Única salvação para o Brasil é um meteoro acertar esse país, e varre-lo do mapa. ☠️

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES
VIA ILUMINATIVA
25 DE AGOSTO
O temor do Senhor
I. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Sl 110, 10). De dois modos se pode dizer que algo é princípio de sabedoria: primeiro, porque é princípio da mesma sabedoria quanto à sua essência; segundo, quanto a seu efeito.
Sendo a sabedoria o conhecimento das coisas divinas, é considerada por nós de um modo distinto que pelos filósofos; porque como nossa vida se ordena ao gozo de Deus e é dirigida segundo certa participação da natureza divina por meio da graça, a sabedoria é considerada por nós, não somente como cognoscitiva de Deus, forma em que também a consideram os filósofos, senão ademais como diretiva da vida humana, a que não somente é dirigida segundo as razões humanas, senão também segundo as divinas.
Assim, pois, o princípio da sabedoria segundo sua essência são os primeiros princípios da sabedoria, que são os artigos da fé, e por isto a fé se chama princípio da sabedoria.
Porém, quanto ao efeito, o princípio da sabedoria é a operação por onde ela começa, e deste modo o temor de Deus é o princípio da sabedoria; no entanto, um é o temor servil e outro o temor filial. Porque o temor servil é como princípio que dispõe exteriormente à sabedoria, enquanto se aparta do pecado por temor do castigo, e se faz apto, por isso, para o efeito da sabedoria, segundo aquilo do Eclesiástico: O temor do Senhor expulsa o pecado (Eclo 1, 27).
O temor casto ou filial é princípio da sabedoria, como primeiro efeito dela. Pois pertencendo à sabedoria que a vida humana regule-se segundo as razões divinas, é necessário tomar por princípio que o homem tema a Deus e se submeta a Ele. Porque deste modo se regulará em tudo segundo Deus.
A respeito do que se diz no Livro de Jó: O temor do Senhor é a sabedoria (Jó 28, 28), deve entender-se no sentido de que o temor de Deus se compara a toda a vida humana regulada pela sabedoria de Deus, como a raiz à árvore. Por isso: A raiz da sabedoria é temer ao Senhor; os seus ramos são de longa duração (Eclo 1, 25). Em conseqüência, assim como se diz que a raiz é virtualmente toda a árvore, também se diz que o temor de Deus é a sabedoria.
II. Ao temor corresponde propriamente a pobreza de espírito. Pois pertencendo ao temor filial manifestar respeito a Deus e estar-lhe submetido, aquilo que é conseqüência desta submissão pertence ao dom de temor. Porém pelo fato de submeter-se a Deus, cessa de pretender engrandecer-se em si mesmo ou em outro que não seja em Deus; porque este sentimento repugnaria à perfeita submissão a Deus. Assim, pois, desde que se teme perfeitamente a Deus, é conseguinte que não pretenda engrandecer-se em si mesmo pela soberba, nem nos bens exteriores, tais como as honras e as riquezas, coisas que pertencem à pobreza de espírito, enquanto por pobreza de espírito pode entender-se a anulação do espírito orgulhoso e soberbo ou também o desprezo das coisas temporais, que é produzido pelo espírito, isto é, pela vontade própria movida pela inspiração do Espírito Santo.
-S. Th. IIª IIæ, q. 19, a. 7 e 12
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VIA ILUMINATIVA
23 DE AGOSTO
A esperança
I. O objeto próprio da esperança é a bem-aventurança eterna.
A esperança chega até Deus, apoiando-se em seu auxílio para conseguir o bem esperado. Porém convém que o efeito seja proporcionado à causa; portanto, o bem que própria e principalmente devemos esperar de Deus é o bem infinito, proporcionado à virtude de Deus que nos ajuda; porque é próprio da virtude infinita produzir um bem infinito. Mas este bem é a vida eterna que consiste no gozo do mesmo Deus; pois o que devemos esperar d'Ele não é menos que Ele mesmo, já que a sua bondade, pela qual comunica os bens à criatura, não é menor que a sua essência.
II. A esperança é uma virtude teológica distinta das demais virtudes teologais. Uma virtude se diz teologal porque tem por objeto Deus, ao qual se adere. De duas maneiras pode alguém aderir-se a um outro: ou por si mesmo, ou porque por ele se chega a um outro. A caridade, pois, faz que o homem se una a Deus por causa de si mesmo, unindo seu espírito a Deus pelo afeto de amor.
Mas a esperança e a fé fazem que o homem se una a Deus como a certo princípio, do qual nos chegam algumas coisas. De Deus nos vêm o conhecimento da verdade e a conquista da bondade perfeita. Logo a fé faz que o homem se adira a Deus, enquanto é para nós o princípio do conhecimento da verdade, pois cremos que são verdadeiras as coisas que Deus nos diz. Mas como que é em nós o princípio da bondade perfeita, já que pela esperança nos apoiamos no auxílio divino para obter a bem-aventurança.
