Pra que o serve o Papa? É tão importante assim pros católicos? Tudo que ele diz os cristãos dessa vertente obedecem ou seguem? Qual a função dele?
Discussion
Seguir só a 1 ☝️
O Papa é o chefe máximo da igreja. Toda doutrina é protegida e/ou alterada apenas com a permissão dele. É uma tradição desde os tempos de Jesus, quando ele elegeu Pedro para conduzir a igreja. Sobre seguir ou não, isso é uma escolha pessoal
Então ele pode alterar os "eventos canônicos" das histórias da Bíblia?
Não, o papa não pode alterar os eventos da Bíblia. Ele pode interpretá-los para os tempos modernos, mas os fatos narrados nas escrituras são imutáveis e inspirados por Deus
Entendi, mas ele é uma figura tipo uma rainha Elizabeth na igreja? Tá lá, mas não tem poder?
Ter poder ele tem, mas sobre os dogmas (doutrinas e regras etc). É um poder mais doutrinário. Ele só não pode mudar o que é considerado revelação divina, como os eventos da Bíblia
O papa é o único membro da Igreja que tem o poder de nomear bispos, os quais ordenam os padres pelo mundo todo. Sem um papa não haveria bispos e padres.
O papa é também bispo de Roma, sucessor de Pedro, o apóstolo, naquilo que os católicos chamam de sucessão apostólica.
Sem um papa não haveria unidade na Igreja. Sem um papa, qualquer um poderia se considerar padre e abrir uma igreja católica.
Na verdade o papado foi essencial para que a Igreja mantivesse sua unidade física e doutrinária por quase 2000 anos.
Pelo contrário, ele é o CEO da igreja mesmo. Tirando a parte religiosa, ele é quem administra de fato a bagaça toda, nomeia as pessoas nos cargos de comando, dita as estratégia ,etc. Isso na igreja enquanto instituição. E no Vaticano enquanto pais, ele é o monarca, com todos os poderes de um chefe de estado e de governo.
Na perte religiosa o pessoal aí já explicou!
Interpretar é pior que alterar, é alterar de forma dissimulada.
¹⁸ Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém acrescentar a estas coisas, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro;
¹⁹ E, se alguém tirar quaisquer das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro.
Apocalipse 22:18,19
É um lider religioso do catolicismo. Talvez o comparem com o que o Edir Macedo é para a Universal ou o Valdomiro para a Mundial, mas como é um cargo eletivo, com poderes estatais, é bem diferente.
Ele toma decisões que impactam toda a organização católica e realmente tem impacto e influência no mundo, especialmente em localidades com muitos católicos.
Eu não reconheço sua autoridade, o meu Sumo Pontífice está no Santuário Celestial e não tem nenhum procurador na terra que os substitua, nem o presidente da Conferência Geral dos Adventistas, nem das instâncias inferiores, nem o meu pastor local. Me oporia com gosto às decisões deles, caso eles fossem contra a Escritura.
Cristo é o sumo sacerdote, o Papa apenas o representa. O Papa é para os cristãos o que Moisés foi para os judeus. O Papa não pode se opôr as Escrituras, porém, como garantir qual interpretação é a autêntica, que seja transparente de forma que seja verificável por todos, mas sem cair num racionalismo que acha que a razão é suficiente para alcançar as verdades bíblicas se não há um magistério, um depositário da fé? Resumindo, como a Sola Scriptura pode ser sustentado como critério epistemológico pela cristandade se não consegue criar coesão?
Acho que você quis dizer Arão, pois ele foi o primeiro sumo pontifíce e, mesmo assim, era o representante do povo para Deus e não de Deus para o povo. E Moisés era o servo de Deus, homem manso e humilde, não um rei absolutista. Sobre essa questão, é dito que Israel nunca teve um rei até a intento de autoproclamação de Abimeleque, filho de Gideão, isso antes mesmo de Saul e da casa de Davi e os reis do norte. E mesmo assim, o líder religioso não tinha poder político e o líder político não tinha poder religioso, era separado. Quando o rei Uzias tentou fazer o trabalho de sacerdote, ele foi castigado com lepra. E nenhum sacerdote tentou ser rei, com exceção de Melquisedeque, mas isso antes de existir Moisés e a Aliança Mosaica. Mas o papa é líder religioso e político, e eu sou contra a reunião de igreja e estado.
