O que vocês tirariam ou colocariam no português, se pudessem?

Eu tiraria os quatro porquês e deixaria só 'porque' 🙂👍

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No Brasil a gente perde anos tentando aprender isso ao invés de focarmos em coisas úteis. Simplificar a gramática seria bem útil e produtivo.

Sim. Temos até diversos simbolos para o mesmo som, como no som de S, com o s, c, ç, x, ss, sc, sç, xs e xc (9 formas diferentes) 😮‍💨

O pior é que muita gente considera os outros ou se consideram inteligentes por conhecer essas regras. É a mesma lógica da tabuada.

Mas na tabuada eu discordo kk

Ela é bem mais previsível e definida, fora que ajuda muito a resolver questões do dia a dia de forma mais intuitiva e sem depender de eletrônicos. Fora que é o básico do básico da matemática...

Tabuada é imprescindível, é decorar ou nem chegar na 5a série, expulsa da escola e poe pra aprendiz de pedreiro.

Sem tabuada, uma lista de exercício de matemática representa horas de apertar botão em calculadora ou catando milho em lapis e papel, erros bobos, cansa o moleque, ele perde o gosto pela matemática. Vira um circulo vicioso, cada vez mais doloroso e desesperador.

Com tabuada, faz muito de cabeça, termina a lista rápido, cansa menos, gosta mais, rende mais, motiva mais, aprende mais. Repetindo, aprende a fazer calculos mais complexos mais rápido, ou até de cabeça, e cria um circulo virtuoso onde o tempo dele rende e ele gosta de aprender.

E que, mesmo qdo usamos calculadora, se sabemos fazer de cabeça, fazemos um calculo aproximado pelo menos da ordem de grandeza, que evita erros grosseiros 'apertei um zero a mais'.

Sem contar o dia-a-dia, fazer contas de cabeça no comercio, noticias, etc.

Todas essas discussões são uma contaminação mental do zeitgeist 'diploma para todos', um bando de escola que não serve pra nada.

Colocaria de volta o trema em cima do ü e o "ph" com som de F nas palavras. E o C e o P e vários palavras

Se "óptica" está correcto, por que não estaria "objecto", "precto", "prompto".

Óptica e ótica são usadas para coisas diferentes. Ótica é mais ampla, mas mais voltadas para a visão em si, já a óptica é mais específico para coisas relativas a visão (partes do corpo, física da luz e etc), mas acho que tenderá a cair em desuso.

O ü e o ph, só adicionam elementos e prolixismos desnecessários, fora que com o resto, ninguém fala objecto, precto e prompto, a muito tempo... Só dificultaria a escrita, a legibilidade e a praticidade, só para aproximar de algumas outras línguas e da origem etimológica 😂

Ah, e por mim, se retirava todos os acentos ou deixava opcionais. Eles já estão caindo em desuso e poucos gostam de ficar depois revisando pra achar se esqueceram de botar 😮‍💨

Então como seria? Ilusão de óptica ou de ótica?😂

Sem zoeira, só acho "linguiça" estranho demais.

E o verbo "parar" na forma "para" dá pra confundir com preposição. O "pára" era bom pra diferenciar.

Ilusão de ótica. Óptica é um termo mais técnico para mecanismos biológicos ou físicos, já ótica é para a percepção visual ('olhar por outra ótica', 'a ótica do autor'...).

Em relação a 'pára' e 'para', no dia a dia as pessoas sequer notam que são palavras iguais se tirar o acento... Eu mesmo nunca cometi algum erro por conta disso nem notei alguém se incomodar por serem iguais, mas se colocasse o sinal agudo, eu e outros teriamos maior chance de por acento no 'para' errado. Até por conta do corretor ortográfico.

Direto e reto: NADA de simplificar o português!

Caso queira apreciar minhas lamentações, fico lisonjeado:

Sério? Quer transformar uma Ferrari num Fiat 147? Vale-me Deus! Não caio nessa de complexo de vira-lata ou subserviência a modismos linguísticos. Esse papo é néscio e ignora a grandiosidade da língua portuguesa.

Somos invejados por nossa maternidade linguística, e vai tu desmereceres isso? Seja pragmático e joga tudo na lixeira e adota a gambiarra do inglês logo.