III. Na via (ou ordem) da geração (espiritual), a esperança é anterior à caridade. Pois assim como se é conduzido a amar a Deus porque, temendo ser castigado por Ele, cessa de pecar, assim também a esperança introduz a caridade, enquanto alguém, esperando ser recompensado por Deus, é induzido a amá-lo e observar seus preceitos. Porém segundo a ordem da perfeição, a caridade é anterior naturalmente; por isso desde o momento em que existe a caridade, a esperança se torna mais perfeita, porque se espera mais dos amigos. Neste sentido diz Santo Ambrósio que esperança provém da caridade.
IV. A esperança tem certeza, porque a esperança é a expectação certa da bem-aventurança futura, como diz o Mestre. O qual pode tomar-se daquilo que diz o Apóstolo: Porque sei em quem pus a minha confiança e estou certo de que Ele é poderoso para guardar o meu depósito (2Tm 1, 12).
Certamente não podemos saber com certeza, nesta vida, se possuímos a graça. Mas a esperança não se baseia principalmente na graça já recebida, senão na onipotência e misericórdia divinas, pelas quais, mesmo aquele que não possui a graça, pode consegui-la e chegar assim à vida eterna. Mas da onipotência de Deus e de sua misericórdia está certo todo aquele que possui a fé. O fato de alguns, tendo esperança, verem-se faltos da consecução da bem-aventurança sucede por defeito do livre-arbítrio que lhes põe o obstáculo do pecado, porém não por defeito do poder divino ou misericórdia em que se apoia a esperança. Por conseguinte, isto não prejudica a certeza da esperança.
-S. Th. IIª IIæ, q. 17, a. 2, 6 e 8, e q. 18, a. 4
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VIA ILUMINATIVA
22 DE AGOSTO
Os efeitos da fé
I. O temor é efeito da fé.
Por meio da fé se verifica em nós certa apreensão de alguns males penais, que se inferem segundo o juízo divino; e deste modo é a fé causa do temor que se tem de ser castigado por Deus; este temor é servil.
A fé é também causa do temor filial, pelo qual se evita separar-se de Deus, recusa-se comparar-se com Ele e o reverencia, pois pela fé tem este juízo de Deus: que é certo bem altíssimo e que se separar d'Ele constitui um gravíssimo mal, o mesmo que o pretender igualar-se é mal.
Mas a causa do primeiro temor, quer dizer, do temor servil, é a fé informe; e do segundo, o temor filial, é a fé formada, que por meio da caridade faz que o homem se adira a Deus e se submeta a Ele.
E mesmo quando se diga no Eclesiástico: Vós, os que temeis o Senhor, tende fé n'Ele (Eclo 2, 8), o temor de Deus não pode universalmente preceder a fé; porque, se ignorássemos absolutamente os prêmios e castigos que esta fé nos ensina, de nenhuma maneira lhe temeríamos. Porém suposta a fé de alguns de seus artigos, por exemplo, a excelência divina, segue-se o temor respeitoso que mais tarde conduz o homem a submeter seu entendimento a Deus, para crer tudo o que lhe foi prometido.
II. A purificação do coração é efeito da fé, como se lê nos Atos dos Apóstolos: Purificando com a fé os seus corações (At 15, 9).
A impureza de uma coisa consiste em que se mescle com outras coisas mais vis; pois não se diz que a prata é impura se se mescla com o ouro, já que com essa mescla se faz melhor, senão pela mescla com o chumbo ou com o estanho. Porém é evidente que a criatura racional é a mais nobre de todas as criaturas temporais e corporais, e por conseguinte se faz impura submetendo-se a estas por amor.
Dessa impureza se purifica, certamente, pelo movimento contrário, isto é, dirigindo-se ao que está sobre ela, que é Deus, movimento cujo primeiro princípio é a fé, segundo aquilo da epístola aos Hebreus: É necessário que o que se aproxima de Deus, creia (Hb 11, 6). E por conseguinte o primeiro princípio da purificação do coração é a fé, pela qual se purifica a impureza do erro; fé que, aperfeiçoada pela caridade formada, produz a purificação completa.
-S. Th. IIª IIæ, q. 7, a. 1 e 2
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VIA ILUMINATIVA
21 DE AGOSTO
Os bens e as necessidades da fé
A fé produz quatro classes de bens.
Primeiro, pela fé a alma se une a Deus; pois por ela a alma realiza uma espécie de matrimônio com Deus. Desposar-me-ei contigo com uma inviolável fidelidade (Os 2, 20). Daí é que quando o homem é batizado, primeiro faz uma confissão de fé quando se lhe pergunta: "Crês em Deus?", pois o Batismo é o primeiro sacramento da fé. Por isso diz o Senhor: O que crer e for batizado, será salvo (Mc 16, 16). Pois o Batismo sem a fé não serve de nada. Por conseguinte, deve saber-se que ninguém é grato a Deus sem a fé. E sobre aquilo de São Paulo, Tudo o que não é segundo a fé, é pecado. (Rm 14, 23), diz Santo Agostinho: "Onde não há conhecimento da verdade eterna e imutável, é falsa a virtude mesmo nos melhores costumes".
