Avatar
Petra Veritatis
12d73f506f18e33a61e4d3ee0e56c69ae0e32f07e1d3dc868837b2dd96f212da
catholic sedevacantista

Hoje, dia 15 de setembro, dia de Nossa Senhora das Dores. Nossa Senhora das Dores, rogai por nós.

Certamente se você é brasileiro, já deve ter visto que as seitas protestantes daqui (judaizadas por natureza ) também tem o mesmo costume de usar o shofar, mesmo que eles nem saibam o porquê os judeus usam.

🤣🤣

https://mauricepinayblog.wordpress.com/2015/09/12/on-rosh-hashanah-talmudic-new-year-the-shofar-rams-horn-is-blown-to-confuse-satan-and-god-so-the-jews-may-escape-accountability-for-their-sins/

Blessed Feast of the Holy name of Mary!

"Mary means Star of the sea, for as mariners are guided to port by the ocean star, so Christians attain to glory through Mary's maternal intercession."

~St. Thomas Aquinas

Never Google about the Dancing israelis at the world trade center 👀

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA ILUMINATIVA

9 DE SETEMBRO

É preciso praticar a humildade, a exemplo de Cristo

Tende entre vós os mesmos sentimentos que se deve ter em Jesus Cristo (Fl 2, 5).

I. Tende entre vós os mesmos sentimentos, isto é, possuais por experiência que houve em Cristo Jesus. Há cinco modos de sentir, quer dizer, pelos cinco sentidos. Primeiro, há que contemplar seu resplendor, para que iluminados com sua luz nos conformemos a Ele. Segundo, é preciso escutar sua sabedoria, para que sejamos felizes: Bem-aventurados os teus homens, e bem-aventurados os teus servos, que gozam sempre da tua presença, e que ouvem a tua sabedoria (3Rs 10, 8). Terceiro, é mister aspirar as graças de sua mansidão, para correr para Ele: Leva-me atrás de ti: corre- remos ao odor dos teus perfumes (Ct 1, 3). Quarto, há que provar a doçura de sua piedade, para que sejamos sempre amados em Deus. Provai e vede como o Senhor é bom (Sl 33, 9). Quinto, é mister tocar a virtude de seu poder para salvar-nos. Ainda que eu toque somente o seu vestido, serei curada (Mt 9, 21). E assim experimentai como que tocando pela imitação de suas obras.

II. Exemplo de humildade de Cristo em sua Encarnação. O qual, existindo na forma (ou natureza) de Deus, não julgou que fosse uma usurpação o seu ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo (Fl 2, 6-7). Aniquilou-se a si mesmo. Mas, porque estava cheio da divindade, se desprendeu por ventura da divindade? Não, porque permaneceu sendo o que era, e tomou o que não era. Porque assim como desceu do céu, não para deixar de estar no céu, senão para começar a estar de um modo novo na terra, assim também aniquilou-se a si mesmo, não depondo a natureza divina, senão que tomando a natureza humana.

Formosamente diz: aniquilou-se. Pois o vazio se opõe ao cheio. A natureza divina está sobrenaturalmente cheia, porque ela é a perfeição da bondade: Eu te mostrarei toda a minha bondade (Ex 33, 19). Mas a natureza humana e a alma não estão cheias, senão em potência para a plenitude, porque a natureza humana foi criada como tábua rasa. Está vazia. Por isso diz aniquilou-se, porque tomou a natureza humana.

Tomando a forma de servo, porque o homem por sua criação é servo de Deus, e a natureza humana é forma de servo.

III. Exemplo da humildade de Cristo em sua Paixão. Humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz (Fl 2, 8).

Cristo é homem, porém muito grande, porque Ele é Deus e homem; e, no entanto, humilhou-se. Quanto maior és, mais te deves humilhar em todas as coisas, e acharás graça diante de Deus (Eclo 3, 20). O modo de humilhar-se e o sinal da humildade é a sabedoria. Próprio dos soberbos é seguir sua própria vontade, pois o soberbo busca a elevação, e a uma coisa elevada pertence o não ser regida por outra, senão reger a outras, e, portanto, a obediência é contrária à soberba.