Dane-se a trema, com sua clareza fonética e etimologia, e os porquês, com sua precisão! No lugar, o quê? Contexto? O texto vira uma advinha! Ou vamos abolir o “ç” e os “ss” para ficar “minimalista e sofisticado”? Nice!

Certo, há pontos confusos e obscuros a serem clarificados, mas remover recursos, regras ou estruturas inteiras por pura letargia intelectual? Não! Pior ainda: o Brasil padece de uma grave deficiência no ensino dessa bela flor de Lácio, desvalorizando sua riqueza.

A simplificação vai acontecer independente das ações centralizadas. O português e varias outras línguas latinas estão se tornando cada vez mais analíticas no uso popular e inclusive incorporando termos e expressões do inglês.

Está perdendo conjugações ('você/tu vai'), sofrendo reduções das palavras ('Olhe, você vai ver!' → 'ó, cê vai vê!'), redução de acentos (joia, ideia...), resumindo palavras ou frases a letras ou simbolos, em algumas comunicações rápidas na internet ('s', 'q?', '?', 'vo ve', 'agr', 'qqr', 'pdc', 'fds'...) e muitas outras coisas.

Apresenta bons pontos, substanciando minha exposição.

As tais reduções são voláteis e temporárias, costume tão antigo que somente alguns casos são normatizados. Seu exemplo, “Olhe, você vai ver!” → “Ó, cê vai vê!”, a meu ver, entende-se mais como dialeto ou subdialeto, algo comum e esperado, servindo como tempero lexical, sem precisar de extravagâncias reformistas.

Já as notas rápidas, sabidamente conhecidas como taquigrafia (rabiscos, sinais, símbolos, etc.), todo idioma tem. São personalismos de usuários ou grupos funcionais bem restritos, e, quando de uso comum, geram mais problemas do que soluções. A taquigrafia de décadas atrás nem é sequer lembrada hoje.

Veja a maravilha da língua portuguesa: não só consegue aceitar tudo isso, como também estrangeirismos, a ponto de acomodá-los, aportuguesando-os. Veja a palavra “foottball → futebol” como exemplo.

Já a redução de acentos, pontuação, perda de conjugações ou simplificação de regras é pura beocidade pedagógica e causa danos irratificáveis psíquica, sociais e materiais.

Não vejo problema em usar a língua portuguesa de forma mais bairrista e ordinária, pois aí está sua magnificência: ela o permite, por ser um idioma rico. Tirar elementos dele o empobrece, tornando-o rígido e sem essa moldabilidade.

Na verdade, a maior parte da população prefere a simplificação e ela é muito mais comum do que jamais foi, pois os meios de comunicação hoje são muito mais informais e acessíveis.

Em relação a modificação de termos do inglês para a nossa gramática, já a muito tempo isso tá caindo em desuso, principalmente para termos que tivemos contato mais pras últimas 5 décadas.

Não usamos xampu, mas shampoo; nem mause, mas mouse; nem internete, mas internet; e tantas outras palavras...

> “Na verdade, a maior parte da população prefere a simplificação e ela é muito mais comum do que jamais foi, pois os meios de comunicação hoje são muito mais informais e acessíveis.“

De fato, o fazem. Fazem-no por terem segurança nos ricos conjuntos construtivos basilares que sustentam a língua portuguesa, seja intuitivamente, seja por dedicação. O inverso é impossível: de meras simplificações, não se constrói uma língua. Constrói-se uma casa da base, não do telhado.

> Em relação a modificação de termos do inglês para a nossa gramática, já a muito tempo isso tá caindo em desuso, principalmente para termos que tivemos contato mais pras últimas 5 décadas. Não usamos xampu, mas shampoo; nem mause, mas mouse; nem internete, mas internet; e tantas outras palavras...

Não adaptam por desleixo, preguiça e desamor à língua. O “desuso” é só um ato comportamental que não justificativa abolir para todos. Palavras estrangeiras “soltas” (ex.: “shampoo”) soam exóticas e estranham o texto, mesmo sendo comuns. Prova? São usadas na propaganda e textos pra chamar atenção! Isso não quer dizer que está correto.

Meu ponto é: a língua portuguesa, como está hoje, tem tudo o que se deseja e mais. Atende a todos com vários degraus de complexidade, para cada um escolher o seu, seguindo somente, a meu ver, duas regras universais: 1 — Para uma exposição respeitável no universo lusófono, use o português culto; 2 — Para outros usos, siga os costumes da sua comunidade.