Segundo, pela fé se inicia em nós a vida eterna; pois a vida não é outra coisa que conhecer a Deus. Por isso diz o Senhor: Ora a vida eterna é esta: Que te conheçam a ti como o único Deus verdadeiro (Jo 17, 3). Este conhecimento de Deus em nós começa pela fé, mas será aperfeiçoado na vida eterna, na qual conheceremos a Deus como é. E por isso se diz na Epístola aos Hebreus: Ora, a fé é o fundamento das coisas que se esperam (Hb 11, 1). Ninguém, pois, pode chegar à bem-aventurança, que é o conhecimento verdadeiro de Deus, se primeiro não conhece aqui a Deus pela fé.
Terceiro, a fé dirige a vida presente; porque para que o homem viva bem é necessário que saiba as coisas necessárias para viver; mas a fé mostra todas essas coisas; porque ensina que há um só Deus, que premia os bons e castiga os maus, que há outra vida, e outras verdades semelhantes, e tudo isso nos induz a praticar o bem e evitar o mal. A este respeito diz a Escritura: O meu justo viverá da fé (Hb 10, 38). Por onde se vê que nenhum filósofo, antes da vinda de Cristo, com todo o seu esforço não pôde saber de Deus nem das coisas necessárias para a vida eterna o que, depois da vinda de Cristo, sabe uma velhinha pela fé. Por isso diz Isaías: A terra estará cheia da ciência do Senhor (Is 11, 9).
Quarto, com a fé vencemos as tentações: os quais (os santos) pela fé conquistaram reinos (Hb 11, 33). E isto se comprova porque toda tentação vem do Diabo, ou do mundo ou da carne. O Diabo nos tenta para que não obedeçamos a Deus, nem nos submetamos a Ele. A fé rechaça esta tentação, pois por ela conhecemos que Ele é Senhor de todas as coisas e que por isso mesmo devemos obedecer-lhe: O Demônio, vosso adversário, anda ao redor... Resisti-lhe, fortes na fé (1Pd 5, 8). O mundo tenta ou cativando nas coisas prósperas ou aterrando nas adversas; porém nós as vencemos com a fé, que nos faz crer em outra vida melhor que esta, pois nos ensina a crer em outros bens e em outros males; e portanto a desprezar os bens deste mundo, e a não temer as adversidades. A vitória que venceu o mundo é a nossa fé (1Jo 5, 4). A carne tenta incitando-nos aos deleites momentâneos e caducos da vida presente; porém a fé nos mostra que se nos aderimos a eles indevidamente, por eles perderemos as alegrias eternas.
-In Symb.
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VIA PURGATIVA
16 DE AGOSTO
O modo de evitar a soberba
I. Alguns pecados são difíceis de se precaverem, por dois motivos:
Primeiro, pela veemência da impugnação, como a ira que ataca veementemente a causa de seu ímpeto. Porém é ainda mais difícil resistir à concupiscência, por ser-nos conatural; e tal dificuldade de evitar o pecado diminui sua gravidade, porque quanto menor seja o ímpeto da tentação para o que cai, tanto mais gravemente peca.
Segundo, é difícil evitar algum pecado porque está oculto; e deste modo é difícil evitar a soberba porque toma ocasião das mesmas coisas boas. Por isso diz expressamente Santo Agostinho que "ponha esperança nas boas obras", e o Salmo: No caminho por onde ando, armaram-me laços ocultos (SI 141, 4).
Por conseguinte, o movimento da soberba que se desliza ocultamente não tem maior gravidade antes de que o juízo da razão o perceba; porém, tão logo tornou-se conhecido da razão, então se evita facilmente, seja por aquilo do Eclesiástico: Por que se ensoberbece a terra e a cinza? (Eclo 10, 9); seja também pela consideração da grandeza divina, como diz o Livro de Jó: Por que se incha o teu espírito contra Deus? (Jó 15, 13); seja também pela imperfeição dos bens, de que o homem se ensoberbece, segundo aquilo de Isaías: Toda a carne é feno e que toda a sua glória é como a flor dos campos (Is 40, 6), e mais adiante: Todas as nossas justiças são como um pano sujo (Is 64, 6).
II. Para pôr manifesta a soberba dos homens, Deus castiga a alguns, permitindo-lhes cair em pecados carnais; que, ainda que sejam menores, no entanto, contêm uma fealdade mais manifesta; pelo que diz Santo Isidoro: "A soberba é mais detestável que todo vício, seja porque se encontra por pessoas mais elevadas e principais, seja porque nasce da obra da justiça e da virtude, e se sente menos sua culpa; mas a luxúria da carne é notória a todos, porque é por si mesma deforme; e, no entanto, por dispensa de Deus, é menor que a soberba. Mas o que está dominado pela soberba e não o sente, cai na luxúria da carne, para que, humilhado, saia de sua confusão".