Querendo, por conseguinte, mostrar a perfeição da humildade e a Paixão de Cristo, diz que se fez obediente, porque se não houvesse padecido por obediência, não teria sido recomendável, pois obediência é a que dá mérito a nossos sofrimentos.

Porém, como se fez obediente? Não por sua vontade divina, porque esta é a mesma regra, senão por sua vontade humana, que em todas as coisas foi regulada segundo a vontade paterna.

Mas que esta obediência seja grande e recomendável se põe de manifesto porque a obediência é grande quando segue o mandato de outro contra a própria inclinação. O movimento da vontade humana se dirige para a vida e para a honra. Porém Cristo não recusou a morte. Tampouco recusou a ignomínia. Por isso diz: Condenemo-lo a uma morte infame (Sb 2, 20).

-In Phil., II

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA ILUMINATIVA

8 DE SETEMBRO

Na festa da Natividade da Santíssima Virgem Maria

Bendita és tu entre as mulheres (Lc 1, 28).

I. Eres bendita por Deus Pai, porque comunicas com Ele no mesmo Filho; pelo Filho, porque lhe preparas digna morada; pelo Espírito Santo, porque por sua ação engendras o Salvador do Mundo.

II. Pelos anjos, porque inicias na terra sua vida, reparas sua ruína e te humilhas ante sua mensagem.

III. Pelos pecadores, porque livra-os de suas angústias, ajudas-lhes nos perigos, e alcanças-lhes o perdão de seus pecados.

IV. Pelos justos, pois os escutas em suas orações, livra-os nas tentações, e acrescenta-lhes a graça pelas virtudes.

V. Pelas mulheres, porque as livras de seus inimigos. Com efeito, por causa do pecado estavam retidas pelo Diabo, e desprezadas por Deus; mas a Santíssima Virgem as livrou dos inimigos, já que Cristo, seu filho, destruiu o Diabo.

As escusas ante o varão. Se ele diz: "por ti sou condenado", a mulher pode responder: "por mim éreis salvo".

As honras ante Deus. Pois Ele as honrou, já que o mesmo Filho de Deus é filho da mulher, como diz o Apóstolo: Deus enviou seu Filho, feito da mulher (Gl 4, 4). Por estas três coisas se diz dela: Tu és a glória de Jerusalém, tu a alegria de Israel, tu a honra do nosso povo (Jud 15, 10).

VI. Tu éreis bendita por todas as criaturas porque amantadas a seu Criador, livra-as de suas manchas, isto é, limpas os pecados, e as restitui em seu primitivo estado. Porque o Filho, a quem engendraste, criou-as a todas, purificou-as e as renovou.

Assim, pois, ó Virgem Santíssima, bendigam-te Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo. Bendigam-te os anjos, os pecadores, os justos, as mulheres e todas as criaturas.

- Sermo XXXIII

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA ILUMINATIVA

5 DE SETEMBRO

Os sacrifícios que devem oferecer-se a Deus

Primeiro, a oblação do sacrifício se faz para significar alguma coisa.

O sacrifício que se oferece exteriormente significa o sacrifício interior espiritual pelo qual a alma se oferece a si mesma a Deus. O meu sacrifício, ó Deus, é um espírito contrito (Sl 50, 19), porque os atos exteriores da religião se ordenam aos interiores. Mas a alma se oferece a Deus em sacrifício, como ao princípio de sua criação e como fim de sua beatificação; e segundo a verdadeira fé somente Deus é criador de nossas almas; também n'Ele somente consiste a bem-aventurança de nossas almas. Por conseguinte, como somente ao sumo Deus devemos oferecer o sacrifício espiritual, assim também a Ele somente devemos oferecer sacrifícios exteriores.

Segundo, certamente é o sacrifício um ato especial de louvor, porque se faz em reverência de Deus; pelo qual pertence a determinada virtude, isto é, à religião. Porém ocorre que também as coisas que se fazem segundo outras virtudes se ordenam à honra de Deus, como quando se dá esmola dos bens próprios por Deus, ou quando submete seu próprio corpo a alguma aflição por reverência a Deus; neste sentido também os atos das demais virtudes podem chamar-se sacrifícios. Há entretanto alguns atos que não encerram louvor por outro conceito, senão porque se fazem por reverência a Deus. E estes atos se chamam propriamente sacrifícios e pertencem à virtude da religião.