Vamos supor que Pedro tenha sido o primeiro papa (o que eu particularmente não acredito), você pode ver no livro de Gálatas que Paulo escreveu que Pedro "não andava direitamente conforma a verdade do evangelho" por causa da dissimulação em Antioquia, por ter fingido não ter se associado com os cristãos incircuncisos por medo do que os cristãos circuncisos iriam pensar. Se ele tinha medo do que os outros iriam pensar quer dizer que ele não era "o depositário da fé", não era considerado infalível. Tanto que suas falhas estão registradas ali. Quando ele foi batizar um gentio incircunciso também todos os líderes cristãos exigiram explicações, acho que se ele fosse papa todo mundo teria que ficar quieto e dizer: "é o papa, ele sabe o que faz".
Isso sem falar que, por muitos motivos, acredito que o papado já se opôs ao evangelho há muito tempo, milênios atrás ensinando tradições em detrimento das Escrituras.
Entendo esse ponto, mas o problema de um "ministério da verdade bíblica" é esmagar a liberdade de consciência de cada indivíduo para com Deus. Sei que por causa da sola scriptura muitas pessoas, propositalmente ou não, distorcem a Palavra e criam dezenas de milhares de denominações diferentes, porém prefiro isso do que julgar pessoas pelo que elas acreditam. Em nome da união subjugar a fé individual, não só a fé religiosa. Imagine se fosse proibida qualquer religião que não fosse o catolicismo e que só pudessem sem reunir em nome de Jesus com a autorização de algum líder católico. Isso já aconteceu na Europa. E as pessoas que desobedeciam eram severamente punidas até com pena capital. Nesse cenário, você acha que poderia ser ancap? Pois o papa é um líder de estado, ele iria exigir que você deixasse tua ideologia ou seria excomungado. Aí você nem poderia ir aos cultos e nem adorar a Deus em casa com sua família sem autorização, também não poderia ter a Bíblia, porque só o magistério pode interpretar.
A livre interpretação das Escrituras foi justamente o que deu origem às heresias mais absurdas da história, como o catarismo. Sem a unidade doutrinária, tudo inevitavelmente se fragmentaria em desvios e absurdos, especialmente no contexto moderno. A Verdade é una.
Quanto à proibição de outras religiões, essa prática esteve muito mais ligada ao estatismo do que propriamente à ação da Igreja, como historicamente ocorreu. A Igreja sempre exerceu sua jurisdição sobre os cristãos, particularmente os católicos; outras religiões, de fato, não estavam sob seu escopo direto. Mesmo em episódios de perseguição, como na Inquisição Espanhola, é crucial destacar a natureza do tribunal: tratava-se de uma instituição muito mais estatal do que eclesiástica, bem diferente do caráter do primeiro tribunal inquisitorial.
A separação entre Igreja e Estado mostrou-se importante, pois o Estado, ao longo da história, cometeu inúmeros abusos e desvios, cujas culpas acabavam frequentemente atribuídas à Igreja.
Você é a favor da liberdade de religiosa?
O que acha do papa como chefe de Estado?
E a igreja ter tido mais poder que os reis na Idade Média? O que aconteceria se um rei sofresse excomunhão?
Sou contra qualquer lei que impeça a manifestação religiosa. E considero que o catolicismo é o correto. É como liberdade de expressão.
Inclusive há vários documentos papais condenando a imposição da fé durante as Grandes Navegações.
A função do papa não é ser chefe de estado.
O papa não tinha exatamente mais poder que os reis na Idade Média. A Questão das Investiduras, o Atentado de Anagni, o Cativeiro de Avignon, o Grande Cisma do Ocidente e a própria Reforma Protestante mostram que o poder papal não era assim tão absoluto quanto parece, vide a Excomunhão de Isabel I da Inglaterra. Boa parte desses eventos ocorreram durante o ápice do poder papal.
Alguma outras notas minhas só pra complementar:
Mas eles são chefes de Estado.
Benito Mussolini os fez absolutos no Vaticano. E eles não são chefes somente do executivo, mas também do legislativo e judiciário na sua jurisdição. Presidentes do país, também do legislativo e do tribunal supremo do Vaticano.
Se as leis civis de muitos países puniam a heresia eu tenho por mim que tenha sido imposição direta do catolicismo sobre os monarcas. Ou você acha que o rei poderia revogar essas leis a qualquer momento sem ser pressionado depois pela igreja?
Depois de excluir os desafetos, é cõmodo deixar na mão do estado o serviço mórbido. Isso não inocenta a igreja do sangue, como a água não inocentou Pilatos.
Eu até concordo que hereges que levam uma fé criminosa (que matam, roubam, violentam, destroem o patrimônio alheio) sejam mortos. Mas muitos que tinham apenas opiniões diferentes sobre a fé eram tratados de igual maneira.