Por isso também resulta evidente a gravidade da soberba mesma. Porque assim como o médico sábio faz cair o enfermo numa enfermidade mais leve, para remediar a mais grave; assim também o pecado da soberba se mostra como mais grave, e portanto, para seu remédio, Deus permite que os homens caiam em outros pecados.
-S. Th. IIª IIæ, q. 162, a. 6, ad 1um e ad 3um
MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES
VIA PURGATIVA
15 DE AGOSTO
A Assunção da Santíssima Virgem Maria
I. Elevei-me como o cedro do Líbano (Eclo 24, 17). As seis árvores às quais é comparada a exaltação da Santíssima Virgem na epístola desta festividade podem simbolizar as seis ordens de bem-aventurados.
O cedro representa os anjos pela sublimidade de sua natureza.
O cipreste simboliza os patriarcas e profetas pela suavidade de seu olor. Pelo qual se disse de um deles: Eis que o perfume de meu filho é como o perfume dum campo florido (Gn 27, 27).
A palma simboliza os apóstolos por seu triunfo glorioso sobre todo o mundo, e também a vitória.
A rosa representa os mártires pela efusão de sangue, que tem cor vermelha. Como roseiral plantado (Eclo 39, 17).
A oliveira simboliza os confessores pelo azeite. Eu, porém, sou como a oliveira verdejante na casa de Deus (S1 51, 10).
O plátano significa as virgens, pela frieza que apaga o incêndio da leviandade, pois cresce junto às águas.
II. O sentido é, pois, que a Virgem foi exaltada como os anjos, os patriarcas, os profetas, os apóstolos, os mártires, os confessores e as virgens; mais ainda, sobre os coros dos anjos e sobre todos os santos. E é de se maravilhar:
Porque teve os merecimentos dos anjos, vivendo angelicalmente. São Jerônimo diz: "Viver na carne como se não se tivesse carne não é vida terrena, senão celestial". O mesmo autor diz também: "A virgindade é irmã dos anjos".
Possuiu também os merecimentos dos profetas, profetizando: Todas as gerações me chamarão bem-aventurada (Lc 1, 48). Efetivamente, viu em espírito e profetizou que havia de ser glorificada por todos os povos e que todos eles deviam receber ao Filho de Deus e seu.
Teve os méritos dos apóstolos e evangelistas, ensinando; pois foram escritas e pregadas muitas coisas que os santos não puderam saber senão por conta de suas revelações, como a aparição do anjo na concepção e outras muitas.
Possuiu o mérito do mártir, padecendo com seu Filho morte de cruz. Uma espada trespassará a tua alma! (Lc 2, 35).
Teve o mérito dos confessores, confessando devotamente o Senhor. A minha alma glorifica o Senhor (Lc 1, 46).
Possuiu o merecimento das virgens, conservando a virgindade por toda a vida. Foi enviado o anjo Gabriel a Maria Virgem (Lc 1, 26-27).
E como possuiu o mérito de todos, assim mesmo foi conveniente que fosse exaltada sobre todos.
- Serm., LVIII
15 de Agosto Festa da Assunção da Santíssima Virgem Maria.

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES
VIA PURGATIVA
14 DE AGOSTO
O princípio de todo pecado
I. O princípio de todo o pecado é a soberba (Eclo 10, 15). Alguns dizem que a soberba pode tomar-se de três sentidos: primeiro, em sua significação de apetite desordenado da própria excelência, e segundo isto resulta pecado especial. Segundo, no sentido de que implica desprezo atual de Deus, porquanto produz o efeito de não se submeter a seus preceitos e assim dizem que é pecado geral. Terceiro, no sentido de que traz consigo certa inclinação a este desprezo, por corrupção da natureza; e por isso dizem que é princípio de todo pecado. Difere, entretanto, da ambição, porque esta mira ao pecado por parte da conversão ao bem comutável, pelo que o pecado em certo modo se nutre e fomenta, e assim a ambição se chama raiz; porém a soberba mira o pecado por parte da aversão a Deus, a cujos preceitos o homem recusa submeter-se; e por isso se chama princípio, pois de parte da aversão começa a razão do mal.
Ainda quando estas coisas sejam verdadeiras, não estão, no entanto, conformes com a intenção do Sábio, que diz: O princípio de todo o pecado é a soberba; porque às claras fala da soberba como apetite desordenado da própria excelência. Por conseguinte a soberba, ainda que considerada como pecado especial, é princípio de todo pecado.
Nos atos voluntários se dão duas ordens: a ordem da intenção e da execução. Na primeira ordem a soberba tem razão de princípio e de fim. Mas como o fim na aquisição de todos os bens temporais é que o homem tenha, por meio deles, certa perfeição singular e excelência, por esta parte a soberba, que é apetite da excelência, se assinala como princípio de todo pecado. Porém por parte da execução é o primeiro aquele que subministra a oportunidade de satisfazer todos os desejos do pecado, o qual tem razão de raiz, como as riquezas; e assim, sob este aspecto, afirma-se que a avareza é raiz de todos os males.