Terceiro, o bem do homem é de três classes: primeiro, o bem da alma que se oferece a Deus com um sacrifício interior por meio da devoção, a oração e outros atos interiores semelhantes; e este é o sacrifício principal; segundo, o bem do corpo que, em certo modo se oferece a Deus pelo martírio, pela abstinência ou pela continência; terceiro, o bem das coisas exteriores, das que se oferece sacrifício a Deus; diretamente, quando lhe oferecemos imediatamente nossas coisas, e mediatamente, quando lhes damos a nossos próximos por Deus.

S. Th. IIª IIæ, q. 85, a. 2 e 3

De outra maneira pode dizer-se que devemos oferecer a Deus três sacrifícios. O sacrifício do coração pela contrição: O meu sacrifício, ó Deus, é um espírito contrito (SI 50, 19). O sacrifício dos lábios em louvor e em oração: O que oferece sacrifício de louvor (é o que) me honra (S1 49, 23); ou também: Oferecer-te-ei holocaustos de ovelhas pingues com gordura de carneiros (Sl 65, 15). A medula, que é a untuosidade e vigor dos ossos, é a devoção, substância e virtude das orações. O sacrifício do corpo na satisfação: Então aceitarás os sacrifícios de justiça (SI 50, 21).

- In Apoc., I

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA ILUMINATIVA

4 DE SETEMBRO

Deve-se orar sem interrupção

Importa orar sempre e não cessar de o fazer (Lc 18, 1).

A oração pode ser considerada em si mesma e em sua causa.

A causa da oração é o desejo da caridade, da qual deve proceder a oração, e que deve ser em nós contínua, seja em ato, seja virtualmente; porque a virtude deste desejo permanece em tudo o que fazemos por caridade; e como devemos fazer tudo para a glória de Deus, por isto a oração deve ser contínua. Pelo que diz Santo Agostinho: "Na fé, na esperança e na caridade oramos sempre com desejo contínuo".

Porém a oração mesma, considerada em si, não pode ser contínua, porque é necessário ocupar-se em outras obras; mas como diz Santo Agostinho: "A certas horas e em certos intervalos oramos a Deus mesmo com palavras, para que por aqueles sinais de coisas nós percebamos o quanto estamos adiantados neste desejo, conheçamo-nos a nós mesmos e nos excitemos mais vivamente a fazer isto".

Porém a quantidade de cada coisa deve ser proporcionada ao fim, como a dose de um medicamento à saúde. Por isso também é conveniente que a oração dure tanto quanto é útil para excitar o fervor do desejo interior; porém quando excede a esta medida, de tal modo que não possa prolongar-se sem tédio, a oração não deve prolongar-se mais.

Sobre isto comenta Santo Agostinho: "Diz-se que os irmãos no Egito fazem freqüentes orações, porém estas muito breves e como certa jaculatórias rápidas; para que a intenção, vigilantemente sustentada e necessária ao que ora muito, não se desvaneça e embote pela excessiva detenção".

Assim, pois, ora-se continuamente, seja pela perseverança do desejo, seja porque não suspende o orar em horas determinadas, seja pelo efeito, ou naquele mesmo que ora, o qual permanece, mesmo depois da oração, mais devoto, ou também em outro, como quando alguém por seus benefícios induz a um outro a que ore por ele, mesmo quando o mesmo cesse de orar e descanse.

Certamente se diz em São Mateus: Nas vossas orações não useis muitas palavras (Mt 6, 7). Porém daqui não se segue que a oração não deve ser de larga duração. Como explica Santo Agostinho: "Orar largo tempo não é orar dizendo muitas palavras; um longo discurso não é a mesma coisa que um afeto de longa duração; porque do mesmo Senhor está escrito que passou a noite em oração e que orou mais prolixamente para dar-nos exemplo". E depois acrescenta: "Aparte-se da oração o muito falar, mas não falte o rogo abundante, se persevera fervorosa a intenção; pois falar muito é empregar palavras supérfluas para pedir em oração uma coisa necessária; e o rogar muito é interessar àquele a quem se roga com insistente e piedosa excitação do coração. Porém de ordinário este negócio se trata mais com gemidos que com palavras, mais chorando que falando".