A grande maioria das pessoas no Brasil não ligam pra regras de escrita, nem pra usar termos em inglês, japonês e seja lá qual língua for, é uma ínfima minoria que se preocupa com o português culto e tem esse 'amor' pela língua.

E, no geral, esse não é um comportamento de comunidade, é do Brasil como um todo. Ninguém gosta de preciosismos e limitações na própria expressão, nem de 'esquerda' (por mais que critique os EUA), nem de 'direita' (por mais que critique as reformas ortográficas).

Discordo. A maioria dos brasileiros defende a língua: vide a rejeição à linguagem neutra, subdialeto artificial, em estados como Santa Catarina, Rondônia e Paraná (leis de 2021-2022) e em municípios — o meu foi um desses. Não é “preciosismo”, é amor por Lácio, de norte a sul.

Ser contra a linguagem neutra não tem a ver com não ter preciosismo, tem a ver com rejeitar e não participar de linguagens marginais, sem sentido útil e própria de um grupo alienado cheio de problemas mentais.

De qualquer forma, usar leis para proibir isso ao inves do puro bom senso e boicote é de uma grande mentalidade estatista, que é quase que igualmente ridícula...

E me parece que você não é libertário, inclusive.

> “Ser contra a linguagem neutra não tem a ver com não ter preciosismo, tem a ver com rejeitar e não participar de linguagens marginais, sem sentido útil e própria de um grupo alienado cheio de problemas mentais.”

Tem tudo a ver. Todas as suas propostas e argumentos são tão semelhantes quanto ao subdialeto neutro, artificiais e sem basilares.

> “De qualquer forma, usar leis para proibir isso ao inves do puro bom senso e boicote é de uma grande mentalidade estatista, que é quase que igualmente ridícula…”

Sim. Bom senso e boicote popular levaram a um contrato coletivo para rejeitar mudanças artificiais na língua e preservá-la. Esse contrato, debatido e votado, chama-se lei.

> “E me parece que você não é libertário, inclusive.”

Correto, sou católico. Como tal, defendo que todos se expressem livremente, do culto ao coloquial, em qualquer grau de complexidade. Tu, libertário, queres cercear essa expressão por capricho. Ironia, não?

a questao não é proibir a linguagem neutra per se.

é proibir NAS ESCOLAS. O prof primario ensinar e exigir linguagem neutra. Obvio, se gasta tempo com isso, menos tempo pra outras coisas.

no bostil ninguem liga pra importar palavras. mas em portugal é 'rato', não pode registrar crianca com nome estrangeiro, etc.

é cultural, mas faz sentido pq eles são só 10M de tugas, se não defender a lingua, ela desaparece. Na frança a defesa da lingua é bem mais forte ainda. e.g. 'ordinateur'

Isso é tudo fortemente regulado pelo Estado em Portugal. Não é voluntário e por isso sequer poderiamos dizer que é exatamente 'cultural'.

mas como disse, eles tem uma necessidade que nao temos, de defender uma lingua pequena de um povo pequeno.

é estatal, e eles nascem assim e acham normal, ok, mas no fim eles concordam e defendem a lingua no privado.

qdo falava prum grupo lá, se irritavam com 'mouse' e anglicismos demais, e principalmente com conjugacoes degeneradas como 'a gente vai' ao inves de 'vamos'.

nao ha problema na lingua ter uma chave informal/eletronica, 'taquigrafica' e outra formal ou literaria. alias, linguagem poetica sempre foi muito diferente. E obvio as chaves mais formais são menos acessíveis.

Da mesma forma que latin formal e vulgar, não se imagina Cicero escrevendo como um grafite nos muros de pompeia, com conjugacoes e declinacoes simplificadas. Porque ele não teria precisão e concisão de expressão pra algo literario ou filosofico. Muito menos elegancia e eloquencia pra politica.

Como nossa menina prodigio diria, macaco é macaco.

O processo linguístico precisa se manter voluntário, mas o Estado regula grande parte e que mantém diversos formalismos arcaicos. Sem isso, a língua já seria muito diferente e bem mais eficaz para as necessidades dos brasileiros.

como existe padronização voluntária? O que a escola ensinaria? Vc quer colocar seu filho pra aprender a escrever o portugues que ele escuta na rua? Pra isso não precisa de escola. Macaco é Macaco. Literatura é Literatura.