-S. Th. IIª IIæ, q. 84, a. 2
II. A soberba é rainha e mãe de todos os vícios. A soberba pode considerar-se de dois modos: primeiro, em si mesma, enquanto é um pecado especial; segundo, enquanto tem influência universal em todos os pecados. Considera-se capitais aqueles pecados especiais os quais dimanam muitos gêneros de pecados. Alguns, considerando desse modo a soberba, incluem-na entre outros vícios capitais.
Porém, vendo São Gregório a influência universal que exerce nos outros vícios capitais, não a incluiu entre os outros vícios capitais, senão que a pôs como rainha e mãe dos vícios; pelo que diz: "A mesma soberba rainha dos vícios, a soberba, quando fica plenamente dona do coração já vencido, entrega-o rapidamente aos sete vícios capitais, como a certos capitães seus para que a devastem e, destes, provenha multidões de vícios".
-S. Th. IIª IIæ, q. 162, a. 8
🤔


E deve ser por isso que os números de sobreviventes do holocausto só aumentam. 🤣🤣

Quanto tempo até essas fotos serem censuradas pelo Alexandre de Moraes? 🤣🤣


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VIA PURGATIVA
12 DE AGOSTO
A soberba
O pecado de soberba pode considerar-se de duas maneiras:
Primeiro, segundo sua própria espécie, a que possui por razão de seu objeto particular, e deste modo a soberba é pecado especial, porque tem objeto especial, já que é o apetite desordenado da própria excelência, o qual não está de acordo com a reta razão. E com efeito, a razão é a que ordena as coisas que o homem apetece naturalmente, e deste modo, se alguém se apartar mais ou menos da regra da razão, tal apetite será vicioso, como se vê no apetite da comida que naturalmente se deseja. Mas à soberba apetece a excelência excedendo-se ao que dita a reta razão.
Dum segundo modo, considera-se segundo certa redundância nos outros pecados, e neste sentido tem certa generalidade, porque da soberba podem originar-se todos os pecados de dois modos:
Primeiro, de per se, isto é, enquanto os demais pecados se ordenam ao fim da soberba, que é a própria excelência à que pode ordenar-se tudo o que ao homem apetece desordenadamente.
Segundo, indiretamente e como per accidens, quer dizer, separando o obstáculo, enquanto o homem despreza pela soberba a lei divina, pela qual se proíbe pecar, segundo aquilo: Quebraste o meu jugo, rompeste os meus laços, e disseste: Não servirei (Jr 2, 20).
-S. Th. IIª IIæ, q. 162, a. 2
O PECADO MORTAL
E o
O SANTO ROSÁRIO
Padre Eusébio Nierembergh relata que vivia na cidade de Aragona, na Sicília, uma menina chamada Alexandra. Sendo nobre e muito bonita, Alexandra era muito amada por dois jovens.
Movidos pelo ciúme, esses jovens lutaram um dia e se mataram. Seus parentes enfurecidos, em troca, mataram a pobre jovem como a causa de tantos problemas. Cortaram a cabeça dela e jogaram os seus restos mortais num poço, de onde gritos e lamentos eram ouvidos.
Naquela época São Domingos de Gusmão estava pregando e teve um sonho e a Santíssima Virgem disse-lhe:
“Domingos, há uma serva que sempre me honrou com a saudação que libertou a humanidade do pecado. Sua cabeça está decapitada. Ela me honrou com as 150 Ave-Marias (Rosário).”
E continuou:
“Confessa-a e da-lhe a Sagrada Comunhão. Prometi que ninguém morrerá sem receber os Santos Sacramentos se rezasse o meu ofício”
Alguns dias depois, São Domingos de Gusmão estava de passagem por aquele lugar e inspirado por Nosso Senhor, aproximou-se do poço e disse: “Alexandra, vem.”. Imediatamente a cabeça da falecida saiu, empoleirada na beira do poço, e pediu ao santo para ouvir sua confissão.
Acostumado a fenómenos bizarros, São Domingos ouviu a sua confissão e também a comunhão, na presença de um grande grupo de curiosos que se reuniram para testemunhar o milagre.
Então o santo pediu-lhe para dizer por que ela tinha recebido tal graça. Alexandra respondeu que quando foi decapitada, ela estava num estado de pecado mortal e teria sido condenada ao inferno. Mas por causa do rosário que ela tinha o hábito de recitar, a Virgem Maria apareceu e preservou a sua alma de tormentos intermináveis.
Por dois dias a cabeça de Alexandra manteve a vida e quando convocada foi fixada na borda do poço, na presença de todos, e então a alma foi para o purgatório.
Quinze dias depois, sua alma apareceu para São Domingos, linda e radiante como uma estrela. Então disse-lhe que uma das principais fontes de alívio para as almas no purgatório é o rosário que é recitado para eles; e que, assim que chegam ao paraíso, rezam por aqueles que lhes aplicam essas orações poderosas.