Assim, pois, a prolixidade da oração não consiste em que se peçam muitas coisas, senão em que o afeto persevere em desejar uma. Por isso se diz que o senhor Tendo-se retirado novamente, pôs-se a orar, repetindo as mesmas palavras (Mc 14, 39; Lc 22, 43).

-S. Th. IIª IIæ, q. 83, a. 14

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA ILUMINATIVA

2 DE SETEMBRO

A causa e o efeito da devoção

I. A causa da devoção. No decorrer da minha reflexão um fogo se ateou (S1 38, 4).

A causa extrínseca e principal da devoção é Deus. Mas a causa intrínseca por nossa parte é necessário que seja a meditação ou a contemplação; pois a devoção é um ato da vontade para que o homem se entregue prontamente ao obséquio divino. Mas todo ato da vontade procede de alguma consideração, porque o bem conhecido é objeto da vontade. Por isto diz Santo Agostinho que "a vontade nasce da inteligência". Por conseqüência, é mister que a meditação seja causa da devoção, enquanto o homem concebe pela meditação o entregar-se ao obséquio divino.

A ele lhe move, com efeito, uma dupla consideração: Uma por parte da bondade divina e de seus benefícios. Segundo aquilo do Salmo: Mas para mim é bom estar junto de Deus, pôr no Senhor Deus o meu refúgio (Sl 72, 28). Esta consideração excita o amor, causa próxima da devoção.

E outra, por parte do homem, que considera seus defeitos, por causa dos quais necessita apoiar-se em Deus, como diz a Escritura: Levanto os meus olhos para os montes: donde me virá o socorro? O meu so- corro vem do Senhor, que fez o céu e a terra (Sl 120, 1). Esta consideração exclui a presunção, que impede o homem de submeter-se a Deus, pois que se apóia em suas próprias forças.

A ciência, com efeito, e tudo quanto revela grandeza, é uma ocasião de que o homem confie em si mesmo e por isso não se entregue totalmente a Deus. Daí é que tais coisas impeçam, às vezes, ocasionalmente a devoção, e a devoção abunda nas pessoas simples e nas mulheres, cujo orgulho é reprimido. Porém se o homem submete perfeitamente a Deus a ciência e qualquer outra perfeição, por isto mesmo se acrescenta a devoção.

II. O efeito da devoção é a alegria. *

A devoção causa de per si, e principalmente, alegria espiritual da mente; mas como conseqüência e somente acidentalmente produz tristeza.

A devoção procede de duas considerações; principalmente da consideração da bondade divina, pois tal consideração pertence como ao término do movimento da vontade do que se entrega a Deus, e dela procede per se a deleite, segundo aquilo do Salmo: Lembrei-me de Deus, e senti-me cheio de gozo (SI 76, 4). Porém acidentalmente esta consideração causa certa tristeza naqueles que, todavia, não gozam plenamente de Deus, como diz o Profeta: A minha alma tem sede de Deus, fonte viva,** e depois segue: Minhas lágrimas são o meu pão (SI 41, 3 e 4).

A consideração dos defeitos próprios ocasiona secundariamente a devoção; porque esta consideração pertence ao término, do qual o homem se separa pelo movimento da vontade devota para que já não exista em si mesmo, senão que se submeta a Deus. Esta consideração é de índole oposta à primeira; porque lhe é natural produzir per si a tristeza, ao pensar nos pró- prios defeitos, porém acidentalmente causa alegria, pela esperança no auxílio divino.

E deste modo se evidencia que o deleite segue de per si e primariamente à devoção, porém secundariamente e acidentalmente segue a tristeza, que é segundo Deus.

-S. Th. IIª IIæ, q. 82, a. 3 e 4

Rodapé

______

* Santo Tomás neste mesmo artigo cita a belíssima oração do Breviario Romano (Laudes da sexta-feira da quarta semana da Quaresma) que transcrevo ao português em obsequio aos leitores seculares: "Concede, te rogamos, Deus onipotente, que àqueles aos quais castigam os jejuns votivos (os prescritos pelas leis da Igreja) regozije assim mesmo a devoção santa, para que atenuados os afetos terrenos, mais facilmente alcancemos as coisas celestiais".