Por isso q o importante é o corpus literario, ele define o padrão.

Se não for o estado, apareceria alguma Academia pra esse papel. Que tende a ser um bando de busybodies mudando a lingua a cada 20 anos, ok, mas tem que ter um padrão pra escola seguir. E só podemos julgar a academia porque existe um padrão literario a comparar.

O ideal seria NUNCA mudar, ao menos não artificialmente, como foi da última reforma ortográfica. Não duvido ter sido ela fator relevante para a queda do QI nacional.

Duvido. O inglês passou por uma redução de elementos por boa parte da historia dele e nem por isso a população emburreceu ou empobreceu.

O emburrecimento das massas vem da mídia, do aumento de impostos, regulações, de auxílios, do excesso de entretenimento ruim e de várias ferramentas paralelas de manipulação das massas.

Coisas diferentes, como sugeri na minha nota.

Eu me desagrado com como são feita as reformas também, mas na maior parte dos casos acaba simplificando e as pessoas em geral desejam isso, pois vivemos em um país onde boa parte da população tem algum nível de analfabetismo.

Mas sempre houve analfabetismo alto...

Se você «desce o nível da régua» para adaptar a língua às dificuldades das pessoas, a consequência inescapável é elas descerem mais baixo ainda. Talvez o problema seja as metodologias pedagógicas ou algo assim.

Considere que abaixar a régua também é um poupador de tempo de aprendizado e um menor seletor de pessoas com dificuldades (como dislexia, parkinson, TDAH e etc...).

Concordo contigo: poupa tempo, de fato. Mas as consequências são terríveis pra todo mundo, seja neurodivergente ou não. 🤝

Eu tiraria o boné e colocaria o óculos 👍

Cada regra da gramatica tem uma historia. Acentos, crases e tremas primeiro aumentaram no sec XX, depois diminuiram. Talvez tenham exagerado, e certamente mexem demais, sem razão, sem organicidade!. Mas as 'simplificacoes' das ultimas decadas tendem a:

* desancorar a lingua, acelerando mudancas, dificultando o acesso à literatura antiga, até à outras línguas latinas e o latim.

* menos tempo na escola pra portugues, mais tempo pra aprender a abraçar árvore e dar a bunda, *facilitando distribuir diplomas pra retardados*.

Tirar o trema simplifica mesmo? Antes:

* Professora, porque em 'freqüência' o 'u' tem som e em 'queijo', não?

* Joãozinho, uma palavra tem trema, a outra não. Olhe no dicionário se tiver dúvida.

Hoje, a resposta é 'porque sim, decore aí'. Havia sinal gráfico visivel no dicionário pra diferenciar e para *ancorar a pronúncia*. Errar a ortografia é problema menor. O risco é a falta de marcadores gráficos acelerar a divergência dos dialetos locais e mesmo da norma culta.

O mesmo para acentos diferenciais. Errar 'pára' x 'para' na escrita é problema menor, porque na dúvida o dicionário resolvia. Daqui a pouco, o verbo será 'pára' em um lugar e 'pará' no outro? Ou falarão *frekensia*?

Só temos um alfabeto, gramática com detalhes escrotos mas relativamente simples no básico, sem declinações. Errar alguns detalhes a vida inteira, ok, nem todos tem todos os talentos e paciências, a vida segue sem nota 10 em tudo. Hj com corretor ortográfico, não tem desculpa pra simplificar a ortografia, deixe o computador colocar os acentos. Deixe a perfeição para os profissionais ou amantes da língua. Até jornal tem revisor pra isso.

Mas se a criança não aprender a maioria desses detalhes, simplesmente não deve passar de ano.

pílulas:

* A divergência entre inglês escrito e falado é uma dificuldade, não facilidade. Desancorar a pronúncia aumentará essa divergência no portugues tambem.

* japinhas decoram 5000 kanji (e a gramatica deles...), as nossas crianças não podem decorar umas 200 regras e 1000 palavras irregulares?

* Há editoras hj com a ortografia de 1970. Não é estranho pra nós, mas ficam os marcadores de pronúncia.