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VIA PURGATIVA
11 DE AGOSTO
O modo de vencer a luxúria
Convém saber que para evitar este pecado de luxúria se requer muito esforço, já que é um vício interno; e é mais difícil vencer um inimigo que é nosso hóspede. No entanto, vence-se de quatro maneiras:
Primeiro, fugindo das ocasiões exteriores, por exemplo, evitando as más companhias e todos os incentivos que ocasionalmente levam a este pecado: Não detenhas os teus olhos sobre uma donzela para que a sua beleza não te seja ocasião de queda... Não deixes errar os olhos pelas ruas da cidade, nem andes vagueando pelas suas praças. Afasta os teus olhos da mulher enfeitada, e não olhes com insistência para a formosura alheia. Por causa da formosura da mulher pereceram muitos, e por ela se acende a concupiscência como fogo (Eclo 9, 5-9). Porventura pode um homem esconder o fogo no seu seio, sem que ardam as suas vestes? (Pr 6, 27). Por isso lhe foi ordenado a Ló que fugisse de toda a região próxima a Sodoma (Gn 19, 17).
Segundo, não dando entrada aos maus pensamentos, porque são ocasião de excitação para a concupiscência, e isto se obtém pela mortificação: Castigo o meu corpo e reduzo-o à escravidão (1Cor 9, 27).
Terceiro, insistindo na oração, porque se o Senhor não guardar a cidade, inutilmente vigia a sentinela (SI 126, 1). E o Senhor diz em São Mateus: Esta casta (de demônios) não se lança fora, senão mediante a oração e o jejum (Mt 17, 20). Se dois homens pelejam e quereis ajudar a um e não a outro, deveis ajudar o primeiro e negar auxílio ao segundo. Pois bem, existe um contínuo combate entre o espírito e a carne; se quereis que vença o espírito, é necessário que lhe preste ajuda, e isto se faz pela oração; mas é mister que se a negue à carne, e isto se faz com o jejum; pois a carne se debilita com ele.
Quarto, insistindo em ocupações lícitas. Porque a ociosidade ensina muita malícia (Eclo 33, 29). Em Ezequiel se diz: Eis qual foi a causa da iniqüidade de Sodoma... a soberba, a fartura de pão e a abundância, e a ociosidade dela (Ez 16, 49). E São Jerônimo diz: "Faz sempre algo bom, para que o demônio te encontre ocupado. Entre todas as ocupações a melhor é o estudo das Escrituras". Em outro lugar diz o mesmo escritor: "Ama os estudos das Escrituras, e não amarás os vícios da carne".
-In Decalog., c. XXX
MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES
VIA PURGATIVA
10 DE AGOSTO
As filhas da luxúria
Chamam-se filhas da luxúria a cegueira da mente, a inconsideração, a precipitação, a inconstância, o amor-próprio, o ódio a Deus, o amor ao século presente e o horror do século futuro.
Quando as potências inferiores são arrastadas veementemente a seus objetos, resulta que as forças superiores são obstruídas e desordenadas em seus atos; e, pois, pelo vício da luxúria o apetite inferior concupiscível tende veementemente a seu objeto, que é deleitável por causa da veemência da paixão e do deleite; é lógico que pela luxúria se desordenam as forças superiores, a razão e a vontade.
Na prática se distinguem quatro atos da razão: Primeiro, a simples inteligência que vê um fim como bom, e este ato é impedido pela luxúria, segundo aquilo: A formosura seduziu-te, e a concupiscência perverteu-te o coração (Dn 13, 56); e por isto se põe a cegueira da mente.
Segundo, o conselho sobre o que se deve fazer por causa do fim, e este ato é impedido também pela concupiscência da luxúria. Por isso diz Terêncio, falando do amor voluptuoso: "Esta é uma coisa que não tem conselho nem medida, e não pode regê-la pelo conselho"; a isto se alude com a palavra precipitação, que importa subtração de conselho. Terceiro, o juízo sobre o que se deve fazer, e este também é impedido pela luxúria, pois se diz em Daniel acerca dos anciãos luxuriosos: Perderam o senso... para não verem o céu, nem se lembraram dos justos juízos (Dn 13, 9); e a isto pertence a inconsideração.
Quarto, o preceito da razão sobre o que se deve fazer, o qual também é obstruído pela luxúria, enquanto o homem, pelo ímpeto da concupiscência, se desvia de executar o que havia determinado fazer, o qual se chamou inconstância; por esta razão Terêncio diz de certo sujeito que prometia que se ia retirar de sua amiga: "Estas palavras as extinguirá uma falsa lágrima".
Mas por parte da vontade se cometem dois atos desordenados, um dos quais é o apetite do fim, pelo qual se põe amor-próprio, quer dizer, pelo deleite que se apetece desordenadamente, e por oposição se põe o ódio a Deus, porque proíbe o deleite apetecido.
O outro é o apetite das coisas que conduzem ao fim; e quanto a isto se põe o afeto do século presente, em que alguém quer gozar do deleite; a este se lhe põe a desesperação da vida futura, pois embargado com excesso pelos deleites carnais, não se cuida de chegar aos espirituais, antes bem lhe dão fastio.