** Santo Tomás segue aqui uma versão anterior à correção de Clemente VIII, pois depois desta o texto diz: fortem, vivum-forte, vivo, no lugar de fonte viva.

«Os judeus comprenderam que a democracia e o capitalismo que lhes permitiram dominar os povos não lhes proporcionara esse domínio absoluto ordenado por Deus de que fala o Talmude; por isso, os judeus Karl Marx e Friedrich Engels inventaram um sistema totalitário que lhes assegurasse poder tirar a cristãos e gentios todas as suas riquezas, todas as suas liberdades e, em geral, todos os seus direitos humanos, até os igualar com os animais.

A ditadura do socialismo comunista de Marx permite aos judeus alcançar esse domínio absoluto, e por isso, desde que o implantaram na Rússia, têm trabalhado sem descanso por destruir o regime capitalista que eles mesmos haviam criado, mas aue foi incapaz de os fazer chegar à meta desejada.» (Padre Sáenz y Arriaga, Complo contra a Igreja.)

https://archive.org/details/complocontraaigrejamauricepinay

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA ILUMINATIVA

31 DE AGOSTO

A virtude da religião

I. Ordena o homem a Deus.

Como diz Santo Isidoro, o religioso é chamado assim porque dito vocábulo deriva da palavra reeleição, quer dizer, que volta a tratar e como a reler o que concerne ao culto divino; e assim a religião parece vir de reler as coisas que são do culto divino, pois se devem freqüentemente recordar no coração, segundo aquilo dos Provérbios: Pensa n'Ele em todos os teus caminhos (Pr 3, 6).

Também pode entender-se a palavra religião no sentido de que devemos reeleger a Deus, a quem havíamos perdido por nossa negligência, e também pode derivar de religando (voltar a atar); por isso diz Santo Agostinho: "A religião nos volta a atar somente a Deus Todo-poderoso". Porém seja que a religião se chame assim porque requer a freqüente leitura, seja pela reiterada eleição do que negligentemente se perdeu, seja por proceder da ação de voltar a atar, a religião denota propriamente uma relação com Deus; porque Ele é a quem principalmente devemos unirmo-nos como a princípio indefectível; a quem também deve dirigir-se assiduamente nossa eleição como a último fim; a quem também perdemos por uma culpável negligência, e a quem devemos recuperar, crendo e professando nossa fé.

II. A religião é virtude especial.

Donde há razão especial de bem, ali existe necessariamente virtude especial. Mas o bem a que a religião se ordena é tributar a Deus a devida honra e reverência. A honra é devida a alguém por razão de sua excelência, porquanto excede infinitamente a tudo o que existe, em todos os conceitos, segue-se que se lhe deve uma honra especial.

III. A religião é virtude que deve ser preferida às demais virtudes morais, porque se aproxima mais de Deus que as outras virtudes morais, enquanto faz o que se ordena diretamente e imediatamente à honra divina.

IV. A religião tem atos interiores e exteriores. O meu coração e a minha carne exultam em Deus vivo (SI 83, 3). Assim como os atos interiores pertencem ao coração, assim os exteriores pertencem aos membros da carne.

Damos a Deus honra e reverência não por causa de si mesmo, visto que por si mesmo está cheio de glória, à qual nada pode acrescentar a criatura, senão por nós; pois honrando e reverenciando a Deus, nosso espírito se submete a Ele; e nisto consiste sua perfeição; já que cada coisa é aperfeiçoada por estar submetida a seu superior; como o corpo o é por ser vivificado pela alma. E o ar por ser iluminado pelo sol.

Mas a mente humana necessita, para unir-se a Deus, ser conduzida como que pela mão por meio das coisas sensíveis, pois as coisas invisíveis d'Ele (de Deus), isto é, o seu poder eterno e a sua divindade, depois da criação do mundo, compreendendo-se pelas coisas feitas, tornaram-se visíveis (Rm 1, 20). Portanto, é necessário no culto divino usar de algumas coisas corporais, para que por elas, como por certos sinais, excite-se o espírito do homem aos atos espirituais pelos quais se une a Deus. Assim, pois, a religião tem atos interiores, como principais e pertencentes por si à religião; e também atos exteriores, como secundários e ordenados aos atos interiores.

