que também se dê graças, não somente aos que dão, senão também aos que prometem.
Terceiro, porque pelo voto a vontade se fixa de um modo imóvel no bem, e o fazer algo por uma vontade confirmada no bem pertence à perfeição da virtude; como também o pecar com a vontade obstinada agrava o pecado; pecado que se comete contra o Espírito Santo.
-S. Th. IIª IIæ, q. 88, a. 6
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² De virginitate, c. 8.
As meditações vejo no telegram "Meditações de Santo Tomás de Aquino" as meditações de exercícios espirituais são desse livro.
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As demais são da coleção
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MEDITAÇÕES PARA EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
- 4° DIA -
O estado de perfeição
1. A vida religiosa é estado de perfeição.
O que comumente convém a muitos, atribui-se por antonomasia àquele a quem convém por excelência; assim, a virtude que consiste em conservar a firmeza da alma ante as situações mais difíceis reivindica para si o nome de fortaleza; e a virtude que tempera os maiores deleites, o de temperança. A religião é uma virtude pela qual alguém faz algo em serviço e culto de Deus; e assim se dizem religiosos por antonomasia os que se dedicam totalmente ao serviço divino, como que se oferecendo a Deus em holocausto. Por isso diz São Gregório: "Há alguns que nada reservam para si mesmos, senão que imolam ao Deus onipotente seus sentidos, sua língua, sua vida e todos os bens que receberam".¹ A perfeição do homem consiste em unir-se totalmente a Deus, e segundo isto a religião designa um estado de perfeição. Oferecer alguma coisa ao culto de Deus é de necessidade para a salvação; porém que alguém dedique suas coisas e a si mesmo totalmente ao culto divino pertence à perfeição.
E há de saber-se que não somente correspondem à religião as oblações dos sacrifícios e outras coisas análogas, próprias da religião, senão também os atos de todas as virtudes, os que, quando se referem ao serviço e honra de Deus, convertem-se em atos de religião; e em tal conceito, pela vida religiosa que levam, chamam-se religiosos os que se encontram em estado de perfeição.
E ainda que seja estado de perfeição, é também lugar aptíssimo para a penitência. Porque o estado de religião foi instituído principalmente para alcançar a perfeição por determinados exercícios, com os quais se destroem os obstáculos à caridade perfeita. Mas removidos estes impedimentos, destroem-se muito melhor as ocasiões de pecado. Por isso, pertencendo à penitência extirpar as causas dos pecados, deduz-se que o estado religioso é um lugar muito conveniente de penitência.
II. Não se requer, no entanto, que o religioso seja, de fato, perfeito. Porque a religião dá nome ao estado de perfeição pela intenção do fim. Portanto não é necessário que aquele que está na religião seja já perfeito, senão que tenda à perfeição. Pois aquele que entra em religião não professa ser perfeito, senão que professa trabalhar para adquirir a perfeição, como também aquele que entra nas escolas não declara ser sábio, senão que promete estudar para adquirir a ciência. Por conseguinte, não é transgressor da profissão o religioso se não é perfeito, senão unicamente quando não tenda à perfeição.
-S. Th. IIª IIæ, q. 186, a. 1 e 2 ad 1um
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¹ Super Ezech., hom xx.
MEDITAÇÕES PARA EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
- 3° DIA -
A morte segunda
O que sair vencedor, ficará ileso da segunda morte (Ap 2, 11).
1. Há uma dupla morte da alma: uma, nos pecados; outra nas penas; uma, na culpa; outra, no inferno. Igualmente existem duas mortes do corpo: uma na dissolução, outra na condenação eterna.
A primeira morte da alma se assemelha em muitas coisas à primeira morte do corpo. Porque assim como o corpo que primeiro se altera em sua temperatura normal, logo adoece, e por último morre, é levado ao sepulcro, enterrado e coberto com uma pedra; assim também a alma se destempera pelos maus pensamentos, logo adoece com o deleite pecaminoso, e morre pelo consentimento; depois é levada a enterrar-se pelo cumprimento da ação e sepultar-se pelo costume, e por último é coberta pelo endurecimento.
II. Ademais, como a morte do corpo dana, assim também o faz a morte da alma. A morte do corpo o separa da alma; a morte da alma separa-a de Deus.
A morte do corpo separa-nos dos parentes e dos amigos carnais; a morte da alma aparta os anjos e os santos. Pôs longe de mim os meus irmãos, isto é, os anjos, e os meus conhecidos como estranhos se apartaram de mim. Os meus vizinhos abandonaram-me, os meus íntimos esqueceram-se de mim (Jó 19, 13-14). Não somente os anjos abandonarão a alma pecadora, senão que se farão adversários e estarão contra ela no juízo. Todos os seus amigos a atraiçoaram, tornaram-se seus inimigos (Lm 1, 2).
A morte do corpo faz perder as riquezas do mundo, e a morte da alma tira as riquezas do céu. A nossa herança passou a estrangeiros (Lm 5, 2).
A morte do corpo priva da vista corporal, e a morte da alma tira a vista e todos os sentidos espirituais.
A morte do corpo produz dor, e a morte da alma a causa maior. Dói mais a morte da alma porque lança-nos no fogo eterno. Dói por causa da rigorosidade, diversidade e perenidade das penas. Essas três qualidades se expressam nas palavras: E tu, ó Deus, os conduzirás ao poço da perdição (SI 54, 24). A diversidade se expressa quando diz: conduzirás, isto é, levarás de pena em pena; a perenidade, quando diz: ao poço, de onde não pode sair aquele que em algum momento caiu ali.
III. Por outro lado, a morte da alma fere gravemente, sem misericórdia, incuravelmente. Eu te feri como inimigo, castiguei-te cruelmente (Jr 30, 14).
No entanto, esta ferida é curável, enquanto a alma está no corpo; mas depois de sair do corpo se fará incurável.
Assim, pois, quem não deseje ser ferido pela segunda morte, procure ser curado aqui da ferida da primeira morte, e mostre suas feridas ao samaritano, que as curará, derramando nelas o vinho da compulsão e o azeite do consolo. Quando alguém... reconhecendo a chaga de seu coração, levantar as suas mãos para ti nesta casa, tu ouvirás do céu, do lugar da tua morada, e tu, propício, reconciliar-te-ás com ele (3Rs 8, 38-39). Sobre isto diz Santo Agostinho: "Porventura não há entranhas de compaixão cristã em ti, que choras o corpo, do qual saiu a alma, e não choras a alma da qual se retirou Deus?".
-In Apoc., Il