-S. Th. IIª IIæ, q. 153, a. 5
MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES
VIA PURGATIVA
9 DE AGOSTO
A intemperança
1° A intemperança é pecado pueril.
Porque a intemperança é um pecado de concupiscência supérflua que se assemelha a uma criança em três coisas:
Primeiro, quanto ao que ambos apetecem, pois do mesmo modo que para a criança, para a concupiscência também apetece algo torpe.
A razão disto é que nas coisas humanas o belo se considera segundo que algo esteja ordenado conforme à razão. Porém a criança não atende à ordem da razão, e da mesma maneira a concupiscência não escuta àquela.
Segundo, quanto ao resultado; pois a criança cresce na própria vontade, se se condescende com ela; pelo que se diz no Eclesiástico: Um cavalo indomado
torna-se intratável, e um filho deixado à sua vontade torna-se precipitado (Eclo 30, 8). Também a concupiscência adquire maior energia se se lhe dá satisfação. Por isso diz Santo Agostinho: "Quando se serve ao capricho, degenera em costume; e quando não se resiste ao costume, faz-se necessidade".
Terceiro, quanto ao remédio que a ambos se aplica; posto que a criança se emenda porque se lhe coíbe. E assim se diz nos Provérbios: Não poupes a correção ao menino... Tu lhe baterás com a vara, e livrarás a sua alma da morada dos mortos (Pr 23, 13-14). Do mesmo modo, quando se resiste à concupiscência, conclui por reduzir-se aos limites da honestidade; e isto é o que diz Santo Agostinho: "quando o espirito está unido de uma maneira fixa e permanente às coisas espirituais, a impetuosidade do costume, quer dizer, da concupiscência carnal, se destrói e apaga depois de haver sido paulatinamente reprimida, porque era maior quando a seguíamos, e se não a anulamos, pelo menos diminui quando a refreamos"." E o filósofo opinava a respeito: "Assim como é preciso que a criança viva regradamente segundo as ordens do pedagogo, também é necessário que o concupiscível se conforme com a razão".
2º A intemperança é pecado em grande medida repreensível, por dois motivos:
Primeiro, porque repugna em alto grau à dignidade do homem, porquanto se refere aos deleites que são comuns a nós e aos brutos. Pelo qual se lê no Salmo: O homem, constituído em honra, não o entendeu; foi comparado aos animais sem razão, e tornou-se semelhante a eles (SI 48, 21).
Segundo, porque repugna em alto grau a sua nobreza e formosura, porquanto nos deleites a que se refere a intemperança se vê brilhar menos a luz da razão, à qual a virtude presta todo seu esplendor e formosura; daí que tais deleites se chamem assinaladamente servis.
-S. Th. IIa IIæ, q. 142. a. 2 e 4
MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES
VIA PURGATIVA
8 DE AGOSTO
A negligência
1º A negligência é pecado.
A negligência implica falta da devida solicitude; e todo defeito do ato devido tem razão de pecado; logo, a negligência tem razão de pecado; e como a solicitude é ato de virtude especial, necessariamente a negligência é pecado especial.
Em todo pecado necessariamente deve haver defeito acerca de um ato da razão, como o defeito do conselho e outros semelhantes; pelo qual, assim como a precipitação é um pecado especial por causa do ato especial da razão, do que se prescinde, isto é, o conselho, ainda que possa achar-se em qualquer gênero de pecado, assim a negligência é pecado especial pelo defeito do ato especial da razão, que é a solicitude, mesmo quando se encontre de algum modo em todos os pecados.
São propriamente matéria da negligência as obras boas que alguém deve praticar; não porque as mesmas sejam boas quando se fazem negligentemente, senão que por causa da negligência se produz nelas o defeito da bondade, seja se se omite totalmente o ato devido por falta de solicitude, seja também alguma circunstância devida do ato.
2º A negligência se opõe à prudência.
A negligência se opõe diretamente à solicitude, mas a solicitude pertence à razão; e sua retidão, à prudência. Logo a negligência pertence à imprudência por oposição. A negligência, que pertence à acídia, pois a negligência consiste no defeito do ato interior, ao que também pertence à eleição; mas a preguiça e o entorpecimento mais bem correspondem à execução, de tal modo, no entanto, que a pureza implica tardança em executar, e a indolência certa remissão na mesma execução.
Diz-se no Eclesiastes: o que teme a Deus nada despreza (Ecl 7, 19), pois o temor de Deus conduz a evitar todo pecado, como se lê nos Provérbios: Todo o homem evita o mal por meio do temor do Senhor (Pr 15, 27). Por isto, o temor faz evitar a negligência, não porque a negligência se oponha diretamente ao temor, senão enquanto o temor excita o homem aos atos da razão. Pelo qual se disse que o temor incita a tomar conselho.
3° A negligência pode ser pecado mortal. Isto se deduz destas palavras: O que porém não cuida da sua conduta padecerá a morte (Pr 19, 16).