Portanto, essas coisas exteriores não se oferecem a Deus como se necessitasse delas. Senão como sinais das coisas interiores e das obras espirituais, que Deus per si aceita. A este respeito diz Santo Agostinho: "O sacrifício visível é o sacramento (isto é, signo sagrado) do sacrifício invisível".

-S. Th. IIª IIæ, q. 81, a. 1, 4 e 7

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA ILUMINATIVA

30 DE AGOSTO

A temperança

I. A temperança pode considerar-se segundo sua significação comum, e assim não é virtude especial, senão geral, porque o nome de temperança designa certo temperamento, isto é, moderação, que a razão põe nas ações e paixões humanas, o qual é comum a toda virtude moral. No entanto, a temperança difere razoavelmente da fortaleza, ainda que consideradas ambas como virtudes comuns; porque a temperança retrai das coisas que aumentam o apetite humano de um modo contrário à razão e à lei divina, e a fortaleza impele a sofrer ou acometer aquelas pelas quais o homem recusa o bem da razão.

Porém se se considera a temperança enquanto refreia o apetite do que mais principalmente impele o homem, então é virtude especial, tem como que matéria especial, assim como a fortaleza. Principalmente e de maneira própria a temperança tem por objeto as concupiscências e deleites do tato, e secundariamente, as demais concupiscências. O que a fortaleza é aos temores e audácias com relação aos maiores males, que são os perigos de morte, é também a temperança com relação às concupiscências dos maiores deleites. Tais deleites pertencem ao sentido do tato.

-S. Th. II II, q. 141, a. 2 e 4

II. A regra da temperança deve tomar-se segundo a necessidade da vida presente.

O bem da virtude moral consiste principalmente na ordem da razão. A ordem principal da razão reside em que algo se ordene a seu fim; e nesta ordem consiste sobretudo o bem da razão, porque o bem tem razão de fim, e o fim mesmo é a regra do que a ele conduz. Porém todas as coisas deleitáveis destinadas ao uso do homem se ordenam a alguma necessidade desta vida como ao fim, e por isto a temperança aceita a necessidade desta vida como regra das coisas deleitáveis, de que faz uso unicamente na medida em que a necessidade desta vida requer. Por isso diz Santo Agostinho: "O varão moderado tem por regra nas coisas desta vida aquela estabelecida em ambos os testamentos, de não amar nem considerar como desejável nada delas, senão tomar para a necessidade de sua vida e seus de- veres quando basta que use delas com modéstia e não com o afeto de quem as ama".

S. Th. IIª IIæ, q. 141, a. 2

III. Mesmo quando a formosura convenha a qualquer virtude, atribui-se, contudo, excelentemente à temperança: primeiro, segundo a razão comum dela, à qual pertence certa moderada e conveniente proporção, na qual consiste a razão da formosura; segundo, porque as coisas que refreiam a temperança são ínfimas no homem e convenientes a ele segundo a natureza animal, por isso o homem é mais propenso a ser manchado por elas. Em conseqüência, a formosura se atribui principalmente à temperança, que destrói principalmente estas torpezas do homem e rechaça os vícios mais afrontosos.

-S. Th. IIª IIæ, q. 141, a. 2, ad 3um

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA ILUMINATIVA

28 DE AGOSTO

A justiça

I. Pertence à justiça dar a cada um o que lhe é devido. Todas as virtudes morais que concernem às ações convêm em geral com a justiça, porque têm, de algum modo, razão de dívida. Porém a dívida não tem a mesma razão em todas; porque uma coisa se deve ao igual, outra ao superior, outra ainda ao inferior; uma se deve por razão de um pacto, outra por promessa, outra ainda por um benefício recebido. Todos estes títulos diversos dão lugar a distintas virtudes; por exemplo, a religião, pela qual se dá a Deus o que lhe é devido; a piedade, pela qual se dá o devido aos pais ou à pátria; a gratidão, pela qual se paga o devido aos benfeitores, e assim outras. Acima de todas as virtudes morais está a justiça legal, chamada virtude geral, enquanto ordena todas as virtudes ao bem comum.