E há registros de oficiais da igreja desrespeitando indultos reais que protegiam os hereges para que fossem mortos. Isso é uma clara evidência do poder da igreja superando o estatal.
Parece que só a ameaça de que o herege não tem esperança e vai pro inferno depois da morte e colocá-los como páreas sociais já não era punição suficiente. Uma pessoa em excomunhão nem precisava ser morta, para começo de conversa, ela já estava toda ferrada em vida, se fosse comerciante, ninguém comprava dela, talvez ninguém lhe desse emprego ou falasse com ela.
De repente pulaste para o sec. XX. Enfim, como eu disse, a função do papa não é ser chefe de estado. Ele é, antes de tudo, o sucessor de Pedro, Vigário de Cristo e chefe visível da Igreja Católica. O chefe de Estado do Vaticano é uma consequência acidental, não uma definição essencial do ofício papal.
O Estado da Cidade do Vaticano é necessidade prática, uma independência da Igreja em relação ao poder secular. Se destruíssem o Vaticano amanhã, a função eclesial dele permaneceria intacta. E chefe de um Estado de 0,44 km²...
O Código de Teodósio II e o Corpus Juris Civilis já tratavam a heresia como crime muito antes da Inquisição existir. Até porque isso poderia fomentar revoltas.
Antes dela, hereges eram linchados ou condenados sumariamente, sem processo formal, sem direito de defesa. A Inquisição estabeleceu procedimentos jurídicos claros, baseados em prova e testemunha, onde inclusive o ônus da prova era transferido para o acusador — o que, à época, era uma inovação extraordinária. Tanto é que a pena capital definitivamente não era a regra, mas exceção. A proporção histórica é brutalmente distorcida.
Havia todo um processo que não convém detalhar aqui, que poderia durar anos! Havia apelações à Santa Sé, penitências, indultos, enfim... Muitos, inclusive, preferiam ser julgados pelo tribunal da inquisição (principalmente durante a Inquisição Medieval Papal) do que pelo tribunal secular, pois aquele era demorado e piedoso, motivo pelo qual muitos populares criticavam a inquisição e preferiam fazer justiça com as próprias mãos em alguns casos.
É importante sempre lembrar que era uma sociedade cujo fundamento era religioso. Analisar a julgar com olhar moderno é anacronismo.
Minha intenção aqui não é isentar os membros da Igreja de quaisquer erros — afinal, são homens falíveis, e é evidente que houve falhas ao longo da história. No entanto, minha fé está em Cristo, que se manifesta em seu Corpo Místico, a Igreja Católica. O objetivo é apenas oferecer um contexto mais amplo e esclarecer melhor os acontecimentos.
O tribunal inquisitório era feito na base do interrogatório ou mediante tortura? Não dizem que muitos instrumentos de tortura eram da igreja?
O julgamento era baseado em interrogatório e investigação.
Os acusados eram avisados previamente que estavam sendo investigados. Eram investigadas coisas como, por exemplo, se o acusador tinha alguma pendência ou problema com o acusado, o que poderia motivar uma falsa acusação.
O acusado tinha direito a um defensor, desde que este se encaixasse nos requisitos do inquisidor.
A qualquer momento da investigação, se o acusado assumisse a culpa e demonstrasse arrependimento, era absolvido ou a pena aplicada era branda, como um serviço comunitário. Os hereges podiam se apresentar ao inquisidor para serem absolvidos e se reconciliar com a Igreja. Mas em casos de relapso (voltar a cometer o mesmo erro após jurar não cometer) a condenação era imediata.
Os acusados poderiam arrastar o processo por anos, fazendo uso do apelo ao papa. Isso numa época em que a informação demorava dias, semanas ou meses pra chegar nos locais de destino.
O caso Galileu, por exemplo, se prolongou por 20 anos.
Sobre a tortura, ela era usada muito raramente e era considerada como pouco eficiente devido à natureza da ação como meio para se conseguir a verdade.
Ela era extremamente regulamentada e sobre estrita supervisão. Seguindo o princípio do “Ecclesia abhorret a sanguine”, ou seja, a Igreja abomina o sangue. Sendo assim, a tortura não poderia arrancar sangue.
Pela sua ineficiência em alcançar a verdade, caiu em desuso já pela metade do século XIV.
Interessante ouvir uma versão diferente dos fatos.
Não é uma versão diferente dos fatos, isso seria a definição de mentira.