A negligência provém de certo relaxamento da vontade, pelo qual ocorre que a razão não é induzida a mandar o que deve. Se o que se omite por negligência é de necessidade para a salvação, será pecado mortal. De outro modo pode também ser pecado mortal por parte da causa; se a vontade é tão remissa nas coisas de Deus que careça totalmente da caridade de Deus, tal negligência é pecado mortal, principalmente quando a negligência é efeito do desprezo. Ao contrário, se a negligência consiste na omissão de algum ato ou circunstância que não são necessárias para a salvação, e isto não se faz por desprezo, senão por falta de fervor, então não é pecado mortal senão venial.
-S. Th. IIª IIæ, q. 54, a. 1, 2 e 3
MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES
VIA PURGATIVA
7 DE AGOSTO
A precipitação
Diz-se nos Provérbios: O caminho dos ímpios é tenebroso; não sabem aonde vão cair (Pr 4, 19). Os caminhos tenebrosos da impiedade pertencem à imprudência, logo o cair ou precipitar-se corresponde à imprudência.
A precipitação nos atos da alma se diz metaforicamente, segundo a semelhança tomada do movimento corporal, e se diz precipitação, segundo o movimento corporal, o que provém de cima para baixo segundo certa impetuosidade do próprio movimento ou de alguém que empurra, não por descenso ordenado e gradual.
O mais elevado da alma é a razão mesma; o ínfimo é a ação executada pelo corpo, e os graus intermediários, pelos quais é mister descender ordenadamente, são a memória do passado, a inteligência do presente, a solércia na consideração dos futuros acontecimentos, o raciocínio, que compara uma coisa com outra, a docilidade, pela qual alguém se conforma com o parecer dos maiores; graus pelos quais efetivamente se descende ordenadamente aconselhando-se com retidão. Mas, se se é levado a agir pelo ímpeto da vontade ou da paixão, deixando por um lado estes graus, haverá precipitação. Assim, pois, como a desordem do conselho pertence à imprudência, é evidente que o vício da precipitação está contido sob a imprudência.
Chamam-se temeridades as ações que não são regidas pela razão, o qual pode ocorrer de dois modos: primeiro, por ímpeto da vontade ou da paixão; segundo, por desprezo da regra que dirige, e isto é propriamente a temeridade, pelo que parece provir essa raiz da soberba, que recusa submeter-se à direção alheia. Porém a precipitação se refere a ambas.
-S. Th. IIª IIæ, q. 53, a. 3
MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES
VIA PURGATIVA
6 DE AGOSTO
A Transfiguração de Cristo
Tendo prenunciado sua Paixão a seus discípulos, o Senhor os havia induzido a que lhe seguissem no caminho do sofrimento. Para que alguém avance diretamente em um caminho, é necessário que de alguma maneira conheça o fim; do mesmo modo que o arqueiro não dispara retamente a flecha se não mira primeiro o alvo ao qual a dirige. Por isso disse São Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; como podemos saber o caminho? (Jo 14, 5). E isto é necessário principalmente quando a senda é difícil e áspera, o caminho laborioso, e o fim agradável.
Mas Cristo por sua Paixão chegou a obter não somente a glória da alma, que teve desde o princípio de sua concepção, senão também a do corpo, segundo aquilo de São Lucas: Porventura não era necessário que o Cristo sofresse tais coisas, para entrar na sua glória? (Lc 24, 26). A ela conduz também aos que seguem as pegadas de sua Paixão, conforme estas palavras: É por muitas tribulações que devemos entrar no reino de Deus (At 14, 21).
E por isto foi conveniente que manifestasse a seus discípulos a glória de sua claridade, que é o mesmo que transfigurar-se, pois nesta claridade transfigurará aos seus, como diz o Apóstolo: Transformará o nosso corpo de miséria, fazendo-o semelhante ao seu corpo glorioso (Fl 3, 21). Do qual diz São Beda: "Em sua piedosa previsão lhes permitiu gozar um tempo muito curto a contemplação da alegria, que dura sempre, para fazer-lhes sobrelevar com maior fortaleza a adversidade".
-S. Th. IIIª, q. 45, a. 1
Tomou Jesus consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e levou-os aparte a um alto monte (Mt 17, 1). Nisto nos ensina que todos os que desejam contemplar a Deus não devem deixar-se levar pelos baixos deleites, senão que, pelo amor das coisas mais elevadas, devem elevar-se sempre às celestiais, e com isto mostra a seus discípulos que não há que buscar a glória da caridade divina nos baixos fundos deste século, senão no rei no da bem-aventurança celestial. Somos conduzidos à parte, porque os santos estão separados dos maus com toda sua alma e com as tendências de sua fé, porém depois estarão separados totalmente.
Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é nós estarmos aqui (Mt 17, 4). Se São Pedro, ao ver a humanidade glorificada quis não se separar nunca desta visão, o que pensar dos que mereceram ver sua divindade? Diz-se que não sabia o que dizia pelo estupor da fragilidade humana. Porém sabia bem que o único bem do homem é entrar no gozo de seu Senhor.
-De Humanitate Christi