Além da justiça que visa ao bem comum, existe outra justiça propriamente dita, que se ordena ao bem privado de alguém, para devolver a este o que é seu.

II. A justiça é mais eminente que as demais virtudes morais.

Se falamos da justiça legal, resulta evidente que é a mais preclara entre todas as virtudes morais, porquanto o bem comum é mais importante que o bem particular de uma pessoa, e segundo isto diz o Filósofo que "a justiça é a mais nobre das virtudes".

Porém, ainda falando da justiça particular sobressai entre as outras virtudes morais; porque se chama virtude maior aquela em que resplandece maior bem da razão, e conforme com isto a justiça sobressai como mais próxima à razão.

Isso se vê claramente, tanto da parte do sujeito como do objeto; da parte do sujeito, porque reside na parte mais nobre da alma, isto é, no apetite racional, quer dizer, na vontade, enquanto que as outras virtudes morais residem no apetite sensitivo, ao qual pertencem as paixões, que são matéria das demais virtudes morais. Também o é por parte do objeto ou matéria, porque versa acerca das ações com as que o homem se ordena não somente em si mesmo, senão também com relação a outros; e assim a justiça é em certo modo o bem de outro. Por isso diz o Filósofo: "É necessário que sejam as maiores virtudes as que são mais úteis aos outros; porque a virtude é potência benfeitora; e por isso se honra mais aos fortes e aos justos".

- S. Th. IIª IIæ, q. 58, a. 12; Iª IIæ, q. 66, a. 4

III. Os preceitos do Decálogo são preceitos de justiça. Os preceitos do Decálogo são os primeiros princípios da lei, e aos quais assente desde logo a razão natural, como a princípios evidentíssimos. Pois bem, a razão de débito, que se requer para o preceito, aparece na justiça que se refere a outro; porque nas coisas que atêm a si próprio, conhece-se à primeira vista que o homem é dono de si mesmo, e que lhe é lícito fazer o que quiser; porém nas coisas que se atenham a outro, é notório que o homem está obrigado a dar-lhe o que lhe deve; por isso foi necessário que os preceitos do Decálogo pertencessem à justiça. Assim, pois, os três primeiros preceitos se referem aos atos de religião, que é a parte mais principal da justiça; o quarto preceito tem por objeto os atos de piedade, que é parte secundária da justiça; e os outros seis se dão acerca dos atos da justiça tomada em geral, que se considera entre os iguais.

-S. Th. IIª IIæ, q. 122, a. 1

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA ILUMINATIVA

27 DE AGOSTO

A prudência

I. A sabedoria é a prudência do homem (Pr 10, 23). É sábio em algum gênero quem considera a causa suprema nesse mesmo gênero. No gênero dos atos humanos a causa suprema é o fim comum de toda a vida humana, e a este fim se dirige a prudência; pelo qual assim como o que raciocina bem por relação a algum fim particular, por exemplo, à vitória, diz-se ser prudente não absolutamente, senão neste gênero, isto é, em assuntos bélicos, assim também o que raciocina bem acerca de todo o bem-viver, diz-se ser prudente em absoluto. Logo é evidente que a prudência é a sabedoria nas coisas humanas.

II. A prudência não pode existir nos pecadores. A prudência se entende de três maneiras. Existe uma falsa ou chamada assim por semelhança porque sendo prudente o que dispõe bem as coisas que devem executar-se para um fim bom, quando alguém que se propõe um fim mal põe algumas coisas adequadas para lograr o fim, diz-se que possui uma prudência falsa, porque aceita por fim o que não é verdadeiramente bom, senão por semelhança, como se diz de alguém que é um bom ladrão. Neste sentido pode, por semelhança, chamar-se prudente o ladrão que emprega meios convenientes para roubar.

Desta prudência diz o Apóstolo aos romanos: A prudência da carne é morte (Rm 8, 6), aludindo àquilo que constitui o último fim no deleite carnal.