São os fatos. A inquisição produziu uma vasta quantidade de documentos pois o tribunal registrava praticamente tudo.
Estão disponíveis online?
A maioria está em bibliotecas e universidades européias. No Archivo Histórico Nacional da Espanha, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Portugal, no Arquivo Apostólico do Vaticano, este último acessível apenas por acadêmicos, Universidade de Notre Dame, etc.
Digitais eu realmente não sei dizer quantos tem. Seria necessário procurar a fundo. Pesquise no site da Universidade de Notre Dame e no Portal de Archivos Españoles.
O cara confirmou e os registro também confirmam que havia tortura e você manda um “interessante, que legal essa outra versão”?
Quem lê assim pensa que a inquisição era uma maravilha do direito, um foco de luz de justiça em meio ao caos. No final todos se abraçavam, era lindo.
Torturas ou ameaças de tortura aconteciam, muitas vezes os acusados não sabiam pelo que estavam sendo acusados, os defensores tinham que ser autorizados pela Inquisição.
Ou seja, te acusavam e te prendiam por um crime que nem crime é, torturavam sem derramar sangue (que fofo) e logo caiu em desuso. Por quantos anos a tortura foi instrumento da igreja pra obter confissões de crimes que sequer são crimes perante qualquer lei natural?
Verdade. Se a Igreja adotasse a livre interpretação das escrituras, em pouco tempo a Igreja Católica se transformaria em algo como a Igreja Anglicana ou Luterana e seguiria pela linha carismática.
Desde a revolução francesa o Estado, sob suas diversas formas, é a instituição mais assassina da humanidade.
Foi muito importante para a Igreja separar o poder temporal do poder eclesiástico.
A igreja católica pode ter os princípios que ela quiser. Quem quiser fazer parte dela, que se adeque, nada mais justo.
Liberdade de ser católico, de ser intérprete protestante das Escrituras, de ler o livro dos mórmons, de não crer na Bíblia, de crer no Bagavadeguitá, Alcorão, na religião oral dos índios, nas africanas, etc.
Mas a igreja não separou-se do poder temporal, não.
Melhor coisa que aconteceu na história política recente da Igreja foi o Tratado de Latrão, em que a Igreja reconheceu a soberania da Itália sobre as terras do milenar Estado Pontifício e a Itália, por sua vez, reconheceu a soberania da Igreja sobre o enclave do Vaticano, além de pagar indenização pelas terras.
A Igreja é pescadora de almas, não é coletora de impostos.
Então fala para a igreja brasileira parar de coletar taxas.
Na minha cidade natal, por exemplo, o bairro do Centro é propriedade católica. Sabe o que eles fazem? Cobram um imposto. Você não acha que quem mora ou trabalha no Vaticano não tem que pagar algo parecido? Imagine um comércio lá, a menos ele seja gerido por um oficial da igreja, ele teria que dispor de uma taxa ou estou falando besteira? Mas se é propriedade da igreja é justo cobrar e eu até concordo, estamos falando realmente de propriedade privada, mas conseguida pela coerção estatal durante o fascismo.
Estranho uma igreja querer um pedaço de terra para ter soberania. Os primeiros cristãos e líderes não tinham essas ambições, eles sabiam que tinham a nova terra prometida para eles.
Vc misturou uns dois ou três assuntos e eu não consegui entender muito bem...
Se o centro do bairro da sua cidade natal tem enfiteuse da Igreja Católica, qual é o problema dela cobrar foro e laudêmio?
Se vc fosse dono de um imóvel, vc não gostaria de receber aluguel?
E outra, o Vaticano não foi conseguido por coerção, pelo fascismo. É justamente o contrario. A igreja tinha o domínio milenar de uma extensa área na península da Itália. Os revolucionários da unificação italiana tomaram as terras, unificaram o país e ficou tudo por isto mesmo. O acordo para resolver esta questão foi realizado no período do Mussolini, que era o dirigente da Itália na época.
E me perdoe, mas é um pouco ingênuo comparar as necessidades da época de 12 cristãos com uma multidão bilionária de cristãos atuais. Como agregar todas estas pessoas sem imóveis, sem sacerdotes e outros bens?
Eu disse que era justo ela cobrar sendo a propriedade privada dela, não disse? E usei de comparação com o Vaticano, ela cobraria por tudo o que acontecesse lá, sim. Ingênuo pensar que não.
Eu não tenho conhecimento profundo sobre a história da igreja católica desde a prisão do papa Pio VI até o tratado de Latrão. Se conseguiram as terras por usucapião, a igreja perdeu mesmo, não sei se seria esse o caso.
Nas aulas de História chamavam a igreja de Senhora da Europa. Se fosse assim, teriam que restituir a Europa toda, não é não? Um bom percentual era dela.
É que hoje em dia as pessoas apenas conhecem a posse e a propriedade como direitos sobre terras e imóveis, mas existiam e existem outras categorias de direitos, dentre eles a enfiteuse.
Funcionava assim: por exemplo, o D. Pedro tem uma fazenda gigantesca e as pessoas começam a ocupar partes de suas terras. O D. Pedro não quer desapropriar estas pessoas, mas também não quer perder suas terras. Então ele cria a enfiteuse, que é o direito do ocupante usar seu imóvel, como se dono fosse, pagando por um isto um valor anual. Na prática o ocupante é quase um proprietário, mas não é. E se o ocupante vender o imóvel em enfiteuse ou transmitir a herdeiros, ele também deve paga outro valor. Se não quiser pagar estes valores, ele deve devolver o imóvel ao proprietário.
A família real fez isto em Petrópolis e a Igreja constituiu enfiteuses em diversos lugares do Brasil. É uma forma de amparar pessoas que não teriam condições de comprar um lote ou alugar um imóvel.
Hoje em dia não é mais possível fazer isto, mas as antigas enfiteuses continuam por tempo indeterminado. Na Europa existem enfiteuses de séculos. Outras enfiteuses acabam com a morte do ocupante e o imóvel precisa ser devolvido, ou ser feito nova enfiteuse com os herdeiros.
Muitas pessoas não conhecem este direito e criticam injustamente a Igreja e os herdeiros da família real.
Já os Estados Papais foram criados depois de uma grande doação de terras, no que é hoje o centro da Itália, pelo pai do imperador Carlos Magno.
Sim, as terras foram perdidas, pois os revolucionários italianos as tomaram e o papa da época não resistiu, pois não tinha exército. E esta questão ficou décadas em pendência até o tratado e Latrão. Assim o vaticano não é considerado resquício dos Estados Pontifícios. É uma nova criação, um novo estado sem ligação com o passado. E a Itália reconhece sua soberania.
Na verdade o Vaticano é um estado apenas formalmente, como se fosse um grande imóvel sem subordinação a nenhum estado. É o sonho do Ancapistão. I agine sua casa sem subordinação ao estado brasileiro... Que sonho. Ele existe e se chama Vaticano.
Digo ser apenas formalmente porque o Vaticano depende da Itália para tudo: fornecimento de energia, água e segurança externa.
O valor da indenização que o Vaticano recebeu da Itália é um ponto meio obscuro. Eu nunca achei fontes confiáveis sobre o valor e é algo que eu gostaria de saber.
Não faz sentido tentar negar a inefabilidade através dessa passagem, afinal a inefabilidade não abarca a vida do Papa, e sim somente suas proclamações enquanto pastor universal da Igreja do mundo inteiro em assuntos de fé e moral, papas pecam e podem ser repreendidos por isso, desde que com respeito.
O pleno assentimento por todos não se aplicou nem ao Cristo, que era o próprio Deus encarnado, quanto mais a Pedro e seus sucessores, não seria devaneio de Pedro temer que a opinião alheia, embora não o devesse fazê-lo em virtude do cargo que ocupava.
O papado nunca se opôs ao ensino bíblico através da Tradição, pois a própria bíblia é fruto da Tradição. O evangelho foi, primeiramente, anunciado oralmente através do discurso dos apóstolos e só décadas depois se houve preocupação em escrever alguma coisa, o primeiro livro do NT foi 1 Tessalonicenses, 51 d.C. O próprio Cristo nunca ordenou que nada fosse escrito, antes instruiu aos apóstolos a pegar a pregar a toda criatura.
Além disso, por muitos séculos a circulação de livros, incluindo a bíblia, era muito escassa, já que a produção era muito lenta e só no século XV, com advento da imprensa, que esse problema foi solucionado e, mesmo com o aumento da produção, a maioria das pessoas eram analfabetas. Isso por si só já faz a Sola Scriptura uma doutrina insustentável, fora o fato de que não há menção dela na bíblia, o que configura em petição de princípio.
Argumenta bem.
A ideia sobre tradição não é de todo excluída, Paulo falou sobre a tradição que deveriam seguir, a tradição de trabalhar e não ficar vadiando, como era comum na Tessalônica, e Paulo até trabalhou lá para mostrar que convinha trabalhar. Ele até disse que era para notar quem não seguia essa tradição e se afastar dessa pessoa.
O problema, amigo, é fazer da tradição superior às Escrituras, como Cristo repreendeu os líderes judaicos que ensinavam mais os pensamentos dos antigos rabinos do que a Tanakh (Antigo Testamento) em si.
Não acho que o Novo Testamento é uma tradição, seria se fosse escrito por outras gerações, talvez, mas foi escrito pelas testemunhas oculares e por um missionário que viu o Senhor ressuscitado e que era contemporâneo dos apóstolos. Enquanto os evangelhos e cartas não chegavam, todos tinham o Antigo Testamento como fonte de doutrina cristã. Sim, ele mesmo. Afinal a maior parte da doutrina de Cristo era repetir o que os profetas e salmistas escreveram. Muita gente fala que os dois maiores mandamentos eram novos, mas já estavam escritos em Levítico e Deuteronômio cerca de quinze séculos antes de Cristo.
A Bíblia ensina a Sola Scriptura, sim, desde o Antigo Testamento. Quando Salomão e João diz para não acrescentar ou tirar à palavra de Deus, eles querem dizer que a doutrina não precisa de conteúdo externo, mesmo aquele produzido pelas mentes piedosas. Eles podem ter conselhos bons, mas não são normativas universais.
Veja o que Jesus disse que veio cumprir a Escritura, não a tradição rabínica. Se você perceber, Ele frustrou praticamente tudo o que os rabinos ensinavam em suas tradições como o Messias seria. Mas você poderia argumentar que eles escreveram suas tradições sem a autorização e direção de Deus. E eu concordarei com você. Agora, como provar que o que aconteceu com os rabinos não está se repetindo agora com a Sé da igreja? Para mim, é a mesma coisa, só a história se repetindo, trocando só o nome da instituição e dos personagens, mas o mesmo propósito humano de colocar sua visão e achar que a Escritura é insuficiente. Era isso que pensavam os rabinos.
Não estou dizendo que os livros de mentes piedosas são ruins, pelo contrário, mas eles só nos servem enquanto tiverem fundamento bíblico. Se não for assim, pode ser apenas uma fábula para ensinar uma lição de moral, se for só isso, os escritores e roteiristas clássicos fazem até melhor.
### A Tradição
O catolicismo não diz que a Tradição seja superior à Escritura e sim que elas, assim como o Magistério, estão em igualdade. A tradição que é repreendida por Cristo foi a tradição com "t" minúsculo, que são costumes e expressões culturais, que podem ser benéficos, mas que não devem se sobrepôr ao que importa, que são os mandamentos de Deus.
Um exemplo de tradição com "t" minúsculo é a batina, que representa a morte do sacerdote para o mundo, não só o carnal, para o qual todo cristão deve morrer, e sim que o ele dedicará todo o seu tempo à Igreja. É bom respeitar esse costume, mas seria totalmente ridículo que um padre corrupto se sentisse mais santo por fazer isso em relação a outro que não o faz, mas tem uma vida regrada, e esse era o caso dos fariseus e eles mereciam repreensão.
Já a Tradição com "t" maiúsculo se refere à transmissão viva do Evangelho pelos apóstolos e seus sucessores, seja oralmente ou seja por escrito. Veja que a Escritura se enquadra nesse quesito, sendo um fruto da Tradição, porém gozando de certos privilégios que a transmissão por escrito pelos Padres Apostólicos não possui, pois, diferentemente desses escritos, toda a bíblia é inerrante e infalível, já os escritos dos Santos Padres precisam ser dircenidos para se saber se fazem parte da Tradição, pois não o escreveram sob inspiração divina.
### Impossibilidade do Sola Scriptura
De fato, na época, já se havia o Antigo Testamento, porém, uns dos meus pontos levantados anteriormente ainda persistem: livros eram escassos, caros e difíceis de armasenar, e a maior parte da população era analfabeta. Não havia uma leitura como há hoje, os livros eram lidos de forma comunitária, geralmente nas sinagogas por algum escriba ou sacerdote, para que todos pudessem conhecer a palavra de Deus.
Além disso, os livros do Antigo Testamento seguiram a mesma ordem que o do Novo, primeiro se sucedeu a transmissão oral e só depois essa transmissão era transcrita, justamente por causa da difícil produção e a baixa demanda, já que a maioria não conseguiria ler e a transmissão oral seria muito mais efetiva que registros escritos.
Só com a invenção da imprensa no século XV por Gutenberg que a circulação de livros tornou-se maior e livros se tornaram mais acessíveis a população em geral. Demoraria 15 séculos para que a doutrina da Sola Scriptura fosse sustentável, seriam 15 séculos com cristãos com uma fé obscurecida, caso o Sola Scriptura fosse verdadeiro.
### Refutação de possíveis provas ao Sola Scriptura
"Nada acrescente às suas palavras, para que ele não o repreenda e se mostre mentiroso." Pr 30:6
A palavra não é necessariamente a palavra escrita, não se pode usar essa passagem para justificar o Sola Scriptura. A palavra escrita é só uma documentação do que já foi dito, Deus falava aos seus profetas, não lhes enviava um livro com suas palavras. Depois disso, o que foi dito era transmitido oralmente ao povo, e só depois era documentado por escrito.
"Eu, João, dou testemunho a todos os que ouvirem as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhes acrescentar algo, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro; e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da cidade santa, que estão escritas neste livro." Ap 22:18-19
João está falando especificamente do livro que está escrevendo, Apocalipse, então esta passagem também não pode ser usada para justificar o Sola Scriptura.
Creio que eu deva deixar claro que, no catolicismo, a Sagrada Tradição não é um acréscimo à palavra de Deus, e sim faz parte dela, assim como a Sagrada Escritura.
### Como saber se há diferença no erro dos fariseus e a Igreja
O tripé católico, Escritura-Magistério-Tradição, não se contradiz, complementam um ao outro em perfeita harmonia, e juntos, contém a revelação de Deus, e a ela nada deve ser acrescentado. Se remontar-se desde os primórdios do cristianismo, nenhuma vírgula foi acrescentada ou retirada, estudando o cristianismo primitivo chegasse à autoridade da Igreja Católica, esse é um método para descobrir se nos afundamos em falsas tradições e em superstições, como os escribas e fariseus, ou se estamos seguido legitimamente tudo aquilo que o Senhor nos ensinou.
É um modo de ver que não harmoniza com o modo como Cristo viveu e ensinou. Como eu disse, como pode ter certeza de que a tradição da igreja é diferente da tradição rabínica? Os fariseus acreditavam que eram importantes também.
Jesus desprezou a tradição rabínica transgrendindo-a propositalmente muitas vezes para mostrar o perigo de igualar a tradição com a Palavra. Os rabinos também não diziam que a tradição era superior à Escritura, mas depois de tantas regras humanas acabavam conflitando e anulando a revelação de Deus e o povo confiava na liderança, muitos eram sacerdotes ungidos e pessoas eloquentes de aparente piedade.
Paulo disse que as escrituras tornariam Timóteo sábio para a salvação, eu entendo isso como se ele estivesse dizendo que ele encontraria o que era necessário saber para ser salvo e não precisava de complementos.
Você acha que os primeiros cristãos eram quase todos analfabetos, eu não teria tanta certeza. Os cristãos judeus geralmente eram alfabetizados e já havia a Septuaginta, tradução do Antigo Testamento, escrita toda em grego, a língua franca da época para os gentios.
Realmente essas referências sobre a sola scriptura podem ser contraditas, porque depois de Provérbios vieram vários outros livros e depois de apocalipse ainda vieram as cartas e o Evangelho de João, então mais palavras realmente foram acrescentadas, com a permissão de Deus. Mas já havia um cânon estabelecido. Porque você acha que os escritos patrísticos não foram canonizados? Porque eles não tem a função de normativa universal e atemporal que os Escritos canônicos têm.
Essa ideia do tripé é exatamente o mesmo tripé judaico: Escrituras-Sinédrio-Talmude, onde Sinédrio é o ajuntamento dos mestres e intérpretes e o Tamulde é a tradição rabínica de séculos. Veja como o enredo é o mesmo, só mudam os nomes dod personagens e das organizações?
Sobre o Magistério manter a harmonia com a Escritura e a pureza da doutrina de Cristo, não consigo enxergar isso quando leio o Catecismo ou lembro de algumas doutrinas que não consigo harmonizar.
Mas todo respeito a ti e a tua fé. Estamos só falando sobre idéias. E a gente foi longe, hein? Estávamos respondendo a nostr:nprofile1qqsfujjjw3474zsrfcqhcgqavqeesd4h0nuxt0ue5ugy9y7e47xyh3qpz4mhxue69uhhyetvv9ujuerpd46hxtnfduhsz9mhwden5te0wfjkccte9ec8y6tdv9kzumn9wshszrnhwden5te0dehhxtnvdakz748t750 sobre quem é o papa e acabamos falando de Sola Scroptura, Tratado de Latrão e outras coisas aleatórias.
A fé não exclui a razão para se entender a revelação de Deus.
Podemos ver Paulo ensinando que o culto é racional e Deus, em Isaías, chamando os pecadores para arrazoarem com ele.
Então, a revelação de Deus é discernida espiritualmente, sim, mas a razão está presente no processo. Deus escolheu linguagem humana inteligível para se comunicar, senão ele teria usado uma linguagem espiritual que só os espiritualmente hábeis pudessem entender.
E o conteúdo da revelação não é de todo transcendental, pelo contrário, a maior parte dela é histórica e se passa na terra. É diferente de outros livros sagrados que falam apenas do mundo dos deuses.
E quem colocou a razão no ser humano? O próprio Deus. Jesus também é um ser humano racional e inclusive, ao falar sobre temas da Escritura com os mestres da época, perguntou como eles interpretavam a Lei e nunca disse que não deveríamos tirar nossas próprias interpretações, pelo contrário, falando da profecia da destruição de Jerusalém ele disse que Daniel falou da "assolação abominável" e terminou dizendo "quem lê, entenda".
Deus só criticou a sabedoria humana (o conhecimento humano) dizendo que a é louca perante a sabedoria de Deus. Sabedoria não é inteligência (capacidade de entender, interpretar), sabedoria é o que está entendido, e, muitas vezes mal entendido. Jesus quer que abramos mãos de coisas já que já concluímos anteriormente para deixar a razão santificada a Deus preencher as lacunas deixadas pelo conhecimento errado serem preenchidas pela verdade assimilada racionalmente.
O erro se dá quando se mistura sabedoria humana com divina, daí surgem mas interpretações, o problema não é a razão, mas a consideração de pressupostos humanos que a pessoa não quis abandonar.
Eu não opus fé à razão, fui claro em dizer "racionalismo". Se eu fosse fideísta, não seria católico.
Estamos falando de equilíbrio, usamos a fé e a razão na religião. Nossa fé é racional e nossa razão fiel.
É diferente de ter uma fé que aceita tudo, pois Cristo também falou do ceticismo, não dar crédito à todo ensino. O cuidado com as falsas doutrinas e profecias. O Cristianismo nos ajuda a sermos até céticos mesmo.
Não sei o que você quer dize por racionalismo, um tipo de racionalismo religioso? Sei lá, essas religiões modernas como cientologia ou algo que envolve ciência e misticismo praticadas por homens "inteligentes"? Algo como a imunização racional da religião do Universo em Desencanto que até estuda ufologia nas suas crenças? Ou sobre alquimismo ou outra coisa que cientistas e filósofos religiosos crêem por ser supostamente mais racional? Para mim tudo isso é dispensável e inútil.
Racionalismo, na questão religiosa, é sobrepôr a razão a fé, como se fosse possível descobrir toda a revelação através da razão, a fé sendo apenas algo secundário e consequência de juízos humanos. Por exemplo, a Santíssima Trindade é um mistério de fé o qual a inteligência humana não tem capacidade de apreender, nem o homem poderia a ter descoberto se Deus não o tivesse revelado.
Vou mandar um textão e ainda ficaria incompleto. Mas vamos lá:
Na fé católica o papa é o líder da Tradição, que associado a Bíblia e o Espírito Santo, guia os católicos. Uma tríade.
Um exemplo:
o caos “aparente” da natureza é nada mais que a ação do Espírito Santo para o desejo do Pai. Entenda como a teoria determinista. O seu pensamento, sua decisão ler o que escrevo é pelo Espírito Santo.
A Bíblia é um livro compilado para ser usado como mensagem do Espírito Santo. Não adianta você ler e tentar você mesma entender a mensagem. Você pode ler como oração, mas não como ensinamento moral sem os outros dois (Esp. Santo é Tradição)
A tradição é a passagem da mensagem de forma ORAL seguindo protocolos e ritos escritos pelo Papa. Que muda com o espaço e o tempo.
Entao, uma mesma leitura que se faz da Bíblia hj no Brasil pode ser uma mensagem um pouco diferente da mensagem na Ucrânia um ano atrás. Sempre será a mesma leitura do dia, e a tradição orienta os padres sobre o que falar.
Nesse sentido a função do Papa, nada mais é que decidir “protocolos”, ritos, textos bíblicos para os dias. O mesmo texto é replicado no mundo inteiro.
Só que a mensagem pode causar um efeito completamente contrário ao desejo do Papa (para o bem ou para o mal) porque sofre influência do Caos (nesse caso o Espírito Santo).