A segunda prudência é verdadeira porque encontra os meios adequados ao fim verdadeiramente bom, porém é imperfeita por duas razões: primeira, porque o bem que toma por fim não é o fim comum de toda a vida humana, senão de algum negócio especial; por exemplo, quando se encontra os meios adequados para negociar ou para navegar, diz-se prudente negociante ou navegante; segunda, porque é deficiente no ato principal da prudência, por exemplo, quando se dá um bom conselho e julga bem mesmo das coisas que correspondem a toda a vida, porém não dá um preceito eficaz.

A terceira prudência, verdadeira e perfeita, é a que aconselha retamente para o bom fim de toda a vida, e ademais julga e manda. Está é a única que se chama prudência em absoluto, a qual não pode encontrar-se nos pecadores. Ao contrário, a primeira prudência se dá unicamente nos pecadores; a prudência imperfeita é comum aos bons e aos maus, principalmente aquela que é imperfeita por razão de algum fim particular; e aquela que é imperfeita por defeito do ato principal, tampouco se dá senão nos maus.

-S. Th. IIª IIæ, q. 47, a. 2 e 13

III. Cícero acertadamente divide a prudência em memória das coisas passadas, inteligência das presentes e previsão das futuras. Porque a prudência versa acerca das ações particulares, é necessário tomar os princípios do mesmo gênero, a fim de que a pessoa prudente raciocine retamente sobre as coisas que é necessário fazer, pela experiência de outros feitos. Por conseguinte, necessita da experiência e do tempo, a fim de prever as coisas futuras por aquelas que existiram e que retém na memória, e pelas coisas que ao presente contempla a inteligência; pois pela memória evoca à alma as coisas que foram; pela inteligência contempla as que são, e pela previsão se vê uma coisa futura antes de realizar-se.

-3, Dist., XXIII, q. III, a. 1

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA ILUMINATIVA

26 DE AGOSTO

As virtudes cardeais

I. São quatro: prudência, justiça, fortaleza e temperança. Alguns consideram que as quatro mencionadas virtudes significam certas condições gerais da alma humana, as quais se encontram em todas as virtudes, e segundo isto a prudência não é outra coisa que certa retidão de discrição em quaisquer atos materiais; a justiça, certa retidão da alma, pela qual o homem faz o que deve em qualquer matéria; a temperança, "certa disposição da alma que impõe moderação a quaisquer paixões ou ocasiões, a fim de que não ultrapassem para além do devido; e a fortaleza, certa disposição da alma por meio da qual se afirma no que está conforme com a razão e contra quaisquer ímpetos das paixões ou trabalhos das ações.

Porém outros consideram com mais acerto estas quatro virtudes na medida em que se determinam a matérias especiais, referida cada uma delas, certamente, a uma só matéria, na qual se encontra principalmente aquela condição geral que dá seu nome à virtude; e, segundo isto, as virtudes mencionadas são hábitos diversos, segundo a diversidade dos distintos objetos.

II. Dois graus se distinguem nestas virtudes segundo a diversidade do movimento e do termo, de modo que umas são virtudes de coisas transcendentes e que tendem à semelhança divina; estas virtudes se chamam purgativas porquanto o homem submergido nas coisas mundanas aspira ao descanso da contemplação. Assim, a prudência despreza todas as coisas mundanas pela contemplação das divinas, e dirige todo pensamento da alma somente às divinas, a temperança abandona, quanto a natureza o permite, as coisas que requer o uso do corpo; a fortaleza faz que a alma não se aterre por seu apartamento do corpo e aproximação às coisas do alto; e a justiça, no fim, que toda a alma consinta no caminho de tal propósito.

Porém há outras virtudes próprias dos que conseguem já a semelhança divina, e se chamam virtudes da alma purificada, quer dizer: prudência que unicamente contemple as coisas divinas, temperança que não somente refreie os desejos terrenos, senão que os desconheça, fortaleza que não somente vença as paixões, senão que as ignore, justiça que se associe em perpetua aliança com a mente divina e a imite, virtudes que, certamente, dizemos são próprias dos bem-aventurados ou de alguns muito perfeitos nesta vida.

S. Th. Iª IIæ, q. 61, a. 4 